domingo, 17 de janeiro de 2021

Mistério e Glória

 



Deus planejou antes dos tempos eternos ter muitos filhos semelhantes a Jesus Cristo.

Esta semelhança consiste em seu estado futuro e eterno em pura glória, ou seja, somente haverá pessoas glorificadas no céu, e nenhuma em condição rebaixada e sofrida, conforme se vê neste mundo.

Apesar de que lá haverá diferentes graus de glória entre eles, em razão dos motivos que serão expostos mais adiante, porém, todos serão glorificados, conforme é prometido na Palavra fiel e eterna do Senhor.

A obediência perfeita de Jesus em tudo o que sofreu, e tendo se humilhado ao maior ponto que seria possível a alguém chegar, pois deixou a majestade do céu, para que tendo se rebaixado ao nível com que se humilhou, recebeu um nome que é sobre todo nome, tendo em muito aumentado a Sua glória diante de Deus Pai, dos anjos e dos santos glorificados, porque a Ele deve ser tributada honra, majestade, glória, domínio e poder sobre tudo e eternamente, porque a nenhum outro foi dado realizar a obra que ele consumou em favor dos pecadores, para a glória de Deus Pai. Ninguém poderia ter se rebaixado mais do que Ele, porque sendo Deus se fez também homem e viveu na mais baixa condição imaginável neste mundo, a ponto de muitos terem-no considerado muito mais um mendigo que vivia de donativos, do que o Messias prometido para a salvação dos pecadores não somente de Israel, mas de todo o mundo.

Ele não necessitava ser purificado de qualquer pecado, conforme é o nosso caso, nem ser justificado e regenerado, passando pelo processo de santificação, ao qual os que nele creem devem ser submetidos, para que sejam tornados filhos de Deus amados e santos, aptos para toda boa obra.

É na medida da fidelidade ao Senhor, na execução da obediência que Lhe é devida em tudo o que nos tem ordenado, que também é medido o nosso galardão, e especialmente a medida de glória que nos será conferida no por vir, porque aqueles que tiverem sido mais pacientes, mais santificados, mais fiéis, enfim, mais consagrados a Deus e ao Seu serviço, é prometido receberem uma glória e honra da parte do Senhor diante dos santos anjos, pois confessará que os conhece na condição de seus servos amados, uma vez que não negaram o Seu santo nome.

Qual honra teria um soldado que não lutou bravamente no campo de batalha? Que medalha teria por atos heroicos que não realizou? Que distinção honrosa por sofrimentos que não teve que suportar na defesa do seu país? De igual modo, que conforto e honra receberá no céu o crente nominal que nunca padeceu tribulações por conta do seu amor a Jesus e ao Seu evangelho?

Por isso não somos apenas identificados a Jesus em nossa conformação aos Seus sofrimentos, para fins de sermos purificados de nossos pecados e aperfeiçoados em santificação, mas também para que possamos receber maiores graus de glória ao deixarmos este mundo, por termos vivido aqui para a Sua exclusiva glória.

Não é lícito que trabalhemos aqui para o reino de Deus visando à nossa própria glorificação no presente. Tudo o que fizermos e sofrermos deve ser para que o nome do Senhor seja glorificado. E Deus, em sua infinita bondade e justiça, há de nos recompensar por nossa fidelidade e serviço desinteressado a Ele, conferindo-nos distinções honrosas no por vir.

São muitas as passagens bíblicas que ensinam que se sofrermos com e por Cristo aqui, seremos glorificados no futuro.

Sofrimentos que não sejam suportados com paciência ou que não sejam por amor a Cristo e ao evangelho, são de nenhum proveito, quer para a santificação, quer para a glorificação.

A promessa de glória é somente para aqueles que suportam sofrimentos por amor a Cristo.

Se Deus dispôs as coisas dessa forma, então a própria morte no serviço de Cristo se tornou um meio para o aumento de nossa glorificação. Daí o apóstolo ter dito que o morrer, para ele, era lucro. A Bíblia diz que é agradável a Deus a morte dos seus santos. Que é coisa grata a Ele que eles suportem injustiças com paciência. Qual a razão de tudo isso, senão que, estas condições de humilhação e rebaixamento contribuem para um levantamento posterior em um estado exaltado glorioso? O corpo que desce à sepultura em estado de corrupção é levantado na ressurreição em corpo glorificado. O crente que foi fiel até a morte e não amou a sua vida, não buscando poupá-la, ao enfrentar as vicissitudes que são trazidas pela fidelidade à obra do evangelho, terá grande recompensa conforme é prometido a ele na Palavra de Deus.

Se não fosse por meio do plano em que Deus previu conduzir muitos filhos à glória por meio de seus sofrimentos, o que se poderia dizer da justiça divina em permitir que tantos tenham sofrido o martírio por causa da fé deles, a começar do próprio Abel que foi assassinado por seu irmão?

Como se explicaria que justamente aqueles que são mais justos e piedosos são os que mais ficam sujeitos aos ataques do diabo, do inferno e dos ímpios, caso toda a esperança deles de felicidade estivesse resumida ao seu tempo de vida neste mundo?

Mas glórias sejam dadas a Deus e à Sua grande sabedoria, que determinou que quanto maior for o sofrimento que tivermos neste mundo por causa da nossa fidelidade a Ele, maior será a nossa glória no por vir. E não há nisto nenhuma forma de masoquismo ou tragédia, como veremos adiante, pois é por meio de argumentos e razões firmemente fundados que as coisas foram dispostas por Deus de tal forma.

Todos os apóstolos estavam cientes desta verdade, e por isso suportaram tudo o que lhes sucedeu na obra do evangelho, sabendo que cada tribulação estaria acrescentando um peso maior de glória à condição futura deles.

Tiago chegou ao ponto de dizer que devemos ter por motivo de grande alegria passar por variadas provações. Paulo disse que tinha prazer e se gloriava nas necessidades, nas aflições, nas perseguições e em tudo o que lhe enfraquecia e humilhava, porque sabia que maior força lhe seria suprida pela graça de Jesus na medida que as suportasse com paciência. Mas, ele sempre olhava para a glória futura que haveria de se manifestar em sua vida, tão logo completasse a sua carreira neste mundo.

Pedro disse que não devemos considerar o fogo das provações como algo estranho à vida cristã, pois foi para isto mesmo que fomos ordenados. Ele chama de bem-aventurados aqueles que suportam as provações com paciência, porque isto é um sinal evidente de que sobre eles repousa o Espírito da glória de Deus. Veja que ele se refere à glória como aquilo que se deve contemplar nestas situações, e não as provações propriamente ditas.

E de onde todos eles retiraram o que aprenderam senão do próprio Senhor Jesus Cristo que afirmou clara e diretamente que devemos nos regozijar com grande alegria quando formos perseguidos, injuriados, caluniados, enfim, sofrermos toda forma de oposição em nossa dedicação ao reino de Deus.

Jesus ensinou que os sofrimentos suportados por amor a Deus e ao Seu Reino estão relacionados ao galardão futuro prometido por Ele aos que o servirem. Os crentes passam por aflições neste mundo, conforme parte do legado que Jesus lhes deixou, também e principalmente para este propósito divino de glorificá-los no por vir.

Então, em vez de os crentes se entristecerem com as aflições que suportam por causa do amor deles a Cristo e ao evangelho, devem se alegrar, e muito, com grande regozijo, porque grande será o galardão deles no céu.

10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.

12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” (Mateus 5.10-12).

Foi por visar à glória futura, e por cumprir este princípio revelado por Jesus nas Bem-Aventuranças, de seu Sermão no Monte, que Pedro instruiu a Igreja a seguir o seu exemplo de paciência nas tribulações:



18 Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso Senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso;

19 porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus.

20 Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.

21 Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos,

22 o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca;

23 pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente,” (I Pedro 2.18-23).

Assim, tudo que possa parecer contrário a nós, está na verdade, cooperando para o nosso bem, seja ele presente ou futuro. Presentemente nos santificando, e futuramente, aumentando a glória que há de ser manifestada em nós.

Observe que nosso Senhor, não tentou dissuadir Tiago e João de buscarem uma maior glória no céu quando fossem para lá, conforme o pedido da mãe de ambos a Jesus. Ele tão somente lhes disse que o meio de se alcançar isto é por meio de se beber do Seu cálice de sofrimento. Mas, Deus, em Sua soberania, já determinou todos os diversos graus de glória que os crentes terão no céu.

Eles estavam pensando em glórias e honras terrenas como sendo o resultado de seguirem a Jesus, mas foram devidamente orientados para a verdade de que o reino dEle não é deste mundo, e que a Sua glória não pode ser comparada com a dos reinos da Terra, que se desfaz no pó, e é de fundamento pecaminoso e injusto, mas a base do Seu trono é justiça, verdade e santidade, que a propósito, devem ser achadas em todos os Seus súditos.

Aos servos que foram fiéis na parábola que Jesus contou quanto ao investimento dos talentos que lhes foram dados por Ele, foi prometido o governo sobre um maior número de cidades, na medida proporcional da grandeza da fidelidade de cada um deles. Esta parábola não tinha a finalidade de nos ensinar como alcançar maiores riquezas terrenas, mas revelar que o serviço espiritual a Jesus e ao evangelho não é em vão, e que tem grande recompensa, investindo em autoridade espiritual a todo aquele que for fiel em sua mordomia cristã, e na distinção honrosa que terão futuramente estes servos fiéis.

Como está determinado por Deus, em seu decreto eterno, que tudo o que há em Jesus também deve ser encontrado nos seus servos, então faremos bem em considerar tudo o que o Senhor viveu e sofreu para que possamos seguir os seus passos, que é a condição que convém a todos os seus verdadeiros discípulos.

Mas, não podemos nos entregar à execução dessa tarefa, sem que nos dediquemos de fato a Deus, para a transformação e renovação da nossa mente, e para que nos exercitemos diariamente na piedade, porque todos os mistérios que são para serem revelados a nós, conforme eles se encontram em Cristo, dependem de nosso crescimento em piedade, para que recebamos da parte de Deus maiores graus do conhecimento dessas revelações, à medida que elas são implantadas em nosso próprio viver.

O que queremos dizer é que sem um interesse real em termos uma vida verdadeiramente piedosa, não podemos ser transformados de crentes carnais em crentes espirituais amadurecidos. Não poderemos crescer progressivamente na graça e no conhecimento da pessoa de Jesus, como ele é de fato em espírito, com todo o seu caráter, atributos e virtudes.

Por isso é o próprio Senhor que se encarrega de completar a boa obra que iniciou em nós, e é quem também comanda tanto o nosso querer quanto o realizar segundo a Sua boa vontade, pois se este encargo fosse deixado sobre os nossos próprios ombros, jamais poderíamos chegar à glória futura prometida, porque no céu todos são santos em perfeição, quer anjos ou homens. Tudo o que há no céu é perfeitamente santo, e por isso a condição celesital é sempre bendita e de glória. Não há portanto, como alguém estar no céu e não ser glorificado, porque glória é a condição mesma do céu e de tudo e todos que nele há.

Muitos imaginam erroneamente que qualquer pessoa que morre vai para o céu, e que continuará fazendo lá o que fazia aqui na terra. Quantos pensam que vão alegrar a Deus com suas piadas imorais, com suas habilidades esportivas, com seus dons teatrais, musicais etc, depois que eles chegarem lá depois da morte. É somente por uma grave ignorância de quem seja Deus e a Sua vontade, justiça, verdade, santidade e Seus decretos eternos, que muitos se consolam com essas imaginações utópicas e blasfemas.

Não há espaços para imaginações vãs ou especulações filosóficas mundanas, na revelação bíblica, pois sendo a verdade, a Bíblia foi produzida em meio a histórias reais de vida, e é do mesmo modo que suas verdades são implantadas em nós, a saber, sendo vividas de forma experiencial, conforme aplicadas pelo Espírito Santo.

Deus não anunciou a verdade com meras palavras provindas do céu, mas a gravou na vida de pessoas por Ele santificadas, e especialmente na vida do próprio Jesus que se fez carne e habitou entre nós, para ser o Rei da verdade. Tanto que a Palavra de Deus somente revela o seu poder quando alguém tem a coragem de praticá-la em sua própria vida. Assim como fizeram por exemplo, os apóstolos, os reformadores (Lutero, Calvino etc) e os puritanos depois deles.

Como a verdade não é encontrada nas coisas naturais, e nem está disponível nas mentes carnais e mundanas, então não é de se admirar que o mistério, que é Cristo, possa ser somente revelado e entendido por aqueles que vivem piedosamente.

1 Tim 3:16: Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.

Quem poderia imaginar, mesmo dentre os anjos, que a segunda pessoa da trindade divina, deixaria o seu estado de exaltação na glória e se rebaixaria para realizar a obra de salvação dos pecadores, e para que fosse depois mais exaltado ainda por Deus Pai, recebendo um nome que é sobre todo nome, retornando ao céu em uma ressurreição gloriosa para tudo comandar e julgar? Mas isto foi guardado em mistério por muitos séculos seguidos, sendo apenas de conhecimento da própria trindade.



5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,

10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,

11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses 2.5-11).

É dito mistério da piedade não porque não deva ser revelado, mas porque o plano eterno de Deus de salvar pecadores através da fé em Jesus, por meio da pregação do evangelho, achava-se oculto com ele desde antes da fundação do mundo, para que fosse manifestado na plenitude do tempo, em cumprimento a todas as profecias que foram feitas em relação a Jesus e à Sua Igreja. Tudo estava na Bíblia no período do Velho Testamento, mas de uma forma velada. Mesmo na manifestação de Jesus em carne, a sua glória divina permaneceu velada para diversos fins. Que os gentios (que não conheciam a Deus e a Sua palavra, como os judeus) viriam a crer em Cristo, também era algo que estava guardado em mistério.

Mas, ainda que saibamos que Cristo em nós, é a esperança da glória, e o mistério revelado, todavia, como dissemos antes, a plenitude de nossa vida espiritual continua em mistério nele, pois encontra-se nele no céu, para que o busquemos pelos meios de graça ordenados, e esta plenitude será mais e mais desvendada à medida que perseveramos na busca de uma vida verdadeiramente piedosa.

Esta é uma das principais razões por que a perseverança na fé e em fidelidade a Cristo e à Palavra é exigida a todos os crentes. Sem perseverança é impossível haver crescimento espiritual e confirmação na fé e em toda boa Palavra. Se podemos estabelecer uma comparação aqui, é como o aluno que não pode progredir caso não vá mais à escola. É preciso fazer progresso nas classes existentes na escola de Cristo, e esta permanência é feita por se dar a devida consideração e prática às ordenanças de Deus constantes da Sua Palavra.



A palavra “Mistério”, μυστηριον – pronúncia musterion – no original grego, de um derivado de muo (fechar a boca); tem, biblicamente, as seguintes significações: algo escondido ou secreto, não óbvio ao entendimento natural; o propósito ou conselho oculto eterno de Deus, e Sua vontade secreta. Os conselhos secretos com os quais Deus lida com os justos, ocultos aos descrentes e perversos, mas manifestos aos crentes.

Ef 1:9: desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo.

Ef 3:3: pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente;

Ef 3:4: pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo,

Ef 6:19: e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho.

Cl 1:26,27: o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória.

Quanto à palavra glória, δοξα – pronúncia docsa – no original grego, no que se refere à glória revelada em Cristo e naqueles que estão unidos a Ele, possui os seguintes significados: opinião positiva a respeito de alguém, que resulta em louvor, honra, e glória; esplendor, brilho; magnificência, excelência, preeminência, dignidade, majestade; estado de exaltação; a mesma condição de Deus Pai no céu, para a qual Cristo foi elevado depois de ter concluído sua obra na terra e a condição de gloriosa bem-aventurança à qual os cristãos verdadeiros entrarão depois do retorno do seu Salvador do céu.

Como não se manifestou ainda a glória que os crentes terão depois da volta de Jesus, isto permanece em mistério quanto à sua manifestação, mas não quanto à sua revelação, porque temos a sua promessa nas Escrituras.

Assim, quando Jesus disse que aos crentes é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, e não aos incrédulos, isto não significa portanto, que eles conheçam a glória que há no céu enquanto estão neste mundo, mas que eles são informados e ensinados em espírito a respeito dessas coisas que permanecem escondidas para os ímpios.

Mt 13:11: Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.

Rm 16:25: Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos.

1 Co 2:7: mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória.

Veja que neste texto o apóstolo se refere à sabedoria de Deus revelada no evangelho como um mistério que foi preordenado desde antes da fundação do mundo, mas que agora havia sido revelado pela manifestação de Jesus Cristo em carne, e que tudo isto foi feito com vistas à nossa glorificação futura. Como dissemos antes, Deus planejou ter muitos filhos glorificados no céu, conforme podemos ver nas seguintes palavras do apóstolo:

Rm 8:30: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Agora, observe como o mesmo apóstolo associa a glorificação futura ao sofrimento experimentado por amor a Cristo e ao evangelho:

Rm 8:17: Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

Fp 1.29: Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele.

Atos 14.22: fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.

Paulo sabia que quanto maiores fossem os seus sofrimentos em prol da causa do evangelho, maior seria a glória futura que ele teria. Ele fora instruído pelo próprio Jesus quanto aos muitos sofrimentos que teria que suportar, mas que tudo isto redundaria para um maior galardão. Deus decidiu dar grande honra a Paulo, e por isso ele foi submetido a grandes provações e humilhações. E como regra geral, isto é feito a todos aqueles que Ele designou para serem grandes no Seu reino eterno.

Grandes em glória, não como Satanás propôs a Jesus na tentação, em relação às coisas terrenas, segundo os reinos deste mundo (Mt 4.8), mas segundo a glória majestosa que Jesus sempre teve com o Pai, antes mesmo da fundação do mundo. A glória da qual aqui se fala é aquela da santidade que é forjada por um viver piedoso. É algo associado ao caráter inteiramente santo de alguém, de forma que não podemos entrar nesta glória enquanto aqui vivermos, por sermos ainda imperfeitos.

Mas temos a promessa de sermos participantes da mesma glória na qual Jesus se encontra agora exaltado no céu, e na qual virá com os seus anjos na sua segunda vinda. A glória de seu Pai. A mesma glória que será vista nos santos nos corpos glorificados que receberão depois do arrebatamento, e no qual se encontrarão quando estiverem reinando com Cristo na Terra no período do Milênio, e na qual viverão por toda a eternidade.



Mt 16:27: Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.

Mt 19:28: Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.

(Vide também Mt 24:30; Mt 25:31; Mc 8:38; Lc 24:26)

Devemos fixar esta glória futura como o grande alvo de nossas vidas, porque toda a glória terrena é vã e passageira. Não admira que nosso Senhor e seus apóstolos nunca aceitaram receber glória da parte dos homens, pois o que é a glória dos homens, senão a mesma glória que tem por fundamento a glória que Satanás tentou oferecer ao Senhor na tentação no deserto! Há somente uma glória que deve nos interessar, e esta é a glória que vem de Deus, e que é seguida pelo rastro de Sua perfeita santidade e justiça.

Jo 5:41: Eu não aceito glória que vem dos homens.

Jo 5:44: Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único?

Jo 7:18: Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça.

Jo 8:50: Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue.

Jo 8:54: Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus.

Observe quão improcedente é que mesmo que atuando em nome de Jesus, busquemos nos autoglorificar, ou tudo fazer para que sejamos glorificados por Deus. Como já disse antes, Deus deve ser servido voluntariamente e por amor, não se buscando o que seja do nosso próprio interesse. Obedecendo a Sua vontade seguindo o exemplo que Jesus nos deixou. E em tudo o que fizermos e sofrermos em Seu nome e para a Sua exclusiva glória, encontra-se a glória futura que nos será concedida em decorrência desse desprendimento amoroso de quem trabalhou como quem trabalha para um Pai de amor.

Jesus se humilhou deixando a glória que tinha no céu e que era manifestada abertamente aos anjos e santos glorificados, e consentiu com a vontade do Pai para ser confinado no ventre de uma virgem, recebendo uma natureza humana como a nossa, mas sem pecado, e vivendo em condições obscuras e de grande pobreza a ponto de não ter onde reclinar a sua cabeça. Ele sabia, que quanto mais fundo fosse em sua humilhação, mas o Pai o elevaria em Sua glória, com uma glória ainda maior do que a que tinha antes, pois agora teria o reconhecimento tanto da parte de anjos, quanto de homens regenerados pelo Seu poder, o quanto lhe é devido por tudo o que fez por eles, por meio de Sua graça, que a propósito é o que os mantém firmes em sua posição nele.

Jo 17:5: e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.

Jo 17:22: Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos;

Jo 17:24: Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

Se permanecermos em nossa condição de pecadores não regenerados, ficaremos desprovidos para sempre da glória de Deus, que carecemos para que o Seu plano eterno se cumpra em nós. Graças a Deus por Jesus Cristo, que é o único que pode nos restaurar para sermos habilitados a receber esta glória que tanto necessitamos para que sejamos as pessoas que Deus projetou para que fôssemos.

Rm 3:23: pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,

Rm 5:2: por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.

Rm 8:18: Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

Rm 9:23: a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão,

Rm 11:36: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

1 Co 2:8: sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória.

A sabedoria aqui citada pelo apóstolo é aquela que se refere ao mistério da piedade revelado no evangelho, conforme Deus havia planejado desde antes dos tempos eternos de chamar não os grandes deste mundo, mas os pequeninos, e não as coisas que são, mas sim as que não são, para confundir as que são, com este seu plano que parece aos sábios do mundo como algo invertido, de colocar em estado de exaltação futura não o inteligente, o rico, o forte, o sábio, mas o humilde, o que chora, o pobre de espírito, que é contrito de espírito, e que treme da Sua Palavra. Tendo fixado o exemplo máximo deste processo de exaltação pelo caminho da humilhação na pessoa de Seu próprio Filho Unigênito. Um dos motivos de Sua sabedoria se revelar nisto, é que importava que Jesus fosse crucificado pelos grandes do mundo, para ser oferecido a Deus como um sacrifício para a nossa redenção, e quem ousaria fazê-lo se ele viesse em seu estado glorioso divino e com todo o poder? Além disso, quem dentre os mais pobres ousaria se aproximar dele com confiança, crendo que ele veio para o bem deles? Além disso, quantos confiariam que é pelo caminho de sofrimentos e tribulações que somos separados de nossos pecados? O homem pensa que estão bem no conceito de Deus os que são ricos, saudáveis e prósperos. Os que são poderosos e instruídos nas coisas deste mundo. Mas Deus manifesta na prática e na Sua Palavra que aquilo que o mundo considera elevado ele considera uma abominação, pois impede o homem de se render a Ele e à Sua vontade, para que possa ser salvo e transformado.

Há uma corrida proposta para os crentes, mas é uma corrida para a santificação, para a obtenção de uma coroa de glória imarcescível. Aqui vencem os que se autonegam, que carregam a cruz diariamente e que seguem a Jesus.

E como já falamos antes, há diversos graus de glória para os vencedores, quanto maior for a fidelidade e santidade deles. Os maiores serão os que mais serviram. Os mais elevados serão os que mais se rebaixaram, e se submeteram à vontade do Senhor.

1 Co: 15:40-42: Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres. Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória.

2 Co 3:18: E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.

2 Co 4:17: Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.

Deus conduzirá todos os seus filhos à glória celestial, pelo seu próprio poder, mas tanto mais viveremos de modo que glorifique o seu santo nome, e tanto mais teremos acesso a maiores graus de glória, à medida que nos empenhemos em plena diligência para conhecer o Senhor Jesus Cristo, por um estudo e meditação permanentes da Palavra de Deus. Foi para esta iluminação do entendimento dos crentes, que o apóstolo orava em favor da igreja,como podemos ver em várias passagens bíblicas:

Ef 1:18: iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos.

Fp 1:11: cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.

Fp 3:21: o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.

Cl 1:11: sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria.

Cl 3:4: Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.

1 Ts 2:12: exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.

2 Ts 1:9: Estes sofrerão penalidade eterna e destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder,

2 Ts 2:14: para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

1 Tm 1:11: segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado.

2 Tm 2:10: Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória.

Tt 2:13: aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.

Observe que a Igreja Primitiva, assim como os Puritanos, depois dela, viveram na expectativa da glória que há de se manifestar nos crentes por ocasião da volta de Jesus. Eles não esperavam somente que ele voltasse como Juiz sobre o mundo de ímpios, mas para serem glorificados juntamente com Ele.

As Escrituras falam insistentemente desta glória futura, como sendo o grande alvo para o qual devemos mirar. Jesus sofreu tudo o que sofreu por causa da glória que não somente ele teria, mas todos os que fossem redimidos por Ele. Se nossa esperança se resume às coisas naturais e passageiras deste mundo, somos então, conforme dizer do apóstolo, as criaturas mais infelizes, porque não contemplamos a verdadeira e eterna felicidade que nos está reservada caso vivamos em novidade de vida, na santificação do Espírito.

Hb 2:9: vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.

Hb 2:10: Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.

Jesus não foi aperfeiçoado moral e espiritualmente, porque não tinha pecado, e sendo Deus, não necessitava disto tal como nós, mas foi aperfeiçoado para o ministério de ser fiel sumo sacerdote, para simpatizar com nossas fraquezas e sofrimentos.

Nós necessitamos de ser provados em nossa obediência para a nossa santificação, cuja parte da mesma é a purificação de nossos pecados, sendo a outra a implantação das virtudes de Cristo em nossa nova natureza.



1 Pe 1:7: para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.

1 Pe 4:13: pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.

1 Pe 4:14: Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.

Se nossa fé for provada pelo fogo da provação, e se formos pacientes neste trabalho, o resultado será este a que se refere o apóstolo Pedro, que teremos louvor, glória e honra quando Jesus se manifestar em sua segunda vinda.

O apóstolo Pedro associou a glorificação daqueles que são assim refinados para que o valor da sua fé seja mais precioso do que o ouro, o qual não pode comprar a glória eterna de Deus, assim como somente a fé em Cristo pode fazê-lo, como ele se refere no v.4 do primeiro capítulo:

para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros”



Veja a ênfase que ele faz na herança eterna de glória que aguarda os crentes, a qual não pode ser negada, em razão das tribulações e sofrimentos que todos os crentes experimentam no presente.

A mesma ideia daquilo que o apóstolo tem em vista é reforçada no verso imediatamente posterior (v.5) no qual ele afirma o seguinte:

que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.”

No verso 6, ele diz que nós exultamos na esperança da glória perfeita que teremos no por vir, mas esse mesmo ato de exultar ou gloriar-se, não exclui as tribulações presentes, até porque necessitamos delas para sermos aperfeiçoados para essa glória que há de se manifestar; com o que concordam as palavras dos apóstolos Paulo e Tiago, apontando para o mesmo propósito de nos alegrarmos nas variadas provações e tribulações porque por elas somos exercitados em nossa fé por Deus para aprendermos a paciência, a experiência, e por fim a esperança de alcançarmos o estado glorioso que teremos no porvir.



E, tudo é fechado com o que ele diz nos versos 7, 8:

para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória”

Mas toda nossa exultação é no próprio Senhor Jesus Cristo, é nele que nos gloriamos e na sua cruz. Nada temos para nos gloriar em nós mesmos e muito menos nas próprias tribulações em si mesmas. É por meio de Cristo que temos acesso à glória vindoura, de modo que mesmo quando fazemos grandes avanços na maturidade espiritual, aprendendo a andar em santificação na presença de Deus pelo poder do Espírito Santo e, caso o Senhor permita que sejamos provados por ataques do inferno, pelas setas inflamadas disparadas pelo Maligno, logo será manifestada a nossa insuficiência, para permanecer na paz e equilíbrio espiritual em que nos achávamos, caso não sejamos assistidos pela graça de Jesus.

Então, podemos ser tomados por irritação, e até mesmo ódio, por aquilo que nos perturba e oprime.

O nosso velho homem se manifesta, vindo à tona, e revelando que ainda há a velha natureza pecaminosa residindo em nosso interior, apesar de ter ficado por muito tempo subjugada pelo poder da graça - isto nos humilha, nos entristece, e nos faz reconhecer que Cristo é nosso tudo em tudo, para que possamos permanecer santificados e ter a garantia da promessa de que seremos glorificados com Ele, independentemente de sermos fracos em nós mesmos, pois, para isto, Ele se tornou da parte de Deus para nós sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, (1 Cor 1.30).

Caso fosse permitido a Satanás agir livremente sobre nós, nosso caso seria perdido, pois seríamos facilmente vencidos, por maior que fosse nosso desejo de permanecer firmes. Daí sermos exortados a nos fortalecer continuamente na graça que está em Jesus, e invocarmos ao Senhor em nossas profundezas, quando laços de morte e angústias do inferno se apoderam de nós, assim como fazia o salmista – veja Salmo 116.

Mas, em tudo isso devemos sempre nos lembrar que é um princípio em Deus, chegando mesmo a ser uma lei do Seu reino; primeiro rebaixar, para depois exaltar. Primeiro, a cruz, depois a coroa; tanto que se diz que ao que se humilha Ele dá mais graça.



Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. (Tg 4: 6).

Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará”. (Tg 4: 9, 10)



Os próprios profetas do Antigo Testamento buscaram se informar melhor quanto ao mistério da piedade neste aspecto de que o Filho Unigênito de Deus tomaria a forma de servo e se humilharia, mas que o Pai o levantaria de forma exaltada e gloriosa uma vez que ele tivesse concluído a obra que lhe designou para fazer. É a isto que Pedro se refere com as seguintes palavras sobre esta investigação dos profetas:



1 Pe 1:11: investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.



Mas daquilo que os profetas falaram nas sombras do Velho Testamento, Jesus trouxe à plena luz e o revelou aos apóstolos, de modo que eles foram devidamente instruídos quanto à glória da qual seriam participantes todos aqueles que viessem a crer nEle.

1 Pe 5:1: Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada.

1 Pe 5:4: Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

1Pe 5:10: Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.

2 Pe 1:3: Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude.

Jd 1:24: Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória,

Nós, na condição de igreja padecente neste mundo, ainda nos encontramos no estado de humilhação que nos convém, e necessitados dos sofrimentos e tribulações que nos acometem para a nossa santificação. Assim como Jesus teve que passar por seus sofrimentos com paciência e aguardar o tempo da sua glorificação, de igual modo, devemos nos identificar com ele nesta parte.

Jesus deixou o mundo e a humilhação que teve aqui, e entrou em sua glória, e no devido tempo nós também deixaremos este estado de sofrimentos e perplexidades, e galgaremos à perfeição eterna gloriosa que nos está prometida.

Enquanto estivermos aqui como forasteiros e peregrinos em nossa jornada para o nosso lar celestial nunca deixemos de glorificar por nossa conduta, obras e palavras tanto o Pai quanto o Filho, pois são dignos de receber toda a honra, glória e louvor.

Mt 5:16: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.



Jo 7:39: Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.

Jo 12:23: Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.

Jo 12:28: Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei.

Jo 13:31,32: Quando ele saiu, disse Jesus: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele; se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á imediatamente.

Jo 14:13: E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.

Jo 15:8: Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.

Jo 17:1: Tendo Jesus falado estas coisas,levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti,

Jo 17:4,5: Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.

Jo 21:19: Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.

O texto não fala, mas Pedro também receberia glória da parte de Deus com o tipo de morte com que ele o glorificou. Segundo a tradição ele foi crucificado de cabeça para baixo.



1 Co 6:20: Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.

2 Ts 3:1: Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós.

Hb 5:5: Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.

1 Pe 4:11: Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!



1 Pe 4:16: mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.