quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O Pendor do Espírito








Por John Angell James (1785-1859)

Traduzido, Adaptado e
Editado por Silvio Dutra




Set/2019









 
















           J27
              James, John Angell – 1785 -1859
                   O pendor do Espírito / John Angell James.  
                         Tradução,  adaptação e   edição por Silvio Dutra
             Rio de Janeiro,  2019.
                   39p.; 14,8 x 21cm
              
                 1. Teologia. 2. Vida Cristã 2. Graça 3. Fé.     
              Silvio Dutra I. Título
                                                                     CDD 230





 

"Pois ter uma mente carnal é a morte; mas ter uma mente espiritual é vida e paz." (Romanos 8: 6).
Meus queridos amigos,
O assunto deste discurso é "Espiritualidade da mente" - uma condição muito abençoada da alma, muito comentada nas conversas e nos sermões; discutido frequentemente nos livros; frequentemente orava por isto; ainda pouco entendido, e muito raramente, pelo menos em alto grau, possuído. É um ramo da santidade, mas refere-se antes ao estado da mente, como a expressão importa, do que à conduta. "Ter uma mente espiritual", diz o apóstolo, "é vida e paz". Romanos 8: 6. Ou, como as palavras podem ser traduzidas, "a mente do Espírito", isto é, as coisas do Espírito "são vida e paz". No versículo anterior, diz-se: "aqueles que se inclinam ao Espírito se importam com as coisas do Espírito". A palavra traduzida como "eles se importam" expressa principalmente o exercício do intelecto, eles prestam atenção, empregam seus pensamentos; mas secundariamente, e por implicação, o exercício dos afetos. Portanto, em Col 3: 2, é assim traduzido: "Coloque suas afeições nas coisas de cima". Espiritualidade da mente, então, significa o emprego habitual e piedoso dos pensamentos e afetos em assuntos divinos. É algo mais do que moralidade de conduta, por mais pura e exemplar; mais do que comparecimento aos meios da graça, ainda que pontuais; mais do que liberalidade, por mais difusa que seja; mais que zelo, por mais ativo - significa, além de tudo isso, um estado mental devocional habitual.             
É o mesmo estado de espírito para com Deus e Cristo, e as coisas divinas em geral, como um marido e pai afetuoso têm para com sua esposa e filhos, que, não apenas no todo, realmente os consideram e evitam o que é grosseiramente inconsistente para tal profissão, mas cujo coração, quando ele está ausente deles, instintivamente, espontaneamente e habitualmente, se voltam para eles; quem não precisa de alguém para lembrá-lo deles; cujos pensamentos não se limitam a tempo ou lugar, e sempre que ocorrem, e isso é perpetuamente, acendem seus afetos e fazem com que ele goste de falar deles e anseie por estar com eles. Aqui é mais do que a conduta decorosa, aqui é descrito um cuidado. 
Algo assim é espiritualidade da mente, apenas o objeto é divino, e não humano. É uma maneira de pensar nas coisas espirituais que surge de um forte interesse e deleite nelas; uma propensão a meditar sobre elas, como é produzido por um forte apego a elas. A verdadeira indicação desse estado mental, portanto, pode ser encontrada no caráter e na tez predominantes dos pensamentos. "Como um homem pensa em seu coração", diz o Provérbio, "ele assim é". Os pensamentos são as fontes do sentimento, os elementos da ação e do caráter. O objetivo de nossos pensamentos nesse estado mental não é meramente a glória futura, pois caracterizamos a mente celestial; não é um mero olhar para o céu, um desejo em meio às tristezas da vida, pela imortalidade e repouso eterno, mas uma reflexão devota e habitual sobre toda a gama da verdade divina; o caráter glorioso de Deus; a pessoa e ofícios de Cristo; o cuidado sábio e gracioso de uma providência superintendente; a aliança da graça; as grandes e preciosas promessas da palavra divina; o estado milenar do mundo; e a segunda vinda de Cristo, com todas as outras variedades de assuntos espirituais.     
Agora, se houver uma mente espiritual, nossos pensamentos sobre esses assuntos serão voluntários e espontâneos; eles surgirão na alma, não apenas quando for apelada por sermões, livros e eventos, que de certa forma a obrigam a pensar, mas na ausência do ministro; quando a uma distância do santuário; e quando nem o volume nem a dispensação da providência nos falam. No retiro, na solidão, nas viagens, nas horas insones da noite e durante os intervalos dos negócios, nos voltaremos para algum tópico de piedade, para a glória de Deus, a obra de Cristo ou os privilégios dos crentes, e encontraremos nosso conforto e alegria em tais meditações. Buscaremos até que o fogo queime dentro de nós. Providenciaremos tais épocas de santa reflexão e nos esforçaremos para prolongá-las quando ocorrerem.  
Tais pensamentos serão frequentes e habituais. Eles ocorrerão não apenas a longos intervalos, nem serão vistos, quando ocorrem, como estranhos entrando na mente, surpreendendo-a por sua novidade e quase alarmante, como a visão de um anjo fez aos judeus, supondo que eles são o prenúncio da morte; mas eles são os residentes declarados da mente, necessariamente indo para o exterior para vários propósitos, mas ainda voltando para casa, assim que esse negócio é concluído, para morar lá. Eles são os ocupantes diários, quase de hora em hora da alma.   
Esses pensamentos são tão agradáveis à mente quanto habituais. O cristão gosta de pensar nas coisas divinas; eles se adaptam ao seu gosto, são agradáveis ​​aos seus desejos e são produtivos da sua felicidade. São tão bem-vindos quanto amigos queridos, recebidos com alegria, entretidos com prazer e separados com relutância.   
Pensamentos divinos são prontamente sugeridos pelas ocorrências da vida ao cristão com mente espiritual. Seus confortos o levam a pensar na bondade de Deus; suas aflições de sua fonte divina. Em julgamentos públicos, sua mente é levada ao governador supremo; em misericórdias nacionais, ao autor de épocas frutíferas e tranquilidade pública. Onde outros falam de natureza, ele pensa em Deus; e onde eles falam de fortuna, ele mora na Providência. Recordando as belas imagens das Escrituras, que associaram os ofícios, o trabalho e os benefícios de Cristo a todos os objetos da natureza; ele vê figurativamente as glórias do Salvador expostas diante dele no esplendor do sol, no brilho da estrela da manhã, na videira repleta de cachos, no milho ondulado, no terno pastor e no afetuoso noivo. Sem permitir que sua espiritualidade se degenerasse em uma piedade alegórica ou mística - ele gosta de seguir a trilha dos escritores sagrados e ler o nome de seu Salvador naqueles objetos nos quais eles o imprimiram. 
E posso observar que, entre todos os objetos para os quais os pensamentos e as afeições das pessoas espirituais são direcionadas, a pessoa e a obra de nosso Senhor Jesus Cristo se destaca. Eles não param na contemplação de Deus, na Providência e no céu - mas contemplam tudo em Cristo, e Cristo em tudo. Sua divindade, expiação e intercessão; sua perfeita justiça para justificação, e seu exemplo impecável como a regra de sua santificação; seus ofícios de profeta, sacerdote e rei - são todos temas que têm atração irresistível para seus pensamentos. Nada mais decididamente indica espiritualidade do que essa tendência habitual dos pensamentos a Cristo. Não é o céu, meramente, nem principalmente, repito, que essa disposição leva o crente a habitar, mas a Cristo; pois o que é o céu senão a presença de Cristo? Desde que ele pudesse ver a glória e sentir a graça do Salvador, tudo é um para o homem de fé forte, o cristão avançado, esteja ele no céu ou na terra, ou de qualquer forma, seu desejo de partir é fundado na esperança e desejo de uma visão e gozo mais perfeitos de Cristo. O grau em que nossos pensamentos e sentimentos são atraídos para o Redentor é a quantidade exata que possuímos da verdadeira espiritualidade da mente. Pode haver, e sem dúvida existe, um reflexo muito sério de certo tipo, compelido pela tristeza, ou produzido por uma mentalidade sentimental, em várias generalidades da religião, e especialmente na Providência e no céu, mesmo onde não há piedade evangélica. Mas para aqueles que acreditam, Cristo é precioso! Jesus é o objeto específico e o centro de suas reflexões devocionais. 
Os pensamentos das pessoas verdadeiramente espirituais sempre acendem afetos religiosos e levam a ações correspondentes.
Espiritualidade da mente não é mera contemplação silenciosa, sentimentalismo inativo, quietismo sem paixão. Não! é pensamento habitual e agradável, produzindo sentimento habitual e agradável e terminando em ações santas habituais. "É de pouca importância quais sejam as nossas reflexões, meditações, sentimentos emocionantes e pensamentos elevados; a menos que haja relação com todas essas emoções, qual é a única prova legítima de sua genuinidade e sinceridade, conformidade com a vontade de Deus, e a verdadeira aptidão para o céu, em nosso temperamento, disposição e caráter." É uma espiritualidade espúria, e um dos artifícios pelos quais Satanás engana e destrói almas incautas - entregar-se a pensamentos divinos e exaltar sentimentos devocionais, enquanto o temperamento não é subjugado, as corrupções do coração não são mortificadas e as ações da vida estão em pouca conformidade com a palavra de Deus.         
Essa é a espiritualidade da mente; não uma mera conversação religiosa, que se restringe a um conjunto de frases atuais, e que está sempre à frente para levá-las a todas as pessoas e em todas as ocasiões; com fingido semblante piedoso e religiosidade bajuladora; nada do tipo. É verdade que a pessoa que desfruta desse santo estado de alma estará sempre disposta, pronta para conversar com os outros, com a mesma opinião, sobre os assuntos mais próximos e mais queridos de seus corações, e essa é uma das marcas de seus caráter solicitar como companheiros e associar-se habitualmente àqueles que são qualificados por sua experiência e preparados por sua disposição, a se envolver em discursos que sejam adequados aos remidos do Senhor e aos viajantes à imortalidade. Desprezando o espírito mundano, o político e o polêmico, eles se unirão com aqueles que temem ao Senhor e conversam frequentemente um com o outro sobre sua salvação comum; mas eles não se entregam ao que pode ser denominado "mero canto religioso" - palavras que não provêm de nenhuma convicção ou emoção e que terminam em nenhuma ação.
Este, meu querido rebanho, é o estado de espírito que estou ansioso para promover em você e para lhe dar um exemplo disso em mim. Não basta que sejamos externamente corretos em nossa conduta e que mantenhamos todas as formas de piedade; mas devemos procurar manter a vitalidade de tudo isso no estado de nossas mentes e corações.
A verdadeira espiritualidade é um princípio vivo na alma; sim, uma vida divina, um sabor santo, cujo assento e centro estão na mente. A conduta é apenas o corpo do caráter, por mais simétrica que seja, e por mais justa que seja vista - são pensamentos e sentimentos piedosos que lhe conferem intelecto e coração e constituem sua alma, sem a qual há apenas a figura ou a estátua. - mas não o cristão vivo. 
O objetivo do presente discurso é promover o exercício de tais pensamentos e afetos, como se supõe que residam em uma alma renovada pelo Espírito de Deus, santificada pela verdade, que ama a Deus supremamente e está sob a restrição. influência do amor de Cristo; e está esperando e se preparando para a glória eterna. E meus queridos amigos, reflitam sobre que pensamentos espontâneos, numerosos, deliciosos e práticos esse estado de alma deve suscitar. Pode uma alma ser redimida, regenerada e ter a glória eterna, e não pensar muito, sentir muito e falar muito sobre isso? Podem tais perspectivas estar diante de nós, tais esperanças em nós, tal brilho radiante em cima de nós, e ainda assim não haja habitual cuidado de tais assuntos?   
Pode ser útil mencionar algumas PROVAS DE FALTA DE ESPIRITUALIDADE, para que aqueles que são desprovidos dela possam receber um aviso e procurar suprir o defeito. Quando não há disposição ou tendência a se entregar a pensamentos sagrados, mas todo o caráter e a tez da mente são mundanos - quando há uma falta de vontade de comparecer aos cultos da igreja nos dias úteis - quando os deveres domésticos e privados de devoção são pouco melhores do que formas sem coração - quando o gosto pelos sermões é mais pelo talento e pela elegância do que pela verdadeira verdade evangélica - quando a sociedade dos homens mundanos e políticos é preferida à companhia dos piedosos, e seu discurso é mais apreciado do que o dos eminentemente piedosos - quando a alegria degenera em leviandade, e não há prazer na conversa espiritual - quando há uma disposição de julgar como "hipocrisia" todo gosto e conversa espirituais - em todos esses casos, há uma triste indicação de falta daquela espiritualidade da mente, que é o objetivo deste discurso promover.
Mas agora vou enumerar alguns dos principais meio pelo qual a espiritualidade da mente pode ser promovida. Não crescerá na alma sem cultura; nem nos chega com o aceno descuidado do desejo indolente. "Essa casta não ocorre, senão por jejum e oração."  
Devemos colocar nossos corações sobre isso, ou nunca o teremos, e considerá-lo como um rico privilégio a ser desfrutado e um dever histórico a ser cumprido. 
Os meios mais diretos e certos de obtê-lo são: um claro conhecimento bíblico da verdade divina e uma forte fé em suas realidades gloriosas e eternas. Não podemos esperar pensamentos e afeições espirituais de verdades que são apenas imperfeitamente compreendidas ou duvidosas e fracamente cridas. Quão fervorosamente devemos orar por isso, com que ardência devemos almejá-la, com que esforço devemos procurá-la, com que confiança esperamos e com que perseverança e paciência esperamos por ela. A oração de fé e fervor deve subir ao tesouro do céu - e buscar a bênção dos inesgotáveis ​​estoques da graça divina! É no quarto da devoção privada, onde comungamos em segredo com nosso Pai, que esse estado de espírito divino deve ser cultivado e muito tempo para a oração ser resgatado do mundo, para obtê-lo. Se você nem sempre ora e não desmaia; se você não se entregar à oração, se não prestar atenção à oração, não poderá alcançar esse delicioso estado de alma. É o dom mais rico do Espírito, que ele concede apenas à alma que se apega à sua força e parece dizer: "Não deixarei você ir, a menos que me abençoe".      
Então deve haver muita leitura devota das Escrituras Sagradas. Não basta não apenas negligenciar a Bíblia pelo jornal, mas não deve ser substituída por livros piedosos e sem inspiração. Os melhores livros dos homens não podem substituir o livro de Deus. Nenhum combustível é tão adequado para alimentar a chama da devoção quanto as promessas, preceitos e consolações da palavra de Deus - um único texto às vezes o mantém ardendo com intenso brilho por horas, e fornece uma fonte de pensamentos sagrados para todos os que não têm sono, noite ou dia ansioso.  
A meditação é de grande poder para promover esse quadro devoto. Devemos fazer uma pausa e pensar na palavra de Deus até que suas verdades se expandam diante de nós e sintamos seu poder sobre o coração. Algumas de suas belezas mais minuciosas, escondidas do leitor apressado e superficial, surgem na mente admiradora daquele que a procura atentamente. Seria bom fixar uma passagem das Escrituras pela manhã e torná-la objeto de meditação, preencher os intervalos de negócios durante o dia e ser um tópico sempre à mão para a mente recorrer em momentos de lazer e, portanto, que deveriam reunir-se para um propósito sagrado, esses fragmentos de tempo que seriam desperdiçados em insignificantes gastos em algo pior.  
Quando os cristãos se reúnem, eles devem procurar introduzir algum tópico de conversa de natureza sagrada e de interesse comum, e não permitir que o tempo se perca, ou que a influência deles sobre o outro seja, no máximo, negativa. Grupos grandes são hostis a isso, pois é impossível ou difícil manter uma conversa nessas circunstâncias, em que todos devem participar. As festas até dos cristãos nem sempre são favoráveis ​​à mente espiritual. Onde o tempo é gasto em música, canto ou fofocas, é pouco calculado para promover a espiritualidade da mente.  
Autoexame e autoinspeção devem ser adicionados. Devemos olhar em nossas mentes e manter um olho constante no estado de nossa alma - quanto aos pensamentos e sentimentos que habitualmente habitam ali, ou mesmo chegam como visitantes. Os maus pensamentos impedem os bons; e até os mundanos podem encher a mente de maneira a não deixar espaço para melhores reflexões. Às vezes, seria bom, no final do dia, quando estivesse sozinho em nosso quarto, fazer a pergunta: "No que estou pensando hoje? Quantos pensamentos tenho dado a Cristo e ao céu?"
Deve ser uma questão de especial importância para nós, não apenas ser regular e diligente no atendimento das ordenanças da religião, mas ser espiritual no uso delas. Nada tende mais a atrapalhar o sentimento devocional, do que uma participação ininterrupta em exercícios religiosos. 
A oração curta e espontânea, mantida ao longo do dia, tem um efeito abençoado. Manteria o coração em temperamento doce e santo durante todo o dia e exerceria uma excelente influência em todas as nossas ações e deveres comuns. Isso seria "andar com Deus", de fato, segurar continuamente pela mão de nosso Pai; considerando que, sem isso, nossas orações matutinas e vespertinas não passam de uma "visita formal", não se deleitando com o diálogo constante, que ainda é nossa felicidade e honra, e torna todas as condições agradáveis, todos os lugares sagrados e todos ocupações rentáveis. "Isso nos refrescaria no trabalho mais árduo, pois aqueles que levam as especiarias da Arábia são refrescados pelo cheiro delas em sua jornada, e alguns observam que elas mantêm sua força e os impede de desmaiar".
E como devemos ser menos mundanos em nossos assuntos espirituais - também devemos ser mais espirituais em nossos assuntos mundanos. "Não apenas se esforçar", diz o divino Leighton, "para manter sua mente espiritual em si mesma, mas também colocar um selo espiritual mesmo em seus empregos temporais; e assim você viverá para Deus, não apenas sem prejudicar seu emprego, mas também em conversar com Deus em sua loja, no campo ou em sua jornada - fazendo tudo em obediência a ele e oferecendo tudo e a si mesmo com isso, como sacrifício a ele - você ainda está com ele, e ele ainda com você, em todos. Isso é viver de acordo com a vontade de Deus, seguir sua direção e pretender sua glória em tudo. Assim, a esposa na própria supervisão de sua casa e o marido em seus negócios no exterior podem viver para Deus, elevando seus baixos empregos a uma alta qualidade de espiritualidade dessa maneira!" "Senhor, mesmo este trabalho mundano que faço por você, cumprindo sua vontade, que me colocou nesta posição e me deu essa tarefa. Senhor, eu ofereço até mesmo esse trabalho a você. Aceite-me e meu desejo de lhe obedecer em tudo."  
E como em seu trabalho, assim como em seus refrigérios e descanso, os cristãos fazem tudo por ele. "Quer você coma ou beba", diz o apóstolo, 1 Coríntios. 10:31, "ou o que você fizer, faça tudo para a glória de Deus"; fazendo tudo por esse motivo, porque é sua vontade e para esse fim que ele tenha glória; dobrando o uso de toda a nossa força e todas as suas misericórdias dessa maneira; estabelecendo este alvo em todos os nossos projetos. Isto para a glória do meu Deus, e mais para a sua glória, e assim de uma coisa para outra durante toda a nossa vida. Essa é a arte de manter o coração espiritual em todos os assuntos; sim, espiritualizando os próprios assuntos em seu uso, que em si são terrenos. Este é o elixir que transforma metal vil em ouro, as ações comuns desta vida, nas mãos de um cristão, em obediência e ofertas sagradas a Deus. 
Quantos MOTIVOS o incentivam a cultivar esse temperamento divino. Algum grau disso é essencialmente necessário para a própria existência da religião pessoal. "Ser carnal é a morte, mas ser espiritual é vida e paz." A alma que não tem grau desse santo temperamento celestial, está morta em ofensas e pecados. Nenhuma tendência a pensamentos e afetos piedosos é a característica de uma alma, na qual nenhuma centelha da vida divina ainda está acesa. Mas agora não estou insistindo na necessidade de regeneração - mas em graus mais elevados de santificação e em uma medida maior de espiritualidade, como parte essencial dela.   
Pense na felicidade que acompanha uma grande parte da espiritualidade. "Ter mente espiritual é vida e paz." Isto é - uma paz viva; uma vida pacífica. É a vida; tanto quanto temos disso e não mais, temos da vida de Deus, do céu, da santidade em nossas almas. Toda vida em seres sensíveis é agradável em proporção ao seu vigor e saúde; as sensações da vida física são agradáveis; os exercícios da vida intelectual ainda mais; mas os atos e aspirações da vida espiritual são a felicidade mais sublime que a alma humana pode conhecer! Esta é a vida dos espíritos aperfeiçoados - dos anjos abençoados; do nosso Senhor Jesus Cristo; e do próprio grande Deus, que é puro espírito.         
Nos exercícios desta vida, portanto, temos comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Esta é a vida cuja fonte está oculta com Cristo em Deus. Vamos subir mais alto, meus queridos amigos, a esta existência elevada e santa. Como criaturas racionais, é um emprego digno usar nossas faculdades nobres na contemplação das obras da criação; mas, como seres espirituais, é ainda mais digno usá-las na contemplação e no desfrute das coisas que estão no alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. É de fato paz, uma palavra que significa não apenas tranquilidade e repouso da mente, mas todos os tipos e partes de felicidade substancial. Não existe felicidade real fora da região das realidades divinas, e é a espiritualidade cristã que nos leva a esse círculo sagrado e nos permite beber as águas cristalinas dessas fontes abençoadas!
Se você gosta de religião, então, ou de qualquer forma, se você tem um prazer rico e poderoso dela, deve atingir altos graus desse temperamento devoto de mente espiritual. Pense na felicidade que uma corrente de pensamentos sagrados fluindo através da alma e direcionando seu curso sempre a Deus, a Cristo e ao céu - deve trazer consigo. Quão ricamente esse fluxo deve ser impregnado de todos os elementos de uma vida paradisíaca. Como esse estado de espírito aliviaria suas preocupações, aliviaria suas tristezas, adoçaria seus confortos, santificaria suas provações, elevaria suas devoções e anteciparia o céu! Quantas cenas desanimadoras isso animaria e quantas estações sombrias irradiaria! Que fonte de deleite perene abriria, onde tudo o mais ao lado é um deserto da alma. Estado abençoado, dia e noite, para familiarizar-se com pensamentos santos, celestiais e pacíficos. 
Talvez alguns de vocês não tenham perdido essa espiritualidade, porque nunca alcançaram altos graus dela. "Qual é a fonte de seus arrependimentos mais pungentes - o que mais desperta poderosamente os sentimentos amargos de autocensura - torna os meios da graça improdutivos de alegria e os expõe às invasões mais perigosas de seus inimigos espirituais? Não é quando você estão cuidando das coisas da carne e não 'cuidando das coisas do Espírito? É a falta de espiritualidade que obscurece suas perspectivas - faz com que trevas, dúvidas e medo cerquem seu caminho - obscureça as evidências de seu interesse salvador no favor divino - dá poder aos seus inimigos invisíveis e leva à experiência de desânimo doloroso e mórbido, ou à sensação mais perigosa de presunção profana". ("On Spirituality of Mind", de Fletcher. Um admirável companheiro de bolso que eu sinceramente recomendo aos meus amigos.)
Pense na importância da espiritualidade mental para dar vida, beleza e força atraente ao seu exemplo. É isso que, quando adicionado à consistência externa da conduta, apresenta a religião ao mundo como realmente é - uma coisa divina e celestial na terra! Pois, embora o fundamento da piedade esteja na alma, ainda pela intensidade e brilho de uma chama interior, envia um brilho a todo o caráter e exibe as belezas da santidade em um estado de iluminação. Ou, para mudar a metáfora, embora o princípio da vida esteja dentro, ele apresenta o homem exterior da piedade como uma realidade vital - e não como uma forma morta. 
Você pode ser útil, admito, sem muito ou mesmo sem nenhuma espiritualidade; pois Deus pode se glorificar pela instrumentalidade de homens não convertidos; mas quão mais útil você pode ser se todas as ofertas da sua liberalidade forem salgadas com essa graça, e a chama do seu zelo for alimentada com o óleo dessa piedade pessoal! Que prevalência isso dará às suas orações, que impulso à sua liberalidade e que constância e firmeza às suas energias e esforços.        
E não é assim que você deve se tornar apto a ser participante da herança dos santos na luz? Sim! Não é o começo do céu na terra? O que é o céu, senão a ausência de tudo que é carnal, e a presença e perfeição de tudo que é espiritual? É pela recorrência habitual dos pensamentos santos que os lineamentos de um caráter celestial são impressos na alma, e pelo ardor das afeições santas, que eles adquirem uma beleza e uma forma duradouras!
"Pois ter uma mente carnal é a morte; mas ter uma mente espiritual é vida e paz." (Romanos 8: 6).
Nota do Tradutor:
O Evangelho que nos Leva a Obter a Salvação
Há somente um evangelho pelo qual podemos ser verdadeiramente salvos. Ele se encontra revelado na Bíblia, e especialmente nas páginas do Novo Testamento. Mas, por interpretações incorretas é possível até mesmo transformá-lo em um meio de perdição e não de salvação, conforme tem ocorrido especialmente em nossos dias, em que as verdades fundamentais do evangelho de Jesus Cristo têm sido adulteradas ou omitidas.
Isto nos levou a tomar a iniciativa de apresentar a seguir, de forma resumida, em que consiste de fato o evangelho da nossa salvação.
Em primeiro lugar, antes de tudo, é preciso entender que somos salvos exclusivamente com base na aliança de graça que foi feita entre Deus Pai e Deus Filho, antes mesmo da criação do mundo, para que nas diversas gerações de pessoas que seriam trazidas por eles à existência sobre a Terra, houvesse um chamado invisível, sobrenatural, espiritual, para serem perdoadas de seus pecados, justificadas, regeneradas (novo nascimento espiritual), santificadas e glorificadas. E o autor destas operações transformadoras seria o Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade divina.
Estes que seriam chamados à conversão, o seriam pelo meio de atração que seria feita por Deus Pai, trazendo-os a Deus Filho, de modo que pela simples fé em Jesus Cristo, pudessem receber a graça necessária que os redimiria e os transportaria das trevas para a luz, do poder de Satanás para o de Deus, e que lhes transformaria em filhos amados e aceitos por Deus.
Como estes que foram redimidos se encontravam debaixo de uma sentença de maldição e condenação eternas, em razão de terem transgredido a lei de Deus, com os seus pecados, para que fossem redimidos seria necessário que houvesse uma quitação da dívida deles para com a justiça divina, cuja sentença sobre eles era a de morte física e espiritual eternas. 
Havia a necessidade de um sacrifício, de alguém idôneo que pudesse se colocar no lugar do homem, trazendo sobre si os seus pecados e culpa, e morrendo com o derramamento do seu sangue, porque a lei determina que não pode haver expiação sem que haja um sacrifício sangrento substitutivo.
Importava também que este Substituto de pecadores, assumisse a responsabilidade de cobrir tudo o que fosse necessário em relação à dívida de pecados deles, não apenas a anterior à sua conversão, como a que seria contraída também no presente e no futuro, durante a sua jornada terrena.
Este Substituto deveria ser perfeito, sem pecado, eterno, infinito, porque a ofensa do pecador é eterna e infinita. Então deveria ser alguém divino para realizar tal obra.
Jesus, sendo Deus, se apresentou na aliança da graça feita com o Pai, para ser este Salvador, Fiador, Garantia, Sacrifício, Sacerdote, para realizar a obra de redenção.
O homem é fraco, dado a se desviar, mas a sua chamada é para uma santificação e perfeição eternas. Como poderia responder por si mesmo para garantir a eternidade da segurança da salvação?
Havia necessidade que Jesus assumisse ao lado da natureza divina que sempre possuiu, a natureza humana, e para tanto ele foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria.
Ele deveria ter um corpo para ser oferecido em sacrifício. O sangue da nossa redenção deveria ser o de alguém que fosse humano, mas também divino, de modo que se pode até mesmo dizer que fomos redimidos pelo sangue do próprio Deus.
Este é o fundamento da nossa salvação. A morte de Jesus em nosso lugar, de modo a nos abrir o caminho para a vida eterna e o céu.
Para que nunca nos esquecêssemos desta grande e importante verdade do evangelho de que Jesus se tornou da parte de Deus para nós, o nosso tudo, e que sem Ele nada somos ou podemos fazer para agradar a Deus, Jesus fixou a Ceia que deve ser regularmente observada pelos crentes, para que se lembrem de que o Seu corpo foi rasgado, assim como o pão que partimos na Ceia, e o Seu sangue foi derramado em profusão, conforme representado pelo vinho, para que tenhamos vida eterna por meio de nos alimentarmos dEle. Por isso somos ordenados a comer o pão, que representa o corpo de Jesus, que é verdadeiro alimento para o nosso espírito, e a beber o sangue de Jesus, que é verdadeira bebida para nos refrigerar e manter a Sua vida em nós.
Quando Ele disse que é o caminho e a verdade e a vida. Que a porta que conduz à vida eterna é estreita, e que o caminho é apertado. Tudo isto se aplica ao fato de que não há outra verdade, outro caminho, outra vida, senão a que existe somente por meio da fé nEle. A porta é estreita porque não admite uma entrada para vários caminhos e atalhos, que sendo diferentes dEle, conduzem à perdição. É estreito e apertado para que nunca nos desviemos dEle, o autor e consumador da nossa salvação.
Então o plano de salvação, na aliança de graça que foi feita, nada exige do homem, além da fé, pois tudo o que tiver que ser feito nele para ser transformado e firmado na graça, será realizado pelo autor da sua salvação, a saber, Jesus Cristo.
Tanto é assim, que para que tenhamos a plena convicção desta verdade, mesmo depois de sermos justificados, regenerados e santificados, percebemos, enquanto neste mundo, que há em nós resquícios do pecado, que são o resultado do que se chama de pecado residente, que ainda subsiste no velho homem, que apesar de ter sido crucificado juntamente com Cristo, ainda permanece em condições de operar em nós, ao lado da nova natureza espiritual e santa que recebemos na conversão.
Qual é a razão disso, senão a de que o Senhor pretende nos ensinar a enxergar que a nossa salvação é inteiramente por graça e mediante a fé? Que é Ele somente que nos garante a vida eterna e o céu. Se não fosse assim, não poderíamos ser salvos e recebidos por Deus porque sabemos que ainda que salvos, o pecado ainda opera em nossas vidas de diversas formas.
Isto pode ser visto claramente em várias passagens bíblicas e especialmente no texto de Romanos 7.
À luz desta verdade, percebemos que mesmo as enfermidades que atuam em nossos corpos físicos, e outras em nossa alma, são o resultado da imperfeição em que ainda nos encontramos aqui embaixo, pois Deus poderia dar saúde perfeita a todos os crentes, sem qualquer doença, até o dia da morte deles, mas Ele não o faz para que aprendamos que a nossa salvação está inteiramente colocada sobre a responsabilidade de Jesus, que é aquele que responde por nós perante Ele, para nos manter seguros na plena garantia da salvação que obtivemos mediante a fé, conforme o próprio Deus havia determinado justificar-nos somente por fé, do mesmo modo como fizera com Abraão e com muitos outros mesmo nos dias do Velho Testamento.
Nenhum crente deve portanto julgar-se sem fé porque não consegue vencer determinadas fraquezas ou pecados, porque enquanto se esforça para ser curado deles, e ainda que não o consiga neste mundo, não perderá a sua condição de filho amado de Deus, que pode usar tudo isto em forma de repreensão e disciplina, mas que jamais deixará ou abandonará a qualquer que tenha recebido por filho, por causa da aliança que fez com Jesus e na qual se interpôs com um juramento que jamais a anularia por causa de nossas imperfeições e transgressões.
Um crente verdadeiro odeia o pecado e ama a Jesus, mas sempre lamentará que não o ame tanto quanto deveria, e por não ter o mesmo caráter e virtudes que há em Cristo. Mas de uma coisa ele pode ter certeza: não foi por mérito, virtude ou boas obras que lhes foram exigidos a apresentar a Deus que ele foi salvo, mas simplesmente por meio do arrependimento e da fé nAquele que tudo fez e tem feito que é necessário para a segurança eterna da sua salvação.
É possível que alguém leia tudo o que foi dito nestes sete últimos parágrafos e não tenha percebido a grande verdade central relativa ao evangelho, que está sendo comentada neles, e que foi citada de forma resumida no primeiro deles, a saber:
“Então o plano de salvação, na aliança de graça que foi feita, nada exige do homem, além da fé, pois tudo o que tiver que ser feito nele para ser transformado e firmado na graça, será realizado pelo autor da sua salvação, a saber, Jesus Cristo.”
Nós temos na Palavra de Deus a confirmação desta verdade, que tudo é de fato devido à graça de Jesus, na nossa salvação, e que esta graça é suficiente para nos garantir uma salvação eterna, em razão do pacto feito entre Deus Pai e Deus Filho, que nos escolheram para esta salvação segura e eterna, antes mesmo da fundação do mundo, no qual Jesus e Sua obra são a causa dessa segurança eterna, pois é nEle que somos aceitos por Deus, nos termos da aliança firmada, em que o Pai e o Filho são os agentes da aliança, e os crentes apenas os beneficiários.
O pacto foi feito unilateralmente pelo Pai e o Filho, sem a consulta da vontade dos beneficiários, uma vez que eles nem sequer ainda existiam, e quando aderem agora pela fé aos termos da aliança, eles são convocados a fazê-lo voluntariamente e para o principal propósito de serem salvos para serem santificados e glorificados, sendo instruídos pelo evangelho que tudo o que era necessário para a sua salvação foi perfeitamente consumado pelo Fiador deles, nosso Senhor Jesus Cristo.
Então, preste atenção neste ponto muito importante, de que tanto é assim, que não é pelo fato de os crentes continuarem sujeitos ao pecado, mesmo depois de convertidos, que eles correm o risco de perderem a salvação deles, uma vez que a aliança não foi feita diretamente com eles, e consistindo na obediência perfeita deles a toda a vontade de Deus, mas foi feita com Jesus Cristo, para não somente expiar a culpa deles, como para garantir o aperfeiçoamento deles na santidade e na justiça, ainda que isto venha a ser somente completado integralmente no por vir, quando adentrarem a glória celestial.
A salvação é por graça porque alguém pagou inteiramente o preço devido para que fôssemos salvos – nosso Senhor Jesus Cristo.
E para que soubéssemos disso, Jesus não nos foi dado somente como Sacrifício e Sacerdote, mas também como Profeta e Rei.
Ele não somente é quem nos anuncia o evangelho pelo poder do Espírito Santo, e quem tudo revelou acerca dele nas páginas da Bíblia, para que não errássemos o alvo por causa da incredulidade, que sendo o oposto da fé, é a única coisa que pode nos afastar da possibilidade da salvação.
Em sua obra como Rei, Jesus governa os nossos corações, e nos submete à Sua vontade de forma voluntária e amorosa, capacitando-nos, pelo Seu próprio poder, a viver de modo agradável a Deus.
Agora, nada disso é possível sem que haja arrependimento. Ainda que não seja ele a causa da nossa salvação, pois, como temos visto esta causa é o amor, a misericórdia e a graça de Deus, manifestados em Jesus em nosso favor, todavia, o arrependimento é necessário, porque toda esta salvação é para uma vida santa, uma vida que lute contra o pecado, e que busque se revestir do caráter e virtudes de Jesus.
Então, não há salvação pela fé onde o coração permanece apegado ao pecado, e sem manifestar qualquer desejo de viver de modo santo para a glória de Deus.
Desde que haja arrependimento não há qualquer impossibilidade para que Deus nos salve, nem mesmo os grosseiros pecados da geração atual, que corre desenfreadamente à busca de prazeres terrenos, e completamente avessa aos valores eternos e celestiais.
Ainda que possa parecer um paradoxo, haveria até mais facilidade para Deus salvar a estes que vivem na iniquidade porque a vida deles no pecado é flagrante, e pouco se importam em demonstrar por um viver hipócrita, que são pessoas justas e puras, pois não estão interessadas em demonstrar a justiça própria do fariseu da parábola de Jesus, para que através de sua falsa religiosidade, e autoengano, pudessem alcançar algum favor da parte de Deus.
Assim, quando algum deles recebe a revelação da luz que há em Jesus, e das grandes trevas que dominam seu coração, o trabalho de convencimento do Espírito Santo é facilitado, e eles lamentam por seus pecados e fogem para Jesus para obterem a luz da salvação. E ele os receberá, e a nenhum deles lançará fora, conforme a Sua promessa, porque o ajuste feito para a sua salvação exige somente o arrependimento e a fé, para a recepção da graça que os salvará.
Deus mesmo é quem provê todos os meios necessários para que permaneçamos firmes na graça que nos salvou, de maneira que jamais venhamos a nos separar dele definitivamente.
Ele nos fez coparticipantes da Sua natureza divina, no novo nascimento operado pelo Espírito Santo, de modo que uma vez que uma natureza é atingida, ela jamais pode ser desfeita. Nós viveremos pela nova criatura, ainda que a velha venha a se dissolver totalmente, assim como está ordenado que tudo o que herdamos de Adão e com o pecado deverá passar, pois tudo é feito novo em Jesus, em quem temos recebido este nosso novo ser que se inclina em amor para Deus e para todas as coisas de Deus.
Ainda que haja o pecado residente no crente, ele se encontra destronado, pois quem reina agora é a graça de Jesus em seu coração, e não mais o pecado. Ainda que algum pecado o vença isto será temporariamente, do mesmo modo que uma doença que se instala no corpo é expulsa dele pelas defesas naturais ou por algum medicamento potente. O sangue de Jesus é o remédio pelo qual somos sarados de todas as nossas enfermidades. E ainda que alguma delas prevaleça neste mundo ela será totalmente extinta quando partirmos para a glória, onde tudo será perfeito.
Temos este penhor da perfeição futura da salvação dado a nós pela habitação do Espírito Santo, que testifica juntamente com o nosso espírito que somos agora filhos de Deus, não apenas por ato declarativo desta condição, mas de fato e de verdade pelo novo nascimento espiritual que nos foi dado por meio da nossa fé em Jesus.
Toda esta vida que temos agora é obtida por meio da fé no Filho de Deus que nos amou e se entregou por nós, para que vivamos por meio da Sua própria vida. Ele é o criador e o sustentador de toda a criação, inclusive desta nova criação que está realizando desde o princípio, por meio da geração de novas criaturas espirituais para Deus por meio da fé nEle.
Ele pode fazê-lo porque é espírito vivificante, ou seja, pode fazer com que nova vida espiritual seja gerada em quem Ele assim o quiser. Ele sabe perfeitamente quais são aqueles que atenderão ao chamado da salvação, e é a estes que Ele se revela em espírito para que creiam nEle, e assim sejam salvos.
Bem-aventurados portanto são:
Os humildes de espírito que reconhecem que nada possuem em si mesmos para agradarem a Deus.
Os mansos que se submetem à vontade de Deus e que se dispõem a cumprir os Seus mandamentos.
Os que choram por causa de seus pecados e todo o pecado que há no mundo, que é uma rebelião contra o Criador.
Os misericordiosos, porque dão por si mesmos o testemunho de que todos necessitam da misericórdia de Deus para serem perdoados.
Os pacificadores, e não propriamente pacifistas que costumam anular a verdade em prol da paz mundial, mas os que anunciam pela palavra e suas próprias vidas que há paz de reconciliação com Deus somente por meio da fé em Jesus.
Os que têm fome e sede de justiça, da justiça do reino de Deus que não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Os que são perseguidos por causa do evangelho, porque sendo odiados sem causa, perseveram em dar testemunho do Nome e da Palavra de Jesus Cristo.
Vemos assim que ser salvo pela graça não significa: de qualquer modo, de maneira descuidada, sem qualquer valor ou preço envolvido na salvação. Jesus pagou um preço altíssimo e de valor inestimável para que pudéssemos ser redimidos. Os termos da aliança por meio da qual somos salvos são todos bem ordenados e planejados para que a salvação seja segura e efetiva. Há poderes sobrenaturais, celestiais, espirituais envolvidos em todo o processo da salvação.        
É de uma preciosidade tão grande este plano e aliança que eles devem ser eficazes mesmo quando não há naqueles que são salvos um conhecimento adequado de todas estas verdades, pois está determinado que aquele que crê no seu coração e confessar com os lábios que Jesus é o Senhor e Salvador, é tudo quanto que é necessário para um pecador ser transformado em santo e recebido como filho adotivo por Deus.
O crescimento na graça e no conhecimento de Jesus são necessários para o nossos aperfeiçoamento espiritual em progresso da nossa santificação, mas não para a nossa justificação e regeneração (novo nascimento) que são instantâneos e recebidos simultaneamente no dia mesmo em que nos convertemos a Cristo. Quando fomos a Ele como nos encontrávamos na ocasião, totalmente perdidos  e mortos em transgressões e pecados.
E fomos recebidos porque a palavra da promessa da aliança é que todo aquele que crê será salvo, e nada mais é acrescentado a ela como condição para a salvação.
É assim porque foi este o ajuste que foi feito entre o Pai e o Filho na aliança que fizeram entre si para que fôssemos salvos por graça e mediante a fé.
Jesus é pedra de esquina eleita e preciosa, que o Pai escolheu para ser o autor e o consumador da nossa salvação. Ele foi eleito para a aliança da graça, e nós somos eleitos para recebermos os benefícios desta aliança por meio da fé nAquele a quem foram feitas as promessas de ter um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas obras.
Então quando somos chamados de eleitos na Bíblia, isto não significa que Deus fez uma aliança exclusiva e diretamente com cada um daqueles que creem, uma vez que uma aliança com Deus para a vida eterna demanda uma perfeita justiça e perfeita obediência a Ele, sem qualquer falha, e de nós mesmos, jamais seríamos competentes para atender a tal exigência, de modo que a aliança poderia ter sido feita somente com Jesus.
Somos aceitos pelo Pai porque estamos em Jesus, e assim é por causa do Filho Unigênito que somos também recebidos. Jamais poderíamos fazê-lo diretamente sem ter a Jesus como nosso Sumo Sacerdote e Sacrifício. Isto é tipificado claramente na Lei, em que nenhum ofertante ou oferta seriam aceitos por Deus sem serem apresentados pelo sacerdote escolhido por Deus para tal propósito. Nenhum outro Sumo Sacerdote foi designado pelo Pai para que pudéssemos receber uma redenção e aproximação eternas, senão somente nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que Ele escolheu para este ofício.


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Em que Consiste o Pecado



Muito se fala do pecado sem se levar em conta no que ele consiste de fato. Não podemos combater adequadamente um inimigo que não conheçamos. Então é preciso saber qual é a origem e a natureza do pecado e a sua forma de agir na humanidade para que o vencendo possamos viver de modo agradável a Deus.
Para o nosso presente propósito, não basta ir ao relato de como o pecado entrou no mundo através do primeiro casal criado, atendo-nos apenas aos fatos relacionados à narrativa da Queda, sobretudo quanto à maneira desta entrada mediante tentação vindo do exterior da parte de Satanás sobre a mulher. É preciso entender o mecanismo de operação desta tentação naquela ocasião, uma vez que ela ocorreu quando a mulher era inocente, não conhecia nem bem e nem mal, não sendo portanto ainda uma pecadora, e no entanto, pela tentação, teve o desejo de praticar algo que lhe havia sido proibido por Deus.
Poderia este desejo, sem a consumação do ato, ser considerado como sendo a própria entrada do pecado? Em caso contrário, o que seria necessário haver também para que assim fosse considerado?
Por que desde aquele primeiro pecado, toda a descendência de Adão ficou encerrada no pecado? Por que o pecado permanece ligado à natureza dos próprios crentes, mesmo depois da conversão deles?
Por que o pecado desagrada tanto a Deus que como consequência produz a morte?
Estas e outras perguntas, procuraremos responder nas linhas a seguir.
Antes de apresentar qualquer consideração específica ao caso, é importante destacar que o único ser que possui vontade absoluta, gerada em si mesmo, e sempre perfeita e aprovada, é Deus, cuja vontade é o modelo de toda vontade também aprovada. Esta é a razão de Ele não poder ser tentado ao mal, e a ninguém tentar. Sua vontade é santíssima e perfeitamente justa. Mas no caso dos homens e até mesmo dos anjos, cuja vontade é a de uma criatura, sendo dotados de vontade livre, estão contingenciados a submeterem suas vontades à de Deus naqueles pontos em que o exercício da própria vontade deles colidisse com esta vontade divina. Eles são livres para pensar, imaginar, agir, criar, mas tudo dentro de uma esfera que não ultrapasse os limites que lhes são determinados por Deus, quer na lei natural impressa em suas consciências, quer na lei moral revelada em Sua Palavra, a qual é também impressa nas mentes e corações dos crentes.
Temos assim, desde o início da criação, um campo aberto para um possível conflito de vontades. Deus por um lado agindo pelo Espírito Santo buscando nos mover à negação do ego para fazer não a nossa, mas a Sua vontade, e o nosso ego querendo fazer algo que possa ser eventualmente diferente daquilo que Deus determina para que façamos ou deixemos de fazer.
Neste ponto, podemos entender que a proposta de Satanás para Eva no paraíso, buscava estimular e despertar desejos e sentimentos em Eva para que a sua vontade fosse conduzida pela do diabo, e não pela de Deus.
Se ao sentir-se inclinada à desobediência ela tivesse recorrido à graça divina, clamando por ajuda para rejeitar a tentação e permanecer obediente, a fé teria triunfado em sua confiança no Senhor e sujeição a ele, e em vez de um ato pecaminoso, haveria um motivo para Deus ser glorificado. E isto ocorreria todas as vezes em que ao ser tentado a fazer algo diferente do que havia sido determinado por Deus, o homem escolhesse obedecer à Sua Palavra, e não aos desejos criados em seus pensamentos e imaginação.
Podemos tirar assim a primeira grande conclusão em ralação ao que seja o pecado, de que não se trata de algo corpóreo, ainda que invisível, com existência própria e poder inteligente para nos influenciar, mas é algo decorrente de nossas próprias inclinações, desejos e más escolhas, especialmente quando não nos permitimos ser dirigidos e instruídos por Deus, e não nos exercitamos em sujeitar todas as nossas faculdades a Ele para agir conforme a Sua santa, boa, perfeita e agradável vontade.
É pelo desconhecimento desta verdade que muitos crentes caminham de forma desordenada, uma vez que tendo aprendido que a aliança da graça foi feita entre Deus Pai e Deus Filho, e que são salvos exclusivamente por meio da fé, que então não importa como vivam uma vez que já se encontram salvos das consequências mortais do pecado.
Ainda que isto seja verdadeiro, é apenas uma das faces da moeda da salvação, que nos trazendo justificação e regeneração instantaneamente pela graça, mediante a fé, no momento mesmo da nossa conversão inicial, todavia, possui uma outra face que é a relativa ao propósito da nossa justificação e regeneração, a saber, para sermos santificados pelo Espírito Santo, mediante implantação da Palavra em nosso caráter. Isto tem a ver com a mortificação diária do pecado, e o despojamento do velho homem, por um andar no Espírito, pois de outra forma, não é possível que Deus seja glorificado através de nós e por nós. Não há vida cristã vitoriosa sem santificação, uma vez que Cristo nos foi dado para o propósito mesmo de se vencer o pecado, por meio de um viver santificado.
O homem, tendo sido criado em um estado tão santo e glorioso, foi colocado no Paraíso, que era sua residência. 
No meio deste Jardim do Éden estava a árvore da vida, que não consideramos pertencer a uma certa espécie, mas era uma árvore singular na natureza. E do chão fez o Senhor Deus crescer todas as árvores ... a árvore da vida também no meio do jardim ”(Gênesis 2: 9). Portanto, essa árvore não foi encontrada em outros locais.
No Paraíso, havia também a árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás (Gn 2:17; 3: 3). Como lá havia apenas uma árvore da vida; portanto, havia apenas uma árvore do conhecimento do bem e do mal. Não se afirma que isto se refere ao tipo de árvore, mas ao número. É simplesmente referido como "a árvore". A razão para esse nome pode ser deduzido do próprio nome.
(1) Era uma árvore probatória pela qual Deus desejava provar ao homem se ele perseveraria em fazer o bem ou se ele cairia no mal, como se encontra em 2 Crônicas 32:31: “... Deus o deixou, para julgá-lo, para que ele pudesse saber tudo que estava em seu coração."
(2) O homem, ao comer desta árvore, saberia em que condição pecaminosa e triste ele tinha trazido a si mesmo.
O Senhor colocou Adão e Eva neste jardim para cultivá-lo e guardá-lo (Gn 2:15). 
O sábado era a exceção, pois então ele era obrigado a descansar e a se abster de trabalhar de acordo com o exemplo que seu Criador lhe dera e ordenara que ele imitasse.
Assim, Adão tinha todas as coisas em perfeição e para deleite do corpo e da alma. Se ele tivesse perseverado perfeitamente durante seu período de estágio, ele, sem ver nenhuma morte, teria sido conduzido ao terceiro céu, para a glória eterna. Embora o corpo tivesse sido construído a partir de elementos materiais, sua condição era tal que era capaz de estar em união essencial com a alma imortal e capaz de existir sem nunca estar sujeito a doença ou morte.
Se ele não tivesse pecado, o homem não teria morrido, mas teria subido ao céu com corpo e alma. Isso pode ser facilmente deduzido do fato de que Enoque, mesmo depois da entrada do pecado no mundo, foi arrebatado ao terceiro céu, sem passar pela morte, em razão de ter andado com Deus.
O Homem Foi Criado para Desfrutar Eternamente de Felicidade
Deus criou assim Adão - e nele a natureza humana em todas as suas dimensões, assim como todos os homens criados nele - de uma maneira gloriosa e imortal. Ele habilmente preparou seu corpo para ele e prometeu a ele a vida eterna. Insistimos que Deus criou todos os homens em Adão para o desfrute de felicidade, e esse próprio homem deve ser responsabilizado por sua condenação.
Tanto isto é verdadeiro, que Deus chegou ao ponto de nos dar o Seu Filho Unigênito amado para que pudéssemos atingir este objetivo da felicidade eterna.
Aqui percebemos a natureza abominável do pecado, enquanto o homem, sendo dotado de faculdades tão excelentes para estar unido ao Seu Criador com tantos laços de amor, partiu dEle, e O desprezou e O rejeitou.
Ele agiu para que o Criador não o dominasse, mas que pudesse ser seu próprio senhor e viver de acordo com a sua própria vontade.
Aqui brilha a incompreensível bondade e sabedoria de Deus, na medida em que reconcilia tais seres humanos maus consigo mesmo novamente através do mediador Jesus Cristo. Ele fez com que este mediador viesse de Adão como santo, tendo a mesma natureza que pecara, para suportar a punição do pecado do próprio homem e, assim, cumprir toda a justiça. Tais seres humanos, Ele novamente adota como Seus filhos e toma para Si em felicidade eterna. A Ele seja dado eterno louvor e honra por isso. Amém.
Eva foi seduzida a comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ela não foi coagida, mas o fez por vontade própria. 
Além disso, Adão não foi o primeiro a ser enganado, nem foi enganado pela serpente, mas como o apóstolo declara em 1 Tim 2:14, por uma Eva enganada - e, portanto, subsequente a ela. Estou convencido de que, se Adão permanecesse de pé, Eva teria suportado o castigo sozinha. Como Adão também pecou, ​​no entanto, toda a natureza humana, toda a raça humana, tornou-se culpada, como Paulo disse: "Portanto, como por um homem o pecado entrou no mundo ..." (Romanos 5:12). Ele não apenas se refere ao pecado de Eva, mas ao pecado de toda a raça humana, que é total e inteiramente encerrada em Adão e Eva, que eram um em virtude de seu casamento. Em vez disso, ele se refere especificamente ao pecado de Adão, que foi o primeiro homem, a primeira e única fonte, tanto de Eva como de toda a raça humana.
Entenda-se este ato de ter sido encerrado por Deus no pecado, não como se Deus tivesse feito a cada um de nós pecadores, ou então que tivesse transferido para nós o pecado praticado por Adão, mas como a consideração e imputação de culpa a toda a humanidade, e sujeição à maldição da condenação pela morte, uma vez que não haveria quem não pecasse, já que o homem revelou desde Adão que de um modo ou de outro faria um uso indevido de sua vontade, opondo-se a Deus.
O pecado inicial não pode ser encontrado no ato externo, nas emoções, afetos e inclinações, nem na vontade. Em uma natureza perfeita, vontade e emoções estão sujeitos ao intelecto, pois não precedem o intelecto em sua função, mas são uma consequência do mesmo.
O pecado inicial deve ser buscado no intelecto, que por meio de raciocínio enganoso foi levado a concluir que eles não morreriam e que havia um poder inerente àquela árvore para torná-los sábios, uma sabedoria que eles poderiam desejar sem serem culpados de pecado. Essa árvore tinha o nome de conhecimento, que era desejável para eles. Mas também trazia o nome de bem e mal, mesmo que estivesse escondido deles quanto ao que era compreendido na palavra mal. A serpente usa esse nome como se grandes questões estivessem ocultas nessas palavras. Como o intelecto se concentrou mais na conveniência de se tornar sábio quanto a árvore pela qual, como meio ou causa, essa sabedoria poderia ser transmitidos a eles, a intensa e viva consciência da proibição de não comer e da ameaça de morte tendem a diminuir. A faculdade de julgamento, sugerindo que seria desejável comer dessa árvore, despertou a inclinação de adquirir sabedoria dessa maneira. Além disso, havia o fato de que ... a mulher viu que a árvore era boa para comer, e agradável aos olhos” (Gn 3: 6).
A decepção do intelecto não foi consequência da natureza da árvore e de seus frutos, mas devido às palavras da serpente e as palavras da mulher para Adão. Assim, foi tomada por verdadeira a palavra da serpente, e depois a da mulher, em vez da Palavra de Deus. Portanto, o primeiro pecado foi a fé na serpente, acreditando que eles não morreriam, mas, em vez disso, adquiririam sabedoria. 
O ato implicava uma descrença em Deus que havia ameaçado a morte ao comer dessa árvore. Assim Eva em virtude da incredulidade tornou-se desobediente, estendeu a mão e comeu. Ao fazer isso, ela creu na serpente e foi enganada, este pecado é denominado como tal em 1 Tim 2:14 e 2 Cor 11: 3. 
Da mesma maneira, ela seduziu Adão. Portanto, o primeiro pecado não era orgulho, isto é, ser igual a Deus, também não rebelião, desobediência ou apetite injustificado, mas incredulidade.
Não crer na palavra de Deus, não dar a devida observância a ela e não praticá-la, é tudo consequente de incredulidade, e este é o pecado principal do qual os demais se originam, pois o justo viverá por sua fé, e por esta fé é possível até mesmo confessar-se culpado, arrepender-se e converter-se a Deus, e tudo isto sucede por conta de se dar crédito às ameaças de Deus contra o pecado.
Assim, Tiago se refere a isto nos seguintes termos:
13 Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.
14 Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.
15 Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” (Tiago 1.13-15)
Sem entrar em maiores considerações sobre todo o mecanismo como o pecado atua, o apóstolo o resume como sendo algo gerado pelo próprio desejo do homem contrário à vontade de Deus, que neste estágio, ainda não é necessariamente o pecado em si, mas o que é gerado depois em atos, palavras, omissões e até mesmo em geração de sentimentos impuros, perversos, odiosos etc.
Quando o desejo é obstruído pela renúncia ao mesmo através da sujeição à graça de Deus, pela confissão, oração etc, o pecado não é consumado, mas quando permitirmos que este desejo avance para um condição em que o estado da alma se torne ruim, afastando-nos da comunhão com Deus, então o pecado já se encontra em operação, mesmo que não seja praticado.
É aqui que podemos compreender a recomendação apostólica do “irai-vos e não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira”, para denotar que nem toda manifestação de ira é pecaminosa em sua origem, desde que seja neutralizada pelo retorno à tranquilidade de mente e coração, sem se guardar qualquer tipo de ressentimento contra o objeto que deu causa à nossa ira.
Concluímos, que o pecado sempre jaz à porta, ele sempre nos assedia bem de perto, conforme afirmam as Escrituras, pois o intelecto sempre é solicitado de uma forma ou de outra, por tentações internas ou externas, a despertar a vontade e desejos pecaminosos, que se não forem resistidos por meio da graça, sempre prevalecerão.
Daí nos ser ordenado a vigiar e orar incessantemente, porque a carne é fraca. A andarmos continuamente no Espírito Santo para podermos vencer as obras da carne, e não ceder às tentações.
É por meio de uma vida santificada que nos tornamos fortes para resistir ao pecado, pois eliminá-lo de uma vez por todas enquanto andamos neste mundo, equivaleria a remover de nós toda a liberdade que temos de escolher livremente o que fazer e o que não fazer. De modo que se não nos negarmos, se não sujeitarmos a nossa vontade à de Deus, seguindo o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo, jamais poderemos ter um caminhar vitorioso neste mundo.
40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?
41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
42 Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.” (Mateus 26.40-42)
Quando nosso Senhor foi conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo, Ele foi solicitado a transformar pedras em pães porque era grande a sua fome no final do jejum de quarenta dias e noites. O diabo vislumbrou nEle este desejo por comida, e então reforçou o desejo por meio de tentação dizendo-lhe que se era de fato o Filho de Deus, poderia transformar pedras em pães. Se Ele o fizesse, teria pecado porque estava sob o comando total do Espírito Santo e somente poderia fazer o que lhe fosse ordenado pelo Pai. Nada poderia fazer por seu próprio poder, ao qual deveria renunciar em seu ministério terreno, para ser obediente não como Deus, mas como homem, segundo a instrução do Espírito Santo. O desejo de comer não era em si pecaminoso, mas a ordem era que somente quebrasse o jejum quando lhe fosse permitido pelo Pai. Assim, Jesus renunciou ao desejo, porque nem só de pão material vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. O desejo não foi consumado e portanto não houve pecado, mas uma obediência pela qual Deus foi glorificado.
O mesmo sucede conosco sempre que somos solicitados pelo nosso intelecto a fazer o que nos seja vedado pela Palavra de Deus. Se renunciarmos à nossa própria vontade para fazer a do Senhor, então somos aprovados e nisto Ele é glorificado.
Assim, qualquer tentação específica traz em si mesma o potencial para a nossa ruína, ou para a glória de Deus, em caso de desobediência ou obediência, respectivamente.
“Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14.26,27).
A cruz representa o ato de sacrificarmos a nossa própria vontade para escolher fazer a de Deus.
“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14.33)
O fato de que Deus desde a eternidade conheceu a queda, decretando que permitiria que ocorresse, não é apenas confirmado pelas doutrinas de sua onisciência e decretos, mas também pelo fato de que Deus desde a eternidade tem ordenado um Redentor para o homem, para libertá-lo do pecado: o Senhor Jesus Cristo, a quem Pedro chama de Cordeiro, “que em verdade foi predestinado antes da fundação do mundo” (1 Pedro 1:20).
O pecado causa a morte eterna mas o seu efeito pode ser revertido por meio da fé em Jesus Cristo. A Lei de Deus que opera segundo a Sua justiça, é implacável e amaldiçoa a todo aquele que vier a transgredir a qualquer dos seus mandamentos. Mas o amor, a misericórdia, a longanimidade e bondade de Deus dão ao pecador a oportunidade de se voltar para Ele, através do arrependimento e da fé, pois o próprio Deus proveu uma aliança com o Filho, através da qual pode adotar pecadores como filhos amados, para serem tornados santos por Ele, prometendo-lhes conduzi-los à perfeição total quando eles partirem para a glória celestial, assim como havia feito nos próprios dias do Velho Testamento, dando inclusive um novo corpo perfeito e glorificado a Enoque e a Elias. Mas todos os espíritos dos que nEle creram foram transladados em perfeição para o mesmo céu de glória.
Deus nos ensina, quando nele cremos, que a sua graça é suficiente e poderosa para nos firmar em santidade, pois na nossa própria experiência conhecemos que quanto mais nos consagramos a Ele, mais somos fortalecidos pela graça para resistir e vencer o pecado, inclusive o que procura se levantar em nossa própria natureza terrena. Por isso temos recebido em Cristo uma nova natureza, ao lado da antiga, para subjugar esta última, pois a nova natureza é celestial, espiritual, divina e santa, e sempre nos inclina para aquilo que é de Deus e que é conforme a Sua santa vontade.
É por uma caminhada constante no Espírito Santo, mediante a prática da Palavra, que somos tornados cada vez mais espirituais e menos inclinados para a carne que não é sujeita à lei de Deus e nem mesmo pode ser.
Mas é de tal ordem a bondade e misericórdia que Deus nos tem concedido por meio da aliança da graça em Cristo, que mesmo aqueles que não tenham feito grande progresso em santificação têm a condenação eterna anulada por causa da união deles com Jesus, por meio de quem receberam um novo nascimento espiritual para pertencerem a Ele. Não serão jamais lançados fora conforme a Sua promessa, porque isto seria a negação da verdade de que foram de fato salvos por pura graça e não por mérito, virtude ou obras deles mesmos.
8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
9 Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;
11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
13 Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.
14 Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.
15 Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.
16 O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.
17 Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.
18 Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.
19 Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.
20 Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça,
21 a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.(Rm 5:8-21).
Temos declarado aqui pelo apóstolo o fundamento do modo da nossa salvação do pecado e de suas consequências eternas.
Deus nos trata conforme a cabeça da raça sob a qual nos encontramos: se apenas em Adão, estamos condenados pela sentença que foi lavrada sobre ele e todos aqueles que viriam a ser da sua descendência; mas se estamos sob a cabeça de Cristo, recebemos um novo nascimento e somos ligados espiritualmente a Ele, e não somos apenas livrados da sentença que tínhamos sob Adão, pois somos considerados por Deus como tendo morrido juntamente com Cristo, como também somos conduzidos à vida eterna, pelo poder da justificação e da ressurreição, que o próprio Cristo experimentou, para que fosse também comunicado aos que estão unidos a Ele pela fé.
Todos os homens, tendo pecado em Adão, são roubados da imagem de Deus, então todo homem nasce vazio de luz espiritual, amor, verdade, vida e santidade.
Então ao se analisar o que seja o pecado não se deve simplesmente pensar nas ações pecaminosas que são resultantes do princípio que opera na natureza caída, mas nas consequências de estarmos sem Cristo, e por conseguinte destituídos da graça de Deus.
Pois ainda que alguém que não pertença a Cristo, estivesse isolado em um lugar ermo, e sem pensamentos pecaminosos ou possibilidade de ser tentado a pecar, ainda assim, esta pessoa estaria morta espiritualmente, em completa ignorância de Deus e da Sua vontade santa, sem a possibilidade de ter comunhão com Ele, e portanto ter paz, alegria e vida espiritual e participação em todas as virtudes de Cristo, pois é esta a condição do homem natural sem Cristo.
Pela entrada do pecado no mundo, em razão da incredulidade, é somente por meio da fé que Deus pode se manifestar e habitar no interior do homem.
A justiça de Deus exige que todo aquele que se aproxima dele para ter comunhão com ele, seja também justo. E como poderia o pecador, destituído totalmente da justiça divina se aproximar dEle, senão por meio dAquele que foi dado por Deus a ele para tal aproximação por meio da fé?
Toda glória e santidade estão ausentes no homem. "Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3:23).
"Pois sei que em mim (isto é, na minha carne) não habita nada de bom" (Rm 7:18); "... morto em ofensas e pecados" (Ef 2: 1); "Tendo o entendimento obscurecido, alienado da vida de Deus" (Ef 4:18).
A imagem de Deus é restaurada na regeneração. Tudo o que foi restaurado foi uma vez perdido, e o que quer que seja dado não estava em posse anteriormente. E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;” (Cl 3:10); no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.” (Ef 4: 22-24).
Ao nos dar Cristo, Deus resolve o problema do pecado pela raiz, porque não trata conosco no varejo de nossas transgressões, mas destrói a fábrica de veneno para que dali não saiam mais produtos venenosos, pois a corrupção herdada também consiste em uma propensão ao pecado. O pecado original não consiste apenas na ausência da justiça original, mas também na posse de uma propensão ao contrário à justiça. A falta de ação da graça divina no coração do pecador é o que faz com que seja avesso à vontade de Deus, e busque seguir a sua própria vontade. É a graça somente quem pode transformar o nosso coração de pedra insensível a Deus, por um coração de carne sensível a Ele.
Então, pela própria entrada do pecado no mundo, podemos ser ensinados por Deus que não podemos viver de modo agradável a Ele se não nos submetermos inteiramente a Cristo, para que possamos receber graça sobre graça, que é a única maneira de sermos mantidos firmes na fé e em santidade na Sua presença.
11 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,
12 educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,
13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,
14 o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tito 2.11-14).
De modo que o maior pecado que uma pessoa pode cometer além da sua condição natural pecaminosa é o de rejeitar a graça que lhe está sendo oferecida em Cristo para ser curada do pecado e de suas consequências, e a principal delas que é a morte espiritual e eterna.
O pecado e a morte que é consequente dele devem ser combatidos com a vida de Jesus, e é em razão disso que Ele sempre destacou em seu ministério terreno que a principal coisa que temos a fazer é crer nEle, e disso os apóstolos e todos nós fomos encarregados para dar testemunho desta verdade.
27 Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.
28 Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus?
29 Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.
30 Então, lhe disseram eles: Que sinal fazes para que o vejamos e creiamos em ti? Quais são os teus feitos?
31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu.
32 Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá.
33 Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.
34 Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
35 Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
36 Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes.
37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.
38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.
39 E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.
40 De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
41 Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
42 E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu?
43 Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
45 Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim.
46 Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto.
47 Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
48 Eu sou o pão da vida.
49 Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.
50 Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça.
51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.
52 Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?
53 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.
54 Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
55 Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.
56 Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.
57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá.
58 Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente.
59 Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.
60 Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
61 Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza?
62 Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?
63 O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.
64 Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair.
65 E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.
66 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.
67 Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?
68 Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;
69 e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.” (João 6.27-69).
Não podemos considerar devidamente o pecado à parte de Jesus, pois Ele não se manifestou apenas para que deixássemos de fazer o que é errado para fazer o que é certo, mas para que tivéssemos vida em abundância e santa, para que pudéssemos estar em comunhão com Deus, sendo coparticipantes da Sua natureza divina, condição esta que foi perdida por Adão, e por ele, toda a sua descendência.
Muitas outras considerações podem ser feitas sobre o que seja o pecado e o modo como ele opera, e também o modo como podemos alcançar a vitória sobre o pecado por meio da fé, mas entendemos que as considerações que foram apresentadas são suficientes para o objetivo de conhecermos melhor este inimigo, que não sendo vencido pode interromper a nossa comunhão com Deus.






APÊNDICE:
O Evangelho que nos Leva a Obter a Salvação
Há somente um evangelho pelo qual podemos ser verdadeiramente salvos. Ele se encontra revelado na Bíblia, e especialmente nas páginas do Novo Testamento. Mas, por interpretações incorretas é possível até mesmo transformá-lo em um meio de perdição e não de salvação, conforme tem ocorrido especialmente em nossos dias, em que as verdades fundamentais do evangelho de Jesus Cristo têm sido adulteradas ou omitidas.
Isto nos levou a tomar a iniciativa de apresentar a seguir, de forma resumida, em que consiste de fato o evangelho da nossa salvação.
Em primeiro lugar, antes de tudo, é preciso entender que somos salvos exclusivamente com base na aliança de graça que foi feita entre Deus Pai e Deus Filho, antes mesmo da criação do mundo, para que nas diversas gerações de pessoas que seriam trazidas por eles à existência sobre a Terra, houvesse um chamado invisível, sobrenatural, espiritual, para serem perdoadas de seus pecados, justificadas, regeneradas (novo nascimento espiritual), santificadas e glorificadas. E o autor destas operações transformadoras seria o Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade divina.
Estes que seriam chamados à conversão, o seriam pelo meio de atração que seria feita por Deus Pai, trazendo-os a Deus Filho, de modo que pela simples fé em Jesus Cristo, pudessem receber a graça necessária que os redimiria e os transportaria das trevas para a luz, do poder de Satanás para o de Deus, e que lhes transformaria em filhos amados e aceitos por Deus.
Como estes que foram redimidos se encontravam debaixo de uma sentença de maldição e condenação eternas, em razão de terem transgredido a lei de Deus, com os seus pecados, para que fossem redimidos seria necessário que houvesse uma quitação da dívida deles para com a justiça divina, cuja sentença sobre eles era a de morte física e espiritual eternas. 
Havia a necessidade de um sacrifício, de alguém idôneo que pudesse se colocar no lugar do homem, trazendo sobre si os seus pecados e culpa, e morrendo com o derramamento do seu sangue, porque a lei determina que não pode haver expiação sem que haja um sacrifício sangrento substitutivo.
Importava também que este Substituto de pecadores, assumisse a responsabilidade de cobrir tudo o que fosse necessário em relação à dívida de pecados deles, não apenas a anterior à sua conversão, como a que seria contraída também no presente e no futuro, durante a sua jornada terrena.
Este Substituto deveria ser perfeito, sem pecado, eterno, infinito, porque a ofensa do pecador é eterna e infinita. Então deveria ser alguém divino para realizar tal obra.
Jesus, sendo Deus, se apresentou na aliança da graça feita com o Pai, para ser este Salvador, Fiador, Garantia, Sacrifício, Sacerdote, para realizar a obra de redenção.
O homem é fraco, dado a se desviar, mas a sua chamada é para uma santificação e perfeição eternas. Como poderia responder por si mesmo para garantir a eternidade da segurança da salvação?
Havia necessidade que Jesus assumisse ao lado da natureza divina que sempre possuiu, a natureza humana, e para tanto ele foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria.
Ele deveria ter um corpo para ser oferecido em sacrifício. O sangue da nossa redenção deveria ser o de alguém que fosse humano, mas também divino, de modo que se pode até mesmo dizer que fomos redimidos pelo sangue do próprio Deus.
Este é o fundamento da nossa salvação. A morte de Jesus em nosso lugar, de modo a nos abrir o caminho para a vida eterna e o céu.
Para que nunca nos esquecêssemos desta grande e importante verdade do evangelho de que Jesus se tornou da parte de Deus para nós, o nosso tudo, e que sem Ele nada somos ou podemos fazer para agradar a Deus, Jesus fixou a Ceia que deve ser regularmente observada pelos crentes, para que se lembrem de que o Seu corpo foi rasgado, assim como o pão que partimos na Ceia, e o Seu sangue foi derramado em profusão, conforme representado pelo vinho, para que tenhamos vida eterna por meio de nos alimentarmos dEle. Por isso somos ordenados a comer o pão, que representa o corpo de Jesus, que é verdadeiro alimento para o nosso espírito, e a beber o sangue de Jesus, que é verdadeira bebida para nos refrigerar e manter a Sua vida em nós.
Quando Ele disse que é o caminho e a verdade e a vida. Que a porta que conduz à vida eterna é estreita, e que o caminho é apertado. Tudo isto se aplica ao fato de que não há outra verdade, outro caminho, outra vida, senão a que existe somente por meio da fé nEle. A porta é estreita porque não admite uma entrada para vários caminhos e atalhos, que sendo diferentes dEle, conduzem à perdição. É estreito e apertado para que nunca nos desviemos dEle, o autor e consumador da nossa salvação.
Então o plano de salvação, na aliança de graça que foi feita, nada exige do homem, além da fé, pois tudo o que tiver que ser feito nele para ser transformado e firmado na graça, será realizado pelo autor da sua salvação, a saber, Jesus Cristo.
Tanto é assim, que para que tenhamos a plena convicção desta verdade, mesmo depois de sermos justificados, regenerados e santificados, percebemos, enquanto neste mundo, que há em nós resquícios do pecado, que são o resultado do que se chama de pecado residente, que ainda subsiste no velho homem, que apesar de ter sido crucificado juntamente com Cristo, ainda permanece em condições de operar em nós, ao lado da nova natureza espiritual e santa que recebemos na conversão.
Qual é a razão disso, senão a de que o Senhor pretende nos ensinar a enxergar que a nossa salvação é inteiramente por graça e mediante a fé? Que é Ele somente que nos garante a vida eterna e o céu. Se não fosse assim, não poderíamos ser salvos e recebidos por Deus porque sabemos que ainda que salvos, o pecado ainda opera em nossas vidas de diversas formas.
Isto pode ser visto claramente em várias passagens bíblicas e especialmente no texto de Romanos 7.
À luz desta verdade, percebemos que mesmo as enfermidades que atuam em nossos corpos físicos, e outras em nossa alma, são o resultado da imperfeição em que ainda nos encontramos aqui embaixo, pois Deus poderia dar saúde perfeita a todos os crentes, sem qualquer doença, até o dia da morte deles, mas Ele não o faz para que aprendamos que a nossa salvação está inteiramente colocada sobre a responsabilidade de Jesus, que é aquele que responde por nós perante Ele, para nos manter seguros na plena garantia da salvação que obtivemos mediante a fé, conforme o próprio Deus havia determinado justificar-nos somente por fé, do mesmo modo como fizera com Abraão e com muitos outros mesmo nos dias do Velho Testamento.
Nenhum crente deve portanto julgar-se sem fé porque não consegue vencer determinadas fraquezas ou pecados, porque enquanto se esforça para ser curado deles, e ainda que não o consiga neste mundo, não perderá a sua condição de filho amado de Deus, que pode usar tudo isto em forma de repreensão e disciplina, mas que jamais deixará ou abandonará a qualquer que tenha recebido por filho, por causa da aliança que fez com Jesus e na qual se interpôs com um juramento que jamais a anularia por causa de nossas imperfeições e transgressões.
Um crente verdadeiro odeia o pecado e ama a Jesus, mas sempre lamentará que não o ame tanto quanto deveria, e por não ter o mesmo caráter e virtudes que há em Cristo. Mas de uma coisa ele pode ter certeza: não foi por mérito, virtude ou boas obras que lhes foram exigidos a apresentar a Deus que ele foi salvo, mas simplesmente por meio do arrependimento e da fé nAquele que tudo fez e tem feito que é necessário para a segurança eterna da sua salvação.
É possível que alguém leia tudo o que foi dito nestes sete últimos parágrafos e não tenha percebido a grande verdade central relativa ao evangelho, que está sendo comentada neles, e que foi citada de forma resumida no primeiro deles, a saber:
“Então o plano de salvação, na aliança de graça que foi feita, nada exige do homem, além da fé, pois tudo o que tiver que ser feito nele para ser transformado e firmado na graça, será realizado pelo autor da sua salvação, a saber, Jesus Cristo.”
Nós temos na Palavra de Deus a confirmação desta verdade, que tudo é de fato devido à graça de Jesus, na nossa salvação, e que esta graça é suficiente para nos garantir uma salvação eterna, em razão do pacto feito entre Deus Pai e Deus Filho, que nos escolheram para esta salvação segura e eterna, antes mesmo da fundação do mundo, no qual Jesus e Sua obra são a causa dessa segurança eterna, pois é nEle que somos aceitos por Deus, nos termos da aliança firmada, em que o Pai e o Filho são os agentes da aliança, e os crentes apenas os beneficiários.
O pacto foi feito unilateralmente pelo Pai e o Filho, sem a consulta da vontade dos beneficiários, uma vez que eles nem sequer ainda existiam, e quando aderem agora pela fé aos termos da aliança, eles são convocados a fazê-lo voluntariamente e para o principal propósito de serem salvos para serem santificados e glorificados, sendo instruídos pelo evangelho que tudo o que era necessário para a sua salvação foi perfeitamente consumado pelo Fiador deles, nosso Senhor Jesus Cristo.
Então, preste atenção neste ponto muito importante, de que tanto é assim, que não é pelo fato de os crentes continuarem sujeitos ao pecado, mesmo depois de convertidos, que eles correm o risco de perderem a salvação deles, uma vez que a aliança não foi feita diretamente com eles, e consistindo na obediência perfeita deles a toda a vontade de Deus, mas foi feita com Jesus Cristo, para não somente expiar a culpa deles, como para garantir o aperfeiçoamento deles na santidade e na justiça, ainda que isto venha a ser somente completado integralmente no por vir, quando adentrarem a glória celestial.
A salvação é por graça porque alguém pagou inteiramente o preço devido para que fôssemos salvos – nosso Senhor Jesus Cristo.
E para que soubéssemos disso, Jesus não nos foi dado somente como Sacrifício e Sacerdote, mas também como Profeta e Rei.
Ele não somente é quem nos anuncia o evangelho pelo poder do Espírito Santo, e quem tudo revelou acerca dele nas páginas da Bíblia, para que não errássemos o alvo por causa da incredulidade, que sendo o oposto da fé, é a única coisa que pode nos afastar da possibilidade da salvação.
Em sua obra como Rei, Jesus governa os nossos corações, e nos submete à Sua vontade de forma voluntária e amorosa, capacitando-nos, pelo Seu próprio poder, a viver de modo agradável a Deus.
Agora, nada disso é possível sem que haja arrependimento. Ainda que não seja ele a causa da nossa salvação, pois, como temos visto esta causa é o amor, a misericórdia e a graça de Deus, manifestados em Jesus em nosso favor, todavia, o arrependimento é necessário, porque toda esta salvação é para uma vida santa, uma vida que lute contra o pecado, e que busque se revestir do caráter e virtudes de Jesus.
Então, não há salvação pela fé onde o coração permanece apegado ao pecado, e sem manifestar qualquer desejo de viver de modo santo para a glória de Deus.
Desde que haja arrependimento não há qualquer impossibilidade para que Deus nos salve, nem mesmo os grosseiros pecados da geração atual, que corre desenfreadamente à busca de prazeres terrenos, e completamente avessa aos valores eternos e celestiais.
Ainda que possa parecer um paradoxo, haveria até mais facilidade para Deus salvar a estes que vivem na iniquidade porque a vida deles no pecado é flagrante, e pouco se importam em demonstrar por um viver hipócrita, que são pessoas justas e puras, pois não estão interessadas em demonstrar a justiça própria do fariseu da parábola de Jesus, para que através de sua falsa religiosidade, e autoengano, pudessem alcançar algum favor da parte de Deus.
Assim, quando algum deles recebe a revelação da luz que há em Jesus, e das grandes trevas que dominam seu coração, o trabalho de convencimento do Espírito Santo é facilitado, e eles lamentam por seus pecados e fogem para Jesus para obterem a luz da salvação. E ele os receberá, e a nenhum deles lançará fora, conforme a Sua promessa, porque o ajuste feito para a sua salvação exige somente o arrependimento e a fé, para a recepção da graça que os salvará.
Deus mesmo é quem provê todos os meios necessários para que permaneçamos firmes na graça que nos salvou, de maneira que jamais venhamos a nos separar dele definitivamente.
Ele nos fez coparticipantes da Sua natureza divina, no novo nascimento operado pelo Espírito Santo, de modo que uma vez que uma natureza é atingida, ela jamais pode ser desfeita. Nós viveremos pela nova criatura, ainda que a velha venha a se dissolver totalmente, assim como está ordenado que tudo o que herdamos de Adão e com o pecado deverá passar, pois tudo é feito novo em Jesus, em quem temos recebido este nosso novo ser que se inclina em amor para Deus e para todas as coisas de Deus.
Ainda que haja o pecado residente no crente, ele se encontra destronado, pois quem reina agora é a graça de Jesus em seu coração, e não mais o pecado. Ainda que algum pecado o vença isto será temporariamente, do mesmo modo que uma doença que se instala no corpo é expulsa dele pelas defesas naturais ou por algum medicamento potente. O sangue de Jesus é o remédio pelo qual somos sarados de todas as nossas enfermidades. E ainda que alguma delas prevaleça neste mundo ela será totalmente extinta quando partirmos para a glória, onde tudo será perfeito.
Temos este penhor da perfeição futura da salvação dado a nós pela habitação do Espírito Santo, que testifica juntamente com o nosso espírito que somos agora filhos de Deus, não apenas por ato declarativo desta condição, mas de fato e de verdade pelo novo nascimento espiritual que nos foi dado por meio da nossa fé em Jesus.
Toda esta vida que temos agora é obtida por meio da fé no Filho de Deus que nos amou e se entregou por nós, para que vivamos por meio da Sua própria vida. Ele é o criador e o sustentador de toda a criação, inclusive desta nova criação que está realizando desde o princípio, por meio da geração de novas criaturas espirituais para Deus por meio da fé nEle.
Ele pode fazê-lo porque é espírito vivificante, ou seja, pode fazer com que nova vida espiritual seja gerada em quem Ele assim o quiser. Ele sabe perfeitamente quais são aqueles que atenderão ao chamado da salvação, e é a estes que Ele se revela em espírito para que creiam nEle, e assim sejam salvos.
Bem-aventurados portanto são:
Os humildes de espírito que reconhecem que nada possuem em si mesmos para agradarem a Deus.
Os mansos que se submetem à vontade de Deus e que se dispõem a cumprir os Seus mandamentos.
Os que choram por causa de seus pecados e todo o pecado que há no mundo, que é uma rebelião contra o Criador.
Os misericordiosos, porque dão por si mesmos o testemunho de que todos necessitam da misericórdia de Deus para serem perdoados.
Os pacificadores, e não propriamente pacifistas que costumam anular a verdade em prol da paz mundial, mas os que anunciam pela palavra e suas próprias vidas que há paz de reconciliação com Deus somente por meio da fé em Jesus.
Os que têm fome e sede de justiça, da justiça do reino de Deus que não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Os que são perseguidos por causa do evangelho, porque sendo odiados sem causa, perseveram em dar testemunho do Nome e da Palavra de Jesus Cristo.
Vemos assim que ser salvo pela graça não significa: de qualquer modo, de maneira descuidada, sem qualquer valor ou preço envolvido na salvação. Jesus pagou um preço altíssimo e de valor inestimável para que pudéssemos ser redimidos. Os termos da aliança por meio da qual somos salvos são todos bem ordenados e planejados para que a salvação seja segura e efetiva. Há poderes sobrenaturais, celestiais, espirituais envolvidos em todo o processo da salvação.        
É de uma preciosidade tão grande este plano e aliança que eles devem ser eficazes mesmo quando não há naqueles que são salvos um conhecimento adequado de todas estas verdades, pois está determinado que aquele que crê no seu coração e confessar com os lábios que Jesus é o Senhor e Salvador, é tudo quanto que é necessário para um pecador ser transformado em santo e recebido como filho adotivo por Deus.
O crescimento na graça e no conhecimento de Jesus são necessários para o nossos aperfeiçoamento espiritual em progresso da nossa santificação, mas não para a nossa justificação e regeneração (novo nascimento) que são instantâneos e recebidos simultaneamente no dia mesmo em que nos convertemos a Cristo. Quando fomos a Ele como nos encontrávamos na ocasião, totalmente perdidos  e mortos em transgressões e pecados.
E fomos recebidos porque a palavra da promessa da aliança é que todo aquele que crê será salvo, e nada mais é acrescentado a ela como condição para a salvação.
É assim porque foi este o ajuste que foi feito entre o Pai e o Filho na aliança que fizeram entre si para que fôssemos salvos por graça e mediante a fé.
Jesus é pedra de esquina eleita e preciosa, que o Pai escolheu para ser o autor e o consumador da nossa salvação. Ele foi eleito para a aliança da graça, e nós somos eleitos para recebermos os benefícios desta aliança por meio da fé nAquele a quem foram feitas as promessas de ter um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas obras.
Então quando somos chamados de eleitos na Bíblia, isto não significa que Deus fez uma aliança exclusiva e diretamente com cada um daqueles que creem, uma vez que uma aliança com Deus para a vida eterna demanda uma perfeita justiça e perfeita obediência a Ele, sem qualquer falha, e de nós mesmos, jamais seríamos competentes para atender a tal exigência, de modo que a aliança poderia ter sido feita somente com Jesus.
Somos aceitos pelo Pai porque estamos em Jesus, e assim é por causa do Filho Unigênito que somos também recebidos. Jamais poderíamos fazê-lo diretamente sem ter a Jesus como nosso Sumo Sacerdote e Sacrifício. Isto é tipificado claramente na Lei, em que nenhum ofertante ou oferta seriam aceitos por Deus sem serem apresentados pelo sacerdote escolhido por Deus para tal propósito. Nenhum outro Sumo Sacerdote foi designado pelo Pai para que pudéssemos receber uma redenção e aproximação eternas, senão somente nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que Ele escolheu para este ofício.