sábado, 22 de dezembro de 2012

A Incredulidade dos Espias de Israel – Números 13 e 14



Nós lemos no décimo terceiro capítulo de Números que pelo mandado de Deus, doze homens, um de cada tribo de Israel, foram enviados para espiarem a terra de Canaã, de modo a apresentarem um relatório dos povos que nela habitavam, de suas condições topográficas, e de tudo o que fosse importante para nortear as ações de guerra, que seriam empreendidas para a conquista da terra.
Dentre estes espias estava o próprio Josué, cujo nome era Oseias, e que fora mudado por Moisés para Josué, sendo este o representante da tribo de Efraim naquela missão de espiar a terra.
Também estava entre eles Calebe, da tribo de Judá, o homem cuja fé e coragem são destacadas nas Escrituras.
O que eles viram foi o mesmo que os demais dez viram, mas a forma como interpretaram o que viram sob a óptica das possibilidades de Deus em cumprir tudo o que havia prometido em relação à conquista e posse da terra, foi inteiramente diferente.
Dois homens de fé viram com os olhos da fé.
E, dez incrédulos viram com os olhos dos sentidos, e avaliaram as possibilidades não segundo Deus, mas segundo os homens, e assim, maior foi a influência deles sobre o povo, do que a de Josué e Calebe, pois os israelitas como um todo, daquela geração, estavam mais inclinados a andarem pela vista do que pela fé.
A conquista de Canaã seria uma conquista da fé para a glória e engrandecimento do nome de Deus, e não uma conquista do braço de carne e da força e do engenho humano.     
Interpôs-se, portanto um grande obstáculo para o avanço das ações planejadas de Deus, e do cumprimento das Suas promessas com aquela geração de incrédulos.
Jesus não pôde realizar muitos milagres em determinadas cidades de Israel, em razão da incredulidade deles, pois isto não traria qualquer glória para Deus.
E um dos maiores motivos dos milagres é para que o nome de Deus seja glorificado.
Depois de quarenta dias, os espias retornaram e deram seu relatório a Moisés e Arão, perante o povo de Israel, e confirmaram que o que Deus havia dito acerca da terra era realmente a verdade, pois manava leite e mel (13.27).
Contudo, quando falaram das cidades fortificadas e do povo poderoso que habitava na terra (13.28) é possível que tenha sido esboçada uma reação contrária dos israelitas, ante a ideia de terem que lutar contra os habitantes de Canaã, pois Calebe fez o povo se calar e disse:
“Subamos animosamente, e apoderemo-nos dela; porque bem poderemos prevalecer contra ela.” (13.30)
 Todavia, os demais espias, exceto Josué, disseram:
“Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.” (13.31)
E acrescentaram ao que haviam falado o seguinte:
“A terra, pela qual passamos para espiá-la, é terra que devora os seus habitantes; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos” (13.32,33).
Certamente o pavor e o espírito com que falaram impressionou muito mais ao povo do que o próprio teor de suas palavras.
Quando os grandes projetos de Deus estão diante de nós, podemos contar com a resistência do inimigo de nossas almas lá do outro lado, para que não se cumpra aquilo que o Senhor tem prometido.
Ou avançaremos com fé confiados nas promessas do Senhor, ou ficaremos com os nossos corações desfalecidos diante das tribulações e dificuldades, que se antepõem diante de nós, e intimidados pelas forças do Inimigo não arriscaremos dar um só passo, temendo pela nossa segurança e de nossos filhos, pelo eventual mal que ele possa nos causar.
Geralmente, toda obra de Deus é um grande impossível para nós, assim como conquistar Canaã pela própria força militar seria impossível aos israelitas.
Mas devemos sempre lembrar quando a Seu serviço, que não há impossíveis para Deus.
Era exatamente isto o que estava ocorrendo naquele momento entre os israelitas.
Eles olharam para a ameaça do inimigo e não para o Senhor.
Olharam para o seu próprio poder e o compararam com o do inimigo, e não olharam para o poder de Deus.
A ansiedade e o temor haviam expulsado a fé, e assim eles não podiam ver as coisas pela perspectiva de Deus, e o resultado foi o que nós lemos em Números 14.1-4.
Cabe destacar que aqueles mais de seiscentos mil homens prontos para a guerra, de Israel, haviam saído há pouco mais de um ano do Egito, testemunhando todos os poderes do Senhor contra aquela terra, e finalmente contra o exército de faraó, mas nem assim eles tinham coragem suficiente para crerem na fidelidade do Senhor, e permanecerem inabaláveis debaixo da Sua proteção e poder.
Eles preferiam viver na vergonha e covardia de até admitir terem que retornar ao Egito, debaixo de uma nova liderança, diferente da de Moisés, que eles sabiam, jamais deixaria de confiar em Deus e obedecê-lo.    
A incredulidade, ou desconfiança de Deus, é um pecado que é seu próprio castigo.
Aqueles que não confiam em Deus estão se vexando continuamente.
Quando o fogo da rebelião se alastra, as pessoas facilmente menosprezam governos e difamam dignidades, e naquela hora de forte comoção movida pelo medo, eles reagiram com grande fúria contra Moisés, cegos que estavam pela sua incredulidade e temor dos seus inimigos.
A insensatez do descontentamento e impaciência debaixo das cruzes da nossa condição externa devem ser veementemente evitadas, porque nos acometerá dos mesmos sentimentos que se apoderaram dos israelitas, levando-os a considerar que teria sido melhor morrer no Egito, e continuar em escravidão,  do que terem que empreender as lutas contra os seus inimigos, para a conquista de Canaã.
Nós ficamos intranquilos diante das tribulações, reclamamos da condição em que nos encontramos, mas não há qualquer lugar ou condição neste mundo em que possamos nos sentir inteiramente tranquilos.
O único modo de melhorar nossas condições presentes é sempre estar com nossos espíritos animados, conforme nos ordenou o Senhor em face das aflições, e jamais perguntarmos se não seria melhor voltarmos ao Egito.
Voltar significa retroceder, retornar, cair, desistir, e uma vez que lançamos mão do arado não podemos mais olhar para trás.
Estamos no reino de Deus destinados a prosseguir sempre adiante, sem jamais recuar.
O desejo dEle é que estejamos sempre avançando para o alvo da soberana vocação em Cristo Jesus, correndo a carreira que nos está proposta.
Há preciosas lições neste décimo quarto capítulo de Números, especialmente para aqueles que estão engajados no ministério.
Uma destas lições está na atitude de Moisés e Arão que prostraram seus rostos em terra em intercessão ao Senhor, quando o povo estava murmurando contra eles.
Não houve da parte deles o esboço de um só argumento que tentasse convencê-los das vantagens de obedecerem ao Senhor.
Eles perceberam que a luta era espiritual contra os poderes das trevas, e contra estes poderes não podem prevalecer meros argumentos, senão a intervenção poderosa do Senhor.
Então eles buscaram refúgio e auxílio em Deus (14.5), para a subjugação daqueles poderes malignos.
Josué e Calebe, que tinham ido espiar a terra, juntamente com aqueles dez príncipes de Israel, que haviam infamado a terra com a sua incredulidade, rasgaram as suas vestes e tentaram convencer a congregação sobre a necessidade de agradar ao Senhor, porque Ele mesmo os introduziria na terra com o Seu poder (14.6-8).
Para tanto, não deveriam permanecer em sua rebeldia contra o Senhor  e não temerem os cananeus, porquanto Ele seria com eles, e quando Deus é pelo seu povo, não há quem possa defender aqueles que são seus inimigos (14.9).
Mas, em vez de darem ouvidos a Josué e Calebe, eles desejaram apedrejá-los.
Não o fizeram somente porque o Senhor interviu fazendo com que a Sua glória aparecesse no tabernáculo a todos os israelitas (14.10).
O Senhor disse a Moisés que por causa do desprezo de que estava sendo alvo de Israel, e da incredulidade deles apesar dos inúmeros sinais que havia feito no meio deles (14.11), os feriria com pestilência e os rejeitaria e começaria a formar uma nova nação maior e mais forte a partir de Moisés (14.11).
Estava ali bem à mão a oportunidade de se vingar dos israelitas e mostrar a eles que afinal quem estava certo era ele, Moisés, mas, jamais se verá tal atitude num verdadeiro pastor de ovelhas do rebanho do Senhor.
Em vez de confirmar que seria justo que o Senhor despejasse os Seus juízos sobre os israelitas, Moisés apelou para a manutenção da própria glória do Senhor diante das nações, especialmente da confirmação da Sua graça e misericórdia, e intercedeu com argumentos baseados nas próprias afirmações que o Senhor havia feito acerca de ser tardio em se irar e grande em misericórdia; e que perdoa a iniquidade e a transgressão; e que ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.
Com base nisto rogou-Lhe que perdoasse então a iniquidade do povo, segundo a Sua grande misericórdia, com que vinha perdoando desde o Egito até aquele momento (14.13-19).
O Senhor perdoou o povo por causa desta intercessão de Moisés (14.20), mas nós veremos adiante que o fato de um pecado ter sido perdoado, não significa que não arcaremos com as consequências do nosso mau procedimento.
O Senhor declarou a Moisés que nenhum daqueles homens de vinte anos para cima, que compunham o exército de mais de 600.000 homens de Israel, veria a terra de Canaã, porque tinham visto a Sua glória e os sinais que Ele havia feito no Egito e no deserto, e, todavia Lhe haviam tentado dez vezes, não Lhe obedecendo a voz (14.21-23). 
No caso de verdadeiros cristãos, da igreja de Cristo, quando estes pecam contra o Senhor, algumas coisas devem, ser levadas em consideração:
- Primeiro, que eles não podem ser mais condenados porque Cristo pagou toda a dívida de seus pecados, e não faz sentido castigar alguém duas vezes pelo mesmo erro, porque Cristo já foi castigado no lugar deles, em relação a todos os seus pecados, passados, presentes e futuros.
- Entretanto serão corrigidos, disciplinados por Deus, assim como um pai corrige a seus filhos. Mas, a correção não tem este sentido vingativo do mal, que há no castigo, como se deu com os israelitas incrédulos, que foram destruídos pela praga que veio da parte do Senhor e os consumiu, tendo a maioria deles, certamente, ido para o inferno, porque não eram justificados pela fé, não tinham o conhecimento do Senhor, não o amavam.
Deve-se então ter o devido cuidado ao se traçar um paralelo entre as ações de juízos de Deus relativas aos israelitas incrédulos, e as que Ele tem em relação à correção dos cristãos, por causa de pecados praticados por eles.
Calebe, por exemplo, era um verdadeiro cristão, era um homem de fé, e por isso o Senhor deu acerca dele o seguinte testemunho:
“Mas o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito, e porque perseverou em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua posteridade a possuirá.” (14.24).
Este outro espírito que houve em Calebe, é o mesmo que há em todos os cristãos verdadeiros, a saber, o espírito daqueles que nasceram de novo, pela fé em Cristo.
Estes perseveram em seguir o Senhor e por isso Ele faz com que entrem na posse da Sua herança eterna.
Aqueles que têm o mesmo espírito de Calebe, por continuarem seguindo ao Senhor e confiando nEle e praticando a Sua Palavra, mesmo em tempos de grande apostasia, serão honrados pelo Senhor de um modo especial, assim como foram Calebe e Josué.
Eles terão a honra de preservações singulares em tempos de calamidade geral.
“Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra.” (Apo 3.10).
A Canaã divina será a herança eterna daqueles que perseveram em seguir o Senhor completamente.
Bem-aventurados são todos os que perseveram em suas provações.
“Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Apo 2.10).
Mas em relação aos israelitas incrédulos, que compunham a maioria da população de Israel, o Senhor demonstrou todo o Seu desagrado em relação a eles, porque sem fé é impossível agradá-Lo, e como eles queriam retornar ao Egito, fariam uma caminhada no deserto como se estivessem voltando naquela direção, não por aprovação de Deus, mas para poderem experimentar a loucura do desejo deles.
Em vez de progredirem em direção ao Leste, rumo à terra de Canaã, eles retrocederiam para o Oeste, na direção do Mar Vermelho, como se estivessem fazendo o caminho de volta, e assim Ele os desviaria do confronto com os amalequitas e cananeus que estavam adiante deles, para que tivessem a experimentação do amargor resultante da sua covardia e falta de fé (14.25).
Eles não voltariam ao Egito, porque a descendência deles entraria em Canaã quarenta anos depois, mas Deus faria com que eles experimentassem o fruto das suas próprias palavras. Eles colheriam aquilo que haviam semeado. O Senhor disse:
“Pela minha vida, diz o Senhor, certamente conforme o que vos ouvi falar, assim vos hei de fazer:” (14.28)
A falsa afirmação dos israelitas de que estavam preocupados com a segurança de seus filhos caso tivessem que conquistar Canaã, por meio da luta contra os seus inimigos, faria com que trouxessem um opróbrio sobre eles, por obrigá-los a caminharem no deserto, naqueles quarenta anos de juízo, ao passo que se tivessem obedecido ao Senhor, Ele mesmo lhes daria vitória contra os seus inimigos, e tanto eles quanto seus filhos poderiam desfrutar da terra que manava leite e mel, em vez de terem que viver num deserto árido.
O Senhor proferiu, portanto, contra eles, as palavras de juízo que lemos em 14.29-35.
Eles desejaram morrer no deserto, e Deus disse amém para o desejo apaixonado deles, e fez do pecado deles a sua ruína, o engano das palavras das suas próprias bocas, e deixou que eles proferissem a sentença deles com as suas próprias línguas, e por isso determinou que os seus cadáveres tombariam no deserto conforme eles mesmos haviam proferido.
Isto nos faz lembrar das palavras de Jesus em Mt 12.37: “Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.”.
Todos os que desprezarem os novos céus e terra prometidos por Deus serão destruídos pelo seu próprio desejo maligno de viverem apegados a este mundo, que está sujeito à condenação.
Quanto àqueles dez espias que haviam inflamado a congregação de Israel contra o Senhor, este trouxe sobre eles um juízo imediato, pois morreram de praga perante Ele (14.36,37).
O juízo sofrido por estes líderes que haviam influenciado todo o povo a murmurar contra o Senhor foi fixado como uma grande advertência para todos aqueles que usam da sua influência no meio do povo de Deus para levarem seus irmãos à murmuração, lhes desviando de um comportamento obediente e submisso ao Senhor, pois sofrerão um maior desagrado da parte de Deus, do que o daqueles aos quais influenciaram.
Que nos guardemos, pois do maldito ministério de semear a incredulidade, a discórdia e a rebelião no meio do povo do Senhor. 
Depois de Moisés ter pronunciado todos estes juízos de Deus aos israelitas, eles se entristeceram muito, e por temor dos juízos que poderiam lhes sobrevir da parte do Senhor, queriam se arriscar numa empresa de conquistar a terra por conta própria, numa operação tipo, tudo ou nada, numa aberta presunção que não era movida por um sincero arrependimento, que transforma não apenas a nossa decisão, mas sobretudo o nosso coração (14.39,40).
Eles haviam dito a Moisés que haviam pecado, mas isto não foi uma confissão sincera que conduz a um verdadeiro arrependimento.
Há muito deste tipo de confissão de pecados, que não conduz a nenhuma transformação real de vida. Tanto que eles não buscaram a direção do Senhor para o que pretendiam fazer, e isto sempre ocorrerá quando não estivermos de fato debaixo do Seu temor.
Moisés, conhecendo-lhes os sentimentos lhes advertiu que não seriam bem sucedidos, porque o Senhor não estava no meio deles e seriam certamente feridos diante dos seus inimigos, porquanto haviam se desviado de Deus, e assim Ele não estaria com eles, mas assim mesmo não lhe deram ouvido e saíram para o campo de batalha, só que os amalequitas e os cananeus, que habitavam na montanha os feriram, derrotando-os até Hormá (14.39-45).
Somos advertidos pelo apóstolo a não sermos iludidos pelo pecado de presunção que nos faz pensar que estamos de pé, quando na verdade podemos estar caindo da comunhão com Deus.
e não é possível que um cristão caia definitivamente para perdição eterna, no entanto sempre é um perigo que o rodeia, o de que venha a cair da comunhão com o Senhor por causa do endurecimento do pecado.
“Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia.” (I Cor 10.12).
Paulo poderia ter dito isto nestas palavras: “Aquele que supõe que está firme tome cuidado para não falhar”.
Vemos aqui que a causa da queda terá sido o pecado da presunção que nos leva a pensar que temos a aprovação de Deus, mesmo quando estamos vivendo deliberadamente no pecado.


“1 Então disse o Senhor a Moisés:
2 Envia homens que espiem a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel. De cada tribo de seus pais enviarás um homem, sendo cada qual príncipe entre eles.
3 Moisés, pois, enviou-os do deserto de Parã, segundo a ordem do Senhor; eram todos eles homens principais dentre os filhos de Israel.
4 E estes são os seus nomes: da tribo de Rúben, Samua, filho de Zacur;
5 da tribo de Simeão, Safate, filho de Hori;
6 da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné;
7 da tribo de Issacar, Ioal, filho de José;
8 da tribo de Efraim, Oseias, filho de Num;
9 da tribo de Benjamim, Palti, filho de Rafu;
10 da tribo de Zebulom, Gadiel, filho de Sódi;
11 da tribo de José, pela tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
12 da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
13 da tribo de Aser, Setur, filho de Micael;
14 da tribo de Naftali, Nabi, filho de Vofsi;
15 da tribo de Gade, Geuel, filho de Maqui.
16 Estes são os nomes dos homens que Moisés enviou a espiar a terra. Ora, a Oseias, filho de Num, Moisés chamou Josué.
17 Enviou-os, pois, Moisés a espiar: a terra de Canaã, e disse-lhes: Subi por aqui para o Negebe, e penetrai nas montanhas;
18 e vede a terra, que tal é; e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se pouco ou muito;
19 que tal é a terra em que habita, se boa ou má; que tais são as cidades em que habita, se arraiais ou fortalezas;
20 e que tal é a terra, se gorda ou magra; se nela há árvores, ou não; e esforçai-vos, e tomai do fruto da terra. Ora, a estação era a das uvas temporãs.
21 Assim subiram, e espiaram a terra desde o deserto de Zim, até Reobe, à entrada de Hamate.
22 E subindo para o Negebe, vieram até Hebrom, onde estavam Aimã, Sesai e Talmai, filhos de Anaque. (Ora, Hebrom foi edificada sete anos antes de Zoã no Egito. )
23 Depois vieram até e vale de Escol, e dali cortaram um ramo de vide com um só cacho, o qual dois homens trouxeram sobre uma verga; trouxeram também romãs e figos.
24 Chamou-se aquele lugar o vale de Escol, por causa do cacho que dali cortaram os filhos de Israel.
25 Ao fim de quarenta dias voltaram de espiar a terra.
26 E, chegando, apresentaram-se a Moisés e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel, no deserto de Parã, em Cades; e deram-lhes notícias, a eles e a toda a congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra.
27 E, dando conta a Moisés, disseram: Fomos à terra a que nos enviaste. Ela, em verdade, mana leite e mel; e este é o seu fruto.
28 Contudo o povo que habita nessa terra é poderoso, e as cidades são fortificadas e mui grandes. Vimos também ali os filhos de Anaque.
29 Os amalequitas habitam na terra do Negebe; os heteus, os jebuseus e os amorreus habitam nas montanhas; e os cananeus habitam junto do mar, e ao longo do rio Jordão.
30 Então Calebe, fazendo calar o povo perante Moisés, disse: Subamos animosamente, e apoderemo-nos dela; porque bem poderemos prevalecer contra ela.
31 Disseram, porém, os homens que subiram com ele: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nos.
32 Assim, perante os filhos de Israel infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A terra, pela qual passamos para espiá-la, é terra que devora os seus habitantes; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura.
33 Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos.” (Nm 13.1-33).



Números 14

“1 Então toda a congregação levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite.
2 E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou tivéssemos morrido neste deserto!
3 Por que nos traz o Senhor a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?
4 E diziam uns aos outros: Constituamos um por chefe o voltemos para o Egito.
5 Então Moisés e Arão caíram com os rostos por terra perante toda a assembleia da congregação dos filhos de Israel.
6 E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes;
7 e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra, pela qual passamos para a espiar, é terra muitíssimo boa.
8 Se o Senhor se agradar de nós, então nos introduzirá nesta terra e no-la dará; terra que mana leite e mel.
9 Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo desta terra, porquanto são eles nosso pão. Retirou-se deles a sua defesa, e o Senhor está conosco; não os temais.
10 Mas toda a congregação disse que fossem apedrejados. Nisso a glória do Senhor apareceu na tenda da revelação a todos os filhos de Israel.
11 Disse então o Senhor a Moisés: Até quando me desprezará este povo e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito no meio dele?
12 Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e farei de ti uma nação maior e mais forte do que ele.
13 Respondeu Moisés ao Senhor: Assim os egípcios o ouvirão, eles, do meio dos quais, com a tua força, fizeste subir este povo,
14 e o dirão aos habitantes desta terra. Eles ouviram que tu, ó Senhor, estás no meio deste povo; pois tu, ó Senhor, és visto face a face, e a tua nuvem permanece sobre eles, e tu vais adiante deles numa coluna de nuvem de dia, e numa coluna de fogo de noite.
15 E se matares este povo como a um só homem, então as nações que têm ouvido da tua fama, dirão:
16 Porquanto o Senhor não podia introduzir este povo na terra que com juramento lhe prometera, por isso os matou no deserto.
17 Agora, pois, rogo-te que o poder do meu Senhor se engrandeça, segundo tens dito:
18 O Senhor é tardio em irar-se, e grande em misericórdia; perdoa a iniquidade e a transgressão; ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.
19 Perdoa, rogo-te, a iniquidade deste povo, segundo a tua grande misericórdia, como o tens perdoado desde o Egito até, aqui.
20 Disse-lhe o Senhor: Conforme a tua palavra lhe perdoei;
21 tão certo, porém, como eu vivo, e como a glória do Senhor encherá toda a terra,
22 nenhum de todos os homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto, e todavia me tentaram estas dez vezes, não obedecendo à minha voz,
23 nenhum deles verá a terra que com juramento prometi o seus pais; nenhum daqueles que me desprezaram a verá.
24 Mas o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito, e porque perseverou em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua posteridade a possuirá.
25 Ora, os amalequitas e os cananeus habitam no vale; tornai-vos amanhã, e caminhai para o deserto em direção ao Mar Vermelho.
26 Depois disse o Senhor a Moisés e Arão:
27 Até quando sofrerei esta má congregação, que murmura contra mim? tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel, que eles fazem contra mim.
28 Dize-lhes: Pela minha vida, diz o Senhor, certamente conforme o que vos ouvi falar, assim vos hei de fazer:
29 neste deserto cairão os vossos cadáveres; nenhum de todos vós que fostes contados, segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, que contra mim murmurastes,
30 certamente nenhum de vós entrará na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
31 Mas aos vossos pequeninos, dos quais dissestes que seriam por presa, a estes introduzirei na terra, e eles conhecerão a terra que vós rejeitastes.
32 Quanto a vós, porém, os vossos cadáveres cairão neste deserto;
33 e vossos filhos serão pastores no deserto quarenta anos, e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que os vossos cadáveres se consumam neste deserto.
34 Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, a saber, quarenta dias, levareis sobre vós as vossas iniquidades por quarenta anos, um ano por um dia, e conhecereis a minha oposição.
35 Eu, o Senhor, tenho falado; certamente assim o farei a toda esta má congregação, aos que se sublevaram contra mim; neste deserto se consumirão, e aqui morrerão.
36 Ora, quanto aos homens que Moisés mandara a espiar a terra e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra,
37 aqueles mesmos homens que infamaram a terra morreram de praga perante o Senhor.
38 Mas Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos homens que foram espiar a terra, ficaram com vida.
39 Então Moisés falou estas palavras a todos os filhos de Israel, pelo que o povo se entristeceu muito.
40 Eles, pois, levantando-se de manhã cedo, subiram ao cume do monte, e disseram: Eis-nos aqui; subiremos ao lugar que o Senhor tem dito; porquanto havemos pecado.
41 Respondeu Moisés: Ora, por que transgredis o mandado do Senhor, visto que isso não prosperará?
42 Não subais, pois o Senhor não está no meio de vós; para que não sejais feridos diante dos vossos inimigos.
43 Porque os amalequitas e os cananeus estão ali diante da vossa face, e caireis à espada; pois, porquanto vos desviastes do Senhor, o Senhor não estará convosco.
44 Contudo, temerariamente subiram eles ao cume do monte; mas a arca do pacto do Senhor, e Moisés, não se apartaram do arraial.
45 Então desceram os amalequitas e os cananeus, que habitavam na montanha, e os feriram, derrotando-os até Horma.” (Nm 14.1-45).

Um comentário:

  1. Grande lição esta, que estejamos atentos aos sinais de rebeldia, esquecendo assim dos feitos do Senhor.
    Deus esteja contigo.

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