sábado, 22 de dezembro de 2012

O Nazireado – Números 6


A palavra nazireu no hebraico é nazir, que significa separado, consagrado. 
Esta mesma palavra é usada em Gên 49.26, na bênção profética de Jacó dirigida a José, referindo-se a este como aquele que foi distinguido, separado, entre os seus irmãos.
A devoção de José a Deus era de tal caráter e tão notável, que lhe foi aplicada a palavra nazir, como indicação desta sua separação para o Senhor.
Deus mesmo o havia separado e ele correspondeu plenamente a esta separação.
Não no sentido de isolamento, mas no sentido de se destacar espiritualmente na comunhão e intimidade com Deus, por meio da consagração de sua vida a Ele.
Sansão (Jz 13.5) e João Batista (Lc 1.15) foram nazireus por designação divina, e outros pelo voto dos seus pais, como Samuel (I Sam 1.11).
Outros fizeram votos de serem nazireus por um determinado tempo, e neste caso estavam sujeitos às regras estabelecidas nesta lei, que foram criadas para os casos de consagração voluntária.  
Todo verdadeiro cristão é um nazireu espiritual, separado por voto voluntário a Deus.
Um cristão fiel terá que renunciar a muitas coisas, para manter um testemunho santo, num mundo de trevas.
Estas renúncias estavam representadas em figura na lei do nazireado, pelas coisas que eram vedadas por Deus a eles, tais como o fruto da videira, nem qualquer tipo de bebida forte ou de vinho, e não deveria raspar a cabeça durante os dias do seu voto, e ainda lhe era vedado se aproximar de qualquer cadáver. 
A proibição de comer qualquer produto da videira, mesmo o fruto in natura, tinha a ver possivelmente com o fato de revelar o nível da consagração a Deus, porque o consumo de uva era muito generalizado e apreciado, e a abstinência seria uma forma de mostrar que o amor a Deus pode superar qualquer outro tipo de desejo e afeto natural.
Deus destaca no capítulo 35 de Jeremias a obediência estrita dos recabitas a seu pai, que não tomavam vinho porque ele lhes havia dado tal ordem, e destaca esta obediência como exemplo da que esperava receber Ele próprio dos israelitas.
Todos aqueles que pretenderem se consagrar a Deus deverão aprender juntamente com o apóstolo a trazer o próprio corpo em sujeição (I Cor 9.27).  
O cabelo longo dos nazireus era um sinal de sujeição a Deus, tal como no caso das mulheres a seus maridos, conforme o dizer do apóstolo em I Cor 11.5, 14,15.  
A proibição de se aproximar de cadáveres simbolizava o esforço para evitar contato com qualquer tipo de pecado, porque a consequência do pecado é a morte.
A consagração do nazireu deveria apontar para a vida, a qual é fruto da santidade. 
As prescrições para a purificação do nazireu, caso se contaminasse eventualmente com algum morto, apontavam para a restauração da consagração pela via do arrependimento, pela confissão do pecado e confiança no sacrifício que deveria ser apresentado.
Isto apontava em figura, para a restauração da comunhão quebrada pelo pecado, no caso de cristãos na Igreja de Cristo, que devem seguir diariamente a mesma prescrição do arrependimento, confissão e confiança no sacrifício do Senhor, para serem restaurados à comunhão, quando eventualmente a quebrarem por causa do pecado.
O apóstolo Paulo, por sugestão dos apóstolos de Jerusalém, quando acusado pelos judeus, de estar quebrando a lei de Moisés, foi orientado a fazer um voto de nazireado de sete dias (At 21.24-27), para lhes demonstrar que não pregava contra os preceitos da lei de Moisés.
Ao findar o tempo do seu voto, o nazireu deveria apresentar sacrifícios pelo pecado, e como oferta pacífica, no tabernáculo.
Ora, isto ensina claramente que a nossa consagração ao Senhor é aceita por causa do sacrifício de Jesus, que possibilita que sejamos aceitos assim como os nossos serviços para Deus, que de outro modo jamais poderiam ser aceitos.
É um grande privilégio poder servir e ser aceito pelo Senhor, e então somos nós que sempre teremos uma grande dívida para com Ele, que jamais poderemos pagar, senão demonstrar toda a nossa gratidão e louvor, com os nossos serviços e consagração.
Deus não nos deve coisa alguma.
Tudo o que temos recebido dEle é pela Sua exclusiva graça, misericórdia e bondade.
Portanto, não é uma atitude sábia fazer algo para Deus, pensando que se merece receber em troca o pagamento correspondente.
Isto é uma barganha espiritual abominável para o Senhor, que espera ações voluntárias, amorosas e desinteressadas de todos os seus filhos.  
Nos versículos 24 a 26 nós temos a fórmula com a qual os sacerdotes deveriam abençoar os israelitas, conforme ordem dada pelo Senhor a Moisés:
“O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz.”
 Os sacerdotes haviam sido separados por Deus para também abençoarem o Seu povo em Seu nome (Dt 21.5).
Esta bênção era um prenúncio da bênção que é dada pelo Sumo Sacerdote da nossa fé, Jesus (At 3.26), pois é somente nEle e por meio dEle que podemos ter paz com Deus, e viver de modo abençoado.
O nome Jeová (traduzido por Senhor) é proferido três vezes na bênção sacerdotal.
O nome sagrado do Deus da aliança com Israel é o que é usado aqui (YHWH), como forma de demonstração que a bênção não seria propriamente do sacerdote, mas do Senhor.
Deus definiu o resultado de sua bênção em nossas vidas como proteção (guardar), como alegria e agrado relativos ao nosso viver, como misericórdia para perdão dos nossos pecados e livramento do mal, como aprovação dEle por estarmos diante da Sua face e como paz espiritual em nossas almas, e na relação com o nosso próximo.



“1 Disse mais o Senhor a Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando alguém, seja homem, seja mulher, fizer voto especial de nazireu, a fim de se separar para o Senhor,
3 abster-se-á de vinho e de bebida forte; não beberá, vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte, nem bebida alguma feita de uvas, nem comerá uvas frescas nem secas.
4 Por todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma que se faz da uva, desde os caroços até as cascas.
5 Por todos os dias do seu voto de nazireado, navalha não passará sobre a sua cabeça; até que se cumpram os dias pelos quais ele se tenha separado para o Senhor, será santo; deixará crescer as guedelhas do cabelo da sua cabeça.
6 Por todos os dias da sua separação para o Senhor, não se aproximará de cadáver algum.
7 Não se contaminará nem por seu pai, nem por sua mãe, nem por seu irmão, nem por sua irmã, quando estes morrerem; porquanto o nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça:
8 Por todos os dias do seu nazireado será santo ao Senhor.
9 Se alguém morrer subitamente junto dele, contaminando-se assim a cabeça do seu nazireado, rapará a sua cabera no dia da sua purificação, ao sétimo dia a rapará.
10 Ao oitavo dia trará duas rolas ou dois pombinhos, ao sacerdote, à porta da tenda da revelação;
11 e o sacerdote oferecerá um como oferta pelo pecado, e o outro como holocausto, e fará expiação por esse que pecou no tocante ao morto; assim naquele mesmo dia santificará a sua cabeça.
12 Então separará ao Senhor os dias do seu nazireado, e para oferta pela culpa trará um cordeiro de um ano; mas os dias antecedentes serão perdidos, porquanto o seu nazireado foi contaminado.
13 Esta, pois, é a lei do nazireu: no dia em que se cumprirem os dias do seu nazireado ele será trazido à porta da tenda da revelação,
14 e oferecerá a sua oferta ao Senhor: um cordeiro de um ano, sem defeito, como holocausto, e uma cordeira de um ano, sem defeito, como oferta pelo pecado, e um carneiro sem defeito como oferta pacífica;
15 e um cesto de pães ázimos, bolos de flor de farinha amassados com azeite como também as respectivas ofertas de cereais e de libação.
16 E o sacerdote os apresentará perante o Senhor, e oferecerá a oferta pelo pecado, e o holocausto;
17 também oferecerá o carneiro em sacrifício de oferta pacífica ao Senhor, com o cesto de pães ázimos e as respectivas ofertas de cereais e de libação.
18 Então o nazireu, à porta da tenda da revelação, rapará o cabelo do seu nazireado, tomá-lo-á e o porá sobre o fogo que está debaixo do sacrifício das ofertas pacíficas.
19 Depois o sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, e um pão ázimo do cesto, e um coscorão ázimo, e os porá nas mãos do nazireu, depois de haver este rapado o cabelo do seu nazireado;
20 e o sacerdote os moverá como oferta de movimento perante o Senhor; isto é santo para o sacerdote, juntamente com o peito da oferta de movimento, e com a espádua da oferta alçada; e depois o nazireu poderá beber vinho.
21 Esta é a lei do que fizer voto de nazireu, e da sua oferta ao Senhor pelo seu nazireado, afora qualquer outra coisa que as suas posses lhe permitirem oferecer; segundo o seu voto, que fizer, assim fará conforme a lei o seu nazireado.
22 Disse mais o Senhor a Moisés:
23 Fala a Arão, e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel; dir-lhes-eis:
24 O Senhor te abençoe e te guarde;
25 o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;
26 o Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz.
27 Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei..” (Nm 6.1-27).


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