sábado, 22 de dezembro de 2012

Balaão Abençoa Israel Duas Vezes – Números 23



Nós vemos em Números 23, que para demonstrar uma falsa devoção, Balaão mandou Balaque edificar sete altares e que oferecesse um novilho e um carneiro em cada um deles como holocausto.
Se Balaão fosse de fato um verdadeiro profeta do Senhor ele seria instruído por Deus que desde que foi construído o tabernáculo, nenhum sacrifício seria aceito pelo Senhor, a não ser os que fossem apresentados segundo as suas instruções na presença do sacerdote no tabernáculo dos israelitas.
O pior de tudo, aqueles sacrifícios foram apresentados pelo próprio Balaque, que servia a Baal, em três ocasiões diferentes, conforme relatado neste capítulo.
Balaão era um profeta infiel, mas as palavras que ele proferiu nestes capítulos de Números procederam de fato da boca de Deus.
O profeta era falso, mas a mensagem era verdadeira.
Assim como os fariseus não eram fiéis representantes de Deus, mas falavam muitas coisas que estavam em plena conformidade com a Lei do Senhor.
Suas obras não deveriam ser imitadas porque não viviam o que ensinavam.
Assim são todos os hipócritas que proferem com os lábios o que não está de fato no coração. Eles não amam de fato a Palavra do Senhor, mas se usam dela para se fazerem respeitáveis diante dos homens.
É uma grande honra ser profeta do Senhor. Mas qual é a vantagem em ser profeta quando a vida e o coração não são retos para com Deus? A maior juízo estará sujeito porque conhecia a vontade do Senhor e não a praticou (Lc 12.47).
É também neste sentido que Paulo repreendeu a igreja de Corinto.
Não porque estivesse repleta dos dons do Espírito Santo, inclusive o de profecia, mas porque não estavam vivendo retamente diante de Deus, e estavam se deixando guiar pela natureza terrena, pois estavam vivendo como cristãos carnais em divisões, ciúmes e contendas.
Balaão falou coisas maravilhosas quando profetizou acerca de Israel e das nações, conforme lhe foi ordenado por Deus, mas para o aumento da sua própria ruína, em face do seu caráter, que não era segundo o coração de Deus.
Nós veremos adiante que Balaão foi morto pelos israelitas (Nm 31.8), por ter aconselhado os midianitas a darem suas mulheres como esposas a eles, de modo a pervertê-los e conduzi-los a adorarem a Baal.
Israel era um povo abençoado porque Deus havia prometido a Abraão que abençoaria a sua descendência, que fosse contada em Isaque e em Jacó.
Como poderia então, Deus amaldiçoar a quem Ele abençoou?
Por isso foi esta a Sua Palavra na boca de Balaão, para ser do conhecimento não somente dos moabitas, mas de todas as nações.
Nós veremos adiante em outras profecias que foram dadas a Balaão este propósito de Deus de exaltar Israel para que aterrorizasse as demais nações pagãs, e revelasse este caráter singular daquele povo que havia sido levantado, para que o nome do único Deus verdadeiro fosse conhecido e temido em toda a terra.
Esta primeira profecia de Balaão destaca  ainda que caso um israelita piedoso morresse, isto não significaria maldição, porque morreria como um justo, e o fim do justo não significa ruína, mas promoção, então ter o fim de um verdadeiro israelita é proferido como a grande aspiração que todo ser humano deveria ter (v. 10).  
Assim, em vez de amaldiçoar, Balaão foi obrigado a abençoar, e Balaque lhe pediu então que fosse com ele para outro lugar, pensando talvez que o lugar em que estavam não fosse apropriado para se proferir uma maldição.
Mais uma vez, a pedido de Balaão, edificou sete altares no campo de Zofim, no cume de Pisga, e ofereceu um novilho e um carneiro em cada um deles (v. 11-14).  
Balaão se afastou a um lugar reservado para receber a Palavra do Senhor, e este lhe pôs na boca as seguintes palavras para serem ditas a Balaque:
“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá? Eis que recebi mandado de abençoar; pois ele tem abençoado, e eu não o posso revogar. Não se observa iniquidade em Jacó, nem se vê maldade em Israel; o senhor seu Deus é com ele, no meio dele se ouve a aclamação dum rei. É Deus que os vem tirando do Egito; as suas forças são como as do boi selvagem. Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito!  Eis que o povo se levanta como leoa, e se ergue como leão; não se deitará até que devore a presa, e beba o sangue dos que foram mortos:”
Balaque estava esperando que o Senhor mudasse de opinião, mas a profecia deixou claro para ele que Deus não é como o homem para que minta ou se arrependa, e o que Ele disse se cumprirá (v.19).
Se Ele mandou abençoar Israel ninguém o poderia revogar.
A profecia é dirigida aos verdadeiros israelitas, que são circuncidados não apenas no prepúcio, mas no coração, e assim deles se diz que;
“não viu iniquidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o Senhor seu Deus está com ele, e no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei.”
Certamente esta profecia tinha o propósito não apenas de desencorajar os inimigos de Israel, como também o de incentivar os próprios israelitas a uma vida de fé e de santidade.
Deus não vê iniquidade em seus filhos para efeito de condenação, porque estão debaixo da justiça que é obtida por meio da cobertura do sangue de Jesus.
Eles são justos porque foram justificados.
Portanto foram resgatados para sempre da maldição, para serem inseridos na bênção prometida a Abraão.
Deste modo nem encantamento ou adivinhação vale contra os que estão assim unidos pela fé ao Senhor, a saber, o verdadeiro Israel de Deus (v. 23).
O Senhor mesmo é a força do seu povo, e por isso se diz que a força deles é como a do boi selvagem, e que se levantam como leão e não se deitam, até que devorem a presa e bebam o sangue dos que forem mortos (v. 24).
Se Deus é pelo Seu povo quem pode ser contra eles? Quem os acusará? Quem os condenará? Quem triunfará sobre eles, sendo Deus a sua fortaleza?   
Ainda não satisfeito, Balaque levou Balaão a outro lugar, ao cume de Peor, e repetiram o mesmo ritual de edificarem altares oferecendo os mesmos sacrifícios, esperando que dessa vez Deus amaldiçoaria dali aos israelitas (v. 25-30).
O pecado cega o coração do ímpio e ele não pode compreender qual seja o caráter santo e justo de Deus.
Por isso prossegue desejando o mal dos cristãos como se fosse possível Deus se voltar contra o Seu povo, em favor dos desejos malignos dos ímpios.
Deus é amor e ama a justiça, mas o ímpio não compreende qual seja a verdadeira natureza do amor e da justiça divinos.
Nada pode separar um verdadeiro israelita do amor de Deus, que está em Cristo Jesus. 
Nós veremos no capítulo seguinte qual foi o teor das palavras que Deus dirigiu aos moabitas, pela boca de Balaão, nesta terceira ocasião.  



“1 Disse Balaão a Balaque: Edifica-me aqui sete altares e prepara-me aqui sete novilhos e sete carneiros.
2 Fez, pois, Balaque como Balaão dissera; e Balaque e Balaão ofereceram um novilho e um carneiro sobre cada altar.
3 Então Balaão disse a Balaque: Fica aqui em pé junto ao teu holocausto, e eu irei; porventura o Senhor me sairá ao encontro, e o que ele me mostrar, eu to direi. E foi a um lugar alto.
4 E quando Deus se encontrou com Balaão, este lhe disse: Preparei os sete altares, e ofereci um novilho e um carneiro sobre cada altar.
5 Então o senhor pôs uma palavra na boca de Balaão, e disse: Volta para Balaque, e assim falarás.
6 Voltou, pois, para ele, e eis que estava em pé junto ao seu holocausto, ele e todos os príncipes de Moabe.
7 Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: De Arã me mandou trazer Balaque, o rei de Moabe, desde as montanhas do Oriente, dizendo: Vem, amaldiçoa-me a Jacó; vem, denuncia a Israel.
8 Como amaldiçoarei a quem Deus não amaldiçoou? e como denunciarei a quem o Senhor não denunciou?
9 Pois do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo; eis que é um povo que habita só, e entre as nações não será contado.
10 Quem poderá contar o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que eu morra a morte dos justos, e seja o meu fim como o deles.
11 Então disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoares os meus inimigos, e eis que inteiramente os abençoaste.
12 E ele respondeu: Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor me puser na boca?
13 Então Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, donde o poderás ver; verás somente a última parte dele, mas a todo ele não verás; e amaldiçoa-mo dali.
14 Assim o levou ao campo de Zofim, ao cume de Pisga; e edificou sete altares, e ofereceu um novilho e um carneiro sobre cada altar.
15 Disse Balaão a Balaque: Fica aqui em pé junto ao teu holocausto, enquanto eu vou ali ao encontro do Senhor.
16 E, encontrando-se o Senhor com Balaão, pôs-lhe na boca uma palavra, e disse: Volta para Balaque, e assim falarás.
17 Voltou, pois, para ele, e eis que estava em pé junto ao seu holocausto, e os príncipes de Moabe com ele. Perguntou-lhe, pois, Balaque: Que falou o Senhor?
18 Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: Levanta-te, Balaque, e ouve; escuta-me, filho de Zipor;
19 Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?
20 Eis que recebi mandado de abençoar; pois ele tem abençoado, e eu não o posso revogar.
21 Não se observa iniquidade em Jacó, nem se vê maldade em Israel; o senhor seu Deus é com ele, no meio dele se ouve a aclamação dum rei;
22 É Deus que os vem tirando do Egito; as suas forças são como as do boi selvagem.
23 Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito!
24 Eis que o povo se levanta como leoa, e se ergue como leão; não se deitará até que devore a presa, e beba o sangue dos que foram mortos:
25 Então Balaque disse a Balaão: Nem o amaldiçoes, nem tampouco o abençoes:
26 Respondeu, porém, Balaão a Balaque: Não te falei eu, dizendo: Tudo o que o Senhor falar, isso tenho de fazer?
27 Tornou Balaque a Balaão: Vem agora, e te levarei a outro lugar; porventura parecerá bem aos olhos de Deus que dali mo amaldiçoes.
28 Então Balaque levou Balaão ao cume de Peor, que dá para o deserto.
29 E Balaão disse a Balaque: Edifica-me aqui sete altares, e prepara-me aqui sete novilhos e sete carneiros.
30 Balaque, pois, fez como dissera Balaão; e ofereceu um novilho e um carneiro sobre cada altar.” (Nm 23.1-30).

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