quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

As Festas do Velho Testamento – Levítico 23



No 23º capítulo de Levítico nós vemos Deus dizendo às pessoas do Seu povo que cressem nEle, porque por meio da fé na expiação operada pelo sacrifício, Ele perdoaria todas as suas iniquidades, de modo que deveriam permanecer na fé nEle porque tudo Lhe é possível.
Não há impossíveis para Deus.
Assim, seriam purificados de todos os seus pecados, e poderiam participar com alegria das festividades estabelecidas por Ele, que eram o símbolo da alegria da comunhão que é decorrente da alegria e descanso que têm nEle, aqueles que nEle confiam e que temem e guardam a Sua Palavra.
As festas deste capítulo são como que um anúncio da parte do Senhor ao Seu povo nestes termos:
“Diga a eles que tenham fé e assim poderão guardar a minha Palavra, porque tudo me é possível, e eu mesmo os purificarei, eu mesmo os capacitarei, eu mesmo os santificarei, pelo meu próprio poder, e eles devem crer nisso porque tudo é possível ao que crê, que por meio do sacrifício todos os seus pecados foram perdoados, e que a sua iniquidade foi esquecida.”
Estas festas de Israel eram instituídas então, não por mandamento carnal, para ser atendido pela carne, mas como mandamento espiritual para que o ajuntamento solene de Israel fosse feito com fé e em santidade, nas ocasiões festivas.
Mas ao longo de suas gerações eles transgrediram o mandamento, pela falta de fé e de santidade, de modo que foram proferidas contra eles as palavras que lemos em Isaías Is 1.11-20.

Destacamos deste texto de Isaías as palavras dos versículos 12 a 14, nas quais vemos claramente que não há razão para festa aos olhos de Deus, quando falta a fé e a santidade em Seu povo.
Quando o atendimento de Suas ordenanças vira um mero cumprimento formal e religioso, por motivos carnais, e não um ato de devoção sincero do coração regenerado.
As festas de Israel eram anúncios proféticos das coisas que se realizariam por meio de Cristo, especialmente em relação à igreja, e por isso eram designadas como santas convocações (v.2).
Elas apontavam para a reunião de Cristo com o Seu povo. 
O sábado (v.3) representava o descanso dos cristãos no Seu Deus.
Profeticamente sinaliza para aquele grande dia em que o Senhor descansará do trabalho da nova criação, que está realizando por meio de Cristo, e especialmente pela conversão dos pecadores para habitarem com Ele num descanso que adentrará a eternidade.
Este descanso seria devido à redenção operada pelo sangue de Cristo, e então Israel deveria celebrar anualmente a Páscoa (v. 4-8), como memorial do livramento da destruição pelo anjo, quando este passou pelos lares dos israelitas, e se desviou por causa do sangue que havia sobre as vergas e umbrais das portas de suas casas.
Por sete dias, não poderia haver fermento nas casas, representando a santidade, a sinceridade, a purificação dos pecados que é devida a Deus pelo Seu povo, em razão da redenção que experimentaram pela fé no sangue do sacrifício.
Como veremos adiante, é interessante observar que há uma conexão entre todas estas festas instituídas pelo Senhor.
A festa das primícias, em que deveriam ser apresentados no tabernáculo um molho da primeira colheita de trigo feita na terra de Canaã (Êx 34.22).
Esta primeira colheita deveria ser consagrada ao Senhor para que os israelitas fossem aceitos por Ele.
Evidentemente isto aponta em figura para Cristo, porque Ele é a primícia da criação, e particularmente do povo de Deus.
Sem que Ele se oferecesse ao Pai como representante de toda a colheita, ninguém poderia ser aceito como filho de Deus.
É importante frisar que esta oferta deveria ser feita num domingo (v. 12), que foi o dia em que Jesus ressuscitou como sinal da aceitação pelo Pai da Sua obra de redenção dos pecadores (I Cor 15.20, 23).     
Evidentemente, este primeiro fruto da terra de Canaã seria apresentado no ano em que eles entrassem na terra e a cultivassem, e isto aponta também de modo muito específico para o sacrifício de Jesus, que seria uma única oferta, feita num determinado dia, e que determinaria para sempre a aceitação do Seu povo pelo Pai (Hb 9.28; 10.14).
Mas, para representar a primeira colheita que seria feita pelo Espírito Santo, que seria derramado no dia de Pentecoste, iniciando a Sua obra de salvação dos pecadores em todo o mundo, foi designada a festa de Pentecoste (Lev 23.15-21), que tinha o nome de festa das semanas (Êx 34.22; Dt 16.10; II Cr 8.13)  ou da sega dos primeiros frutos (Êx 23.16).
Em Jos 5.10,11 nós lemos o seguinte:
“Estando, pois, os filhos de Israel acampados em Gilgal, celebraram a páscoa no dia catorze do mês, à tarde, nas planícies de Jericó. E, ao outro dia depois da páscoa, nesse mesmo dia, comeram, do produto da terra, pães ázimos e espigas tostadas.”
 Aqui está relatado o cumprimento da ordenança relativa à Páscoa e às Primícias.
A celebração do Pentecoste seria feita cinquenta dias após a Páscoa.
Contando-se sete semanas a partir do domingo em que havia sido oferecida a oferta das primícias.
O Pentecoste caía então também num domingo e deveria ser celebrado todos os anos num domingo contado a partir do domingo da Páscoa.       
Qual seria o sentido lógico de se contar estes cinquenta dias a partir da Páscoa para celebrar outra festa, se não houvesse um fato significativo associado a isto como o derramar do Espírito Santo exatamente naquele dia em que se celebrava esta festividade em Israel?
Certamente aquele foi  um dia especial para Deus e para todo o Seu povo espalhado na face da terra, porque foi o início do estabelecimento da igreja em todo o mundo.
Deus não seria mais apenas o Deus de Israel, mas o Deus de todos aqueles que em todas as nações constituem o Seu povo, por estarem unidos pela fé a Cristo.
Uma Nova Aliança seria colocada em marcha a partir daquele dia, em todas as nações do mundo.
Isto é marcado como uma ocasião para ser festejada com muita alegria, porque a bênção de Abraão chegaria aos gentios em Jesus Cristo, para que recebessem pela fé o Espírito prometido (Gál 3.14; Joel 2.28).
Até então o Espírito Santo operava quase que exclusivamente em Israel, mas passaria a operar em todo o mundo, porque a Antiga Aliança havia sido substituída pela Nova (Jer 31.31-34). 
Em Lev 23.24,25 é ordenado que no primeiro dia do sétimo mês deveria ser feita uma solene convocação da nação com sonidos de trombeta, e nenhuma obra deveria ser feita neste dia, isto é, ele seria um feriado nacional pela importância da expiação que seria faria no décimo dia daquele mês, e a festa dos tabernáculos a partir do décimo quinto dia, que seria celebrada durante sete dias. 
Em Lev 23.26-32 é citado do dia da expiação nacional que já estudamos no capítulo dezesseis, sendo que aqui se faz uma ênfase especial ao fato de que os israelitas deveriam afligir as suas almas neste dia.
Este dia é contado entre as festas solenes do Senhor (v. 2), mas se destaca que a alegria deste dia somente deveria ser manifestada depois que afligissem suas almas, confessando seus pecados, e depois de terem sido feitos os serviços relativos à expiação do pecado de todo o povo, pelo sumo sacerdote.
Há inclusive uma ameaça para aqueles que não afligissem suas almas neste dia da expiação, de serem eliminados do povo, e caso fizessem alguma obra neste dia, seriam também destruídos pelo Senhor (v. 29,30).
O dia da expiação deveria ser observado no décimo dia do sétimo mês (v.27), e a Festa dos Tabernáculos (v. 33-44) deveria ser observada por sete dias a contar do décimo quinto dia deste mesmo mês sétimo (v. 34).
Esta festa celebrava a última colheita do ano (v.39).
Assim, depois de cinco dias contados a partir do dia da expiação nacional, em que deveriam afligir as suas almas, viria a celebração desta festa, em que era ordenado por Deus que se alegrassem naqueles sete dias, em vez de afligirem as suas almas (v.40).
O povo habitaria em tendas naqueles sete dias para que recordassem que o Senhor havia feito com que habitassem em tendas quando os tirou da terra do Egito (v.42,43).
Assim, aquela festa tinha por principal propósito recordar a libertação da escravidão, e a expiação que foi feita pelo sacrifício oferecido no dia da expiação, e isto era motivo para alegria.
Deste modo, há aqui uma figura bastante significativa de que o cristão tem motivo para se regozijar sempre (representado naqueles sete dias), e o dever de se alegrar sempre no Senhor, porque teve a culpa dos seus pecados expiada por Cristo, e foi liberto da escravidão do pecado e do reino das trevas para sempre, em razão da expiação que foi feita em seu favor pelo Senhor.




“1 Depois disse o Senhor a Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As festas fixas do Senhor, que proclamareis como santas convocações, são estas:
3 Seis dias se fará trabalho, mas o sétimo dia é o sábado do descanso solene, uma santa convocação; nenhum trabalho fareis; é sábado do Senhor em todas as vossas habitações.
4 São estas as festas fixas do Senhor, santas convocações, que proclamareis no seu tempo determinado:
5 No mês primeiro, aos catorze do mês, à tardinha, é a páscoa do Senhor.
6 E aos quinze dias desse mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos.
7 No primeiro dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
8 Mas por sete dias oferecereis oferta queimada ao Senhor; ao sétimo dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
9 Disse mais o Senhor a Moisés:
10 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra que eu vos dou, e segardes a sua sega, então trareis ao sacerdote um molho das primícias da vossa sega;
11 e ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos. No dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá.
12 E no dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito, de um ano, em holocausto ao Senhor.
13 Sua oferta de cereais será dois décimos de efa de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada em cheiro suave ao Senhor; e a sua oferta de libação será de vinho, um quarto de him.
14 E não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até aquele mesmo dia, em que trouxerdes a oferta do vosso Deus; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações.
15 Contareis para vós, desde o dia depois do sábado, isto é, desde o dia em que houverdes trazido o molho da oferta de movimento, sete semanas inteiras;
16 até o dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de cereais ao Senhor.
17 Das vossas habitações trareis, para oferta de movimento, dois pães de dois décimos de efa; serão de flor de farinha, e levedados se cozerão; são primícias ao Senhor.
18 Com os pães oferecereis sete cordeiros sem defeito, de um ano, um novilho e dois carneiros; serão holocausto ao Senhor, com as respectivas ofertas de cereais e de libação, por oferta queimada de cheiro suave ao Senhor.
19 Também oferecereis um bode para oferta pelo pecado, e dois cordeiros de um ano para sacrifício de ofertas pacíficas.
20 Então o sacerdote os moverá, juntamente com os pães das primícias, por oferta de movimento perante o Senhor, com os dois cordeiros; santos serão ao Senhor para uso do sacerdote.
21 E fareis proclamação nesse mesmo dia, pois tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas habitações pelas vossas gerações.
22 Quando fizeres a sega da tua terra, não segarás totalmente os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o Senhor vosso Deus.
23 Disse mais o Senhor a Moisés:
24 Fala aos filhos de Israel: No sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós descanso solene, em memorial, com sonido de trombetas, uma santa convocação.
25 Nenhum trabalho servil fareis, e oferecereis oferta queimada ao Senhor.
26 Disse mais o Senhor a Moisés:
27 Ora, o décimo dia desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor.
28 Nesse dia não fareis trabalho algum; porque é o dia da expiação, para nele fazer-se expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.
29 Pois toda alma que não se afligir nesse dia, será extirpada do seu povo.
30 Também toda alma que nesse dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo.
31 Não fareis nele trabalho algum; isso será estatuto perpétuo pelas vossas gerações em todas as vossas habitações.
32 Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado.
33 Disse mais o Senhor a Moisés:
34 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias.
35 No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
36 Por sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis oferta queimada ao Senhor; será uma assembleia solene; nenhum trabalho servil fareis.
37 Estas são as festas fixas do Senhor, que proclamareis como santas convocações, para oferecer-se ao Senhor oferta queimada, holocausto e oferta de cereais, sacrifícios e ofertas de libação, cada qual em seu dia próprio;
38 além dos sábados do Senhor, e além dos vossos dons, e além de todos os vossos votos, e além de todas as vossas ofertas voluntárias que derdes ao Senhor.
39 Desde o dia quinze do sétimo mês, quando tiverdes colhido os frutos da terra, celebrareis a festa do Senhor por sete dias; no primeiro dia haverá descanso solene, e no oitavo dia haverá descanso solene.
40 No primeiro dia tomareis para vós o fruto de árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.
41 E celebrá-la-eis como festa ao Senhor por sete dias cada ano; estatuto perpétuo será pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis.
42 Por sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão em tendas de ramos,
43 para que as vossas gerações saibam que eu fiz habitar em tendas de ramos os filhos de Israel, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus.
44 Assim declarou Moisés aos filhos de Israel as festas fixas do Senhor.” (Lev 23.1-44).


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