quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Daniel 4

Deus havia humilhado no capítulo anterior aos deuses de Babilônia, e agora humilharia o próprio rei Nabucodonosor, para convencer-lhe que estava na Sua mão o poder de dar-lhe ou tirar-lhe o reino, até mesmo a sua própria vida.  
Foi por iniciativa do próprio Nabucodonosor, que foi registrado o seu testemunho neste capítulo, depois de ter sido restaurado da enfermidade mental que lhe acometera, da parte do Senhor.
Tal é o endurecimento no pecado naqueles que não se convertem a Deus, e que tão somente temem diante das grandes manifestações dos Seus juízos, que estão sujeitos a agir, assim como fizera Nabucodonosor, a saber: reconhecer o grande poder, soberania e majestade do Senhor, e contudo, não emendarem os seus maus caminhos.
Deus não levanta governantes e magistrados (juízes) na terra, para que estes erijam imagens de escultura de ouro, nas mais variadas formas, para exaltarem a própria glória deles.
O que rege deve fazê-lo para Deus, e mediante a aplicação das Suas leis.
Então, Nabucodonosor foi dobrado, mas permaneceu o mesmo idólatra de sempre, reconhecendo o Deus de Daniel, apenas como sendo mais poderoso do que os demais deuses que ele adorava.
É muito fácil de entendermos como o pecado conduz tanto governantes e governados a um acordo tenebroso silencioso entre si, porque dificilmente toda uma nação, (em qualquer época da história, até mesmo como foi o caso do próprio Israel, que o vemos no cativeiro nos dias de Daniel por causa do pecado), se submeteria ao governo de Deus segundo um princípio de verdadeira santidade no coração, e mediante uma também verdadeira aplicação a todos os Seus mandamentos.
Nunca se viu um tal governo em qualquer nação da terra, em plena harmonia entre governantes e governados, aos pés do Senhor.
Então, podemos concluir que este mundo está debaixo do pecado, e que é de fato Satanás o príncipe do mundo, porque rege as nações e a maioria dos corações dos homens.  
Este reino em todas as nações da terra, em que haja um perfeito e completo governo divino somente será visto por ocasião da volta de Jesus.
Por isso nunca foi Seu propósito estabelecer o Seu reino em qualquer nação da terra, numa forma absoluta, antes que Ele volte, porque seria tentar o impossível, com súditos que amam mais as trevas do que a luz. 
Assim, está convocando pessoas de todas as nações que se convertam a Ele, na presente dispensação da graça, e será com estas que estabelecerá o Seu reino de perfeito amor e justiça, por ocasião da Sua segunda vinda. 
  Daniel não se encontrava portanto, no cativeiro, com o propósito divino de converter o coração de todos os babilônios ao Senhor, especialmente do rei deles, mas de revelar que apesar de os homens se deixarem governar pelo príncipe das trevas, há um Deus, o único e verdadeiro, que rege sobre tudo e todos, e que haverá por fim de estabelecer o Seu reino de justiça na terra, subjugando todos os poderes contrários, conforme se vê claramente em toda a profecia do livro de Daniel, e não somente neste capítulo.
Este propósito foi cumprido nos dias de Daniel quando Nabucodonosor se dispôs a fazer conhecido os grandes feitos do Senhor a todos os povos e nações,  em seus dias, tornando-lhes manifesto que é o Deus de Daniel que tem todos os reinos da terra em Suas mãos, e não propriamente os homens que se acham no poder, porque é o próprio Deus que os conduz para tal posição, e que também os retira das mesmas quando é da Sua vontade ou propósito (v. 1).
Nabucodonosor reconheceu que o reino do Deus Altíssimo é eterno, e o seu domínio dura de geração em geração. 
Não nos ateremos a descrever os detalhes narrados neste capitulo, porque o mesmo é auto-explicativo, e estaremos evitando assim uma mera repetição.
Contudo, cabe destacar que Babilônia chegara à posição de grandeza que possuía, não pelo mero gênio de Nabucodonosor, mas pela providência de Deus, porque o sonho é muito claro em revelar que a grande árvore frondosa e frutífera que era Babilônia para muitos, representada na pessoa de seu rei, chegara a isto pela permissão de Deus, e pela ação do mesmo Deus lhe seria removida tal glória por sete anos.
Nabucodonosor não se humilhou perante o Senhor quando Daniel lhe deu a interpretação do sonho, e chegou a se exaltar grandemente atribuindo à sua própria capacidade e força, a edificação de Babilônia. Passaram doze meses desde a revelação da profecia até o seu cumprimento, porque quando o rei  manifestou externamente a soberba que estava abrigada em seu coração, lhe sobreveio na mesma hora o juízo que o Senhor havia determinado sobre ele, vindo a viver como vivem os animais do campo, por sete anos.  
Dificilmente, um governante em tais condições reassumiria o seu trono. Todavia, para revelar de modo definitivo que é Ele que conduz os governantes ao poder, o Senhor lhe restaurou no poder, conforme havia revelado no sonho, que o faria depois de passados os sete anos da sua humilhação.



“1 O rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e homens de todas as línguas, que habitam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada!
2 Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo.
3 Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração.
4 Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa e feliz no meu palácio.
5 Tive um sonho, que me espantou; e, quando estava no meu leito, os pensamentos e as visões da minha cabeça me turbaram.
6 Por isso, expedi um decreto, pelo qual fossem introduzidos à minha presença todos os sábios da Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho.
7 Então, entraram os magos, os encantadores, os caldeus e os feiticeiros, e lhes contei o sonho; mas não me fizeram saber a sua interpretação.
8 Por fim, se me apresentou Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo:
9 Beltessazar, chefe dos magos, eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil; eis as visões do sonho que eu tive; dize-me a sua interpretação.
10 Eram assim as visões da minha cabeça quando eu estava no meu leito: eu estava olhando e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande;
11 crescia a árvore e se tornava forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da terra.
12 A sua folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e todos os seres viventes se mantinham dela.
13 No meu sonho, quando eu estava no meu leito, vi um vigilante, um santo, que descia do céu,
14 clamando fortemente e dizendo: Derribai a árvore, cortai-lhe os ramos, derriçai-lhe as folhas, espalhai o seu fruto; afugentem-se os animais de debaixo dela e as aves, dos seus ramos.
15 Mas a cepa, com as raízes, deixai na terra, atada com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo. Seja ela molhada do orvalho do céu, e a sua porção seja, com os animais, a erva da terra.
16 Mude-se-lhe o coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ela sete tempos.
17 Esta sentença é por decreto dos vigilantes, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles.
18 Isto vi eu, rei Nabucodonosor, em sonhos. Tu, pois, ó Beltessazar, dize a interpretação, porquanto todos os sábios do meu reino não me puderam fazer saber a interpretação, mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos.
19 Então, Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atônito por algum tempo, e os seus pensamentos o turbavam. Então, lhe falou o rei e disse: Beltessazar, não te perturbe o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltessazar e disse: Senhor meu, o sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação, para os teus inimigos.
20 A árvore que viste, que cresceu e se tornou forte, cuja altura chegou até ao céu, e que foi vista por toda a terra,
21 cuja folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual os animais do campo achavam sombra, e em cujos ramos as aves do céu faziam morada,
22 és tu, ó rei, que cresceste e vieste a ser forte; a tua grandeza cresceu e chega até ao céu, e o teu domínio, até à extremidade da terra.
23 Quanto ao que viu o rei, um vigilante, um santo, que descia do céu e que dizia: Cortai a árvore e destruí-a, mas a cepa com as raízes deixai na terra, atada com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; seja ela molhada do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ela sete tempos,
24 esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo, que virá contra o rei, meu senhor:
25 serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.
26 Quanto ao que foi dito, que se deixasse a cepa da árvore com as suas raízes, o teu reino tornará a ser teu, depois que tiveres conhecido que o céu domina.
27 Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a tua tranquilidade.
28 Todas estas coisas sobrevieram ao rei Nabucodonosor.
29 Ao cabo de doze meses, passeando sobre o palácio real da cidade de Babilônia,
30 falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?
31 Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino.
32 Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.
33 No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor; e foi expulso de entre os homens e passou a comer erva como os bois, o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves.
34 Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.
35 Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?
36 Tão logo me tornou a vir o entendimento, também, para a dignidade do meu reino, tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e a mim se me ajuntou extraordinária grandeza.
37 Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba.”


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