quinta-feira, 10 de outubro de 2013

PROVÉRBIOS 17




Provérbios 17




Silvio Dutra



Mar/2016







 
  A474
            Alves, Silvio Dutra
                  Provérbios 17./ Silvio Dutra Alves. – Rio de    
                  Janeiro, 2016.
                  43p.; 14,8x21cm

                 1. Teologia. 2. Salomão. 3. Estudo Bíblico.
             I. Título.
                                                        
                                                                             CDD 230.223



Provérbios 17

1 Melhor é um bocado seco, e com ele a tranquilidade, do que a casa cheia de festins, com rixas.

Festas constantes, abundância de bens, reuniões para fins de entretenimento, não são meios eficazes para a superação de desavenças, rancores, rixas e desentendimentos.
Aqueles que as promovem para o fim de melhorar a harmonia e entendimento entre os participantes, sempre sairão frustrados no fim, evidenciando o que afirma o provérbio.
Agora, é possível haver paz e harmonia no lar ou em reuniões de família, com festins, desde que o fator de unidade não seja a festa propriamente dita, mas estarem os participantes debaixo do temor do Senhor e se comportarem conforme os seus preceitos.
Um coração não transformado e apaziguado pelo Espírito Santo, não pode ser o promotor da verdadeira paz e alegria aonde quer que ele se encontre, ainda que seja em família.
Por isso se destaca no provérbio, que a paz e harmonia são melhores do que a boa comida e as festanças, e assim se revelam mesmo quando o que há para comer é senão uma simples porção de alimento seco.













2 O servo prudente dominará sobre o filho que procede indignamente; e entre os irmãos receberá da herança.

Quando Jesus definiu a verdadeira família de Deus, como sendo aquela que tem a Sua palavra e a guarda, e não necessariamente aqueles que estão ligados por laços sanguíneos, e lhes falta este requisito essencial.
O que identifica uma família verdadeira aos olhos de Deus, é o amor genuíno entre os membros, bem como a honra e obediência que se deve dar aos que estão investidos de autoridade por Ele no núcleo familiar, a saber, os pais.
Então, entre um servo prudente e temente a Deus, e um filho biológico rebelde que proceda de forma indigna contra os preceitos do Senhor, será dada preferência por um pai sábio, ao servo e não ao filho quanto ao governo dos assuntos de interesse da família, e o constituirá também como herdeiro de seus bens.
Quando Jesus se referiu a um grande número de judeus, em seus dias, chamando-lhes de filhos do diabo e não de Deus, ele apresentou imediatamente a razão de ter feito a citada definição; porque imitavam e seguiam as obras do diabo e não as de Deus.
Assim, um filho de Deus não é identificado por causa da denominação religiosa à qual pertença, nem por serem seus pais verdadeiros filhos de Deus, mas por ser um imitador de Deus, como filho amado, e não das obras do diabo. 















3 O crisol é para a prata, e o forno para o ouro; mas o Senhor é que prova os corações.
O crisol é um recipiente para a fundição de metais, chamado também de cadinho; daí vem a expressão “cadinho da provação”, como indicando a condição na qual fomos colocados para sermos provados por Deus, pelo fogo da  purificação.

O coração dos filhos dos homens estão sujeitos, não somente à vista de Deus, mas ao seu julgamento; assim, como o crisol é para provar e melhorar a prata,  de igual modo o  Senhor prova os corações;  para ver se estão purificados ou não, e aqueles que não estão, ele refina  para torná-los mais puros.
Deus prova o coração pela aflição, e muitas vezes submete seu povo a este forno. Somente Deus é apto para a realização deste trabalho; devemos então, estar conscientizados de que nos encontramos nas mãos do mais habilidoso Ourives, quando passamos por momentos de aflição.


4 O malfazejo atenta para o lábio iníquo; o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna.

É comum se dizer que existe o mexeriqueiro, porque há sempre alguém disposto e curioso para dar-lhe atenção.
Se o lábio iníquo e a língua maligna não encontrassem ouvintes interessados, não haveria a maledicência e a intriga, assim como não haveria traficantes de drogas, caso não existissem os viciados.
Geralmente, um pecado é alimentado por outro. O estelionatário desapareceria, caso não houvesse também quem deseja auferir vantagens ilícitas.
O ladrão de peças de automóveis não as furtaria, caso não houvessem os receptadores.
Por isso, o provérbio afirma que o malfazejo atenta para o lábio iníquo, e vemos, assim, que este lábio iníquo é alimentado e incentivado pelo coração que intenta fazer ou ver o mal de outros.


5 O que escarnece do pobre insulta ao seu Criador; o que se alegra da calamidade não ficará impune.

Quando Judá foi levado para o cativeiro pelos babilônios, lá estavam os edomitas associados a eles, não somente para ajudá-los, mas para se alegrarem na desgraça de Israel.
A ida dos judeus para o cativeiro havia sido decretada pelo próprio Senhor, e de maneira justa, porque estavam vivendo entregues à idolatria.
Todavia, ninguém deveria se alegrar com isto, pois não há porque se alegrar quando Deus se levanta para julgar seu povo, senão nos entristecermos, tanto quanto ele se entristece por ter que fazê-lo como forma de disciplina extrema.
Em razão disso várias profecias vieram sobre Edom, de que Deus se vingaria em razão da atitude que haviam tido para com o povo de Israel.
Em outra escala; como Deus pode justificar aqueles que escarnecem dos pobres, por suas baixas condições de vida? Em vez de escárnio deveriam sim, se compadecer e fazer algo por eles. 
Há, portanto, um juízo aguardando por todos aqueles que se alegram com as calamidades que vêm sobre seus semelhantes, pois isto revela a grande perversidade, falta de amor e de misericórdia existente em seus corações.












6 Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais.

Evidentemente, serão uma coroa, caso se comportem dignamente, indicando que receberam boa instrução da parte de seus pais, que por sua vez a receberam de seus avós.
Se o testemunho de alguém quanto à sua piedade em servir a Deus e em trazer sua família sob a devida obediência à sua vontade, passar à terceira geração, isto será algo que pode ser comparado a uma vitória diante de Deus, que nos faz dignos de receber uma coroa indicativa da referida vitória.
E, também, estes filhos obedientes e encaminhados à presença de Deus por seus pais, serão para eles um motivo de se gloriarem nos pais que tiveram, que lhes transmitiram o modo correto de se viver neste mundo, tornando-os dignos de herdar a vida eterna. 





7 Não convém ao tolo a fala excelente; quanto menos ao príncipe o lábio mentiroso!
Os governantes deste mundo, bem fariam em atentar para as palavras do sábio na segunda parte deste provérbio, em vez de seguirem os conselhos de Maquiavel, no seu livro O Príncipe, como a maior parte deles costuma fazer, pois parece sábio o conselho que lhes é dado, de não serem verdadeiros e honestos, porém tudo fazerem para dar esta aparência ao povo.
 Maquiavel nunca esteve vivo em tantos pensamentos de governantes,  como podemos ver em nossos dias, especialmente em todos os noticiários. Cabe também lembrar, que estas notícias são apenas uma pequena ponta do iceberg que aparece da enorme quantidade de iniquidades que são praticadas, e permanecem ocultas ao conhecimento geral da população.
Quando se descobre as mentiras usadas pelos que governam, eles costumam cair em descrédito perante o povo que dirigem, como também na opinião pública internacional; e, isto faz com que muita desconfiança seja gerada e falta de incentivo para se investir num país cujo governante vive claramente da prática do engano e da dissimulação, quanto às reais condições políticas e financeiras da nação que dirige.
Também, seguindo em direção contrária à verdade proclamada pelo provérbio, muitos são guindados à posição daqueles cuja fala deve ser excelente (como a de estadistas, juristas, embaixadores etc.), por motivo de favorecimento interesseiro político, ou má escolha dos votantes que os conduzem a estas posições, sem que reúnam as qualificações mínimas, conforme exigidas por seus cargos.
Há uma teia muito complexa, especialmente no que tange às relações internacionais, e é uma temeridade vermos tantos ocupando cargos de mando públicos, sem que tenham o mínimo conhecimento das condições que prevalecem no mundo atual.










8 Pedra preciosa é o suborno aos olhos de quem o oferece; para onde quer que ele se volte, serve-lhe de proveito.
Numa lida apressada, este provérbio pode ser entendido, erroneamente, como sendo um estímulo à prática do suborno.
No entanto, o que se pretende nele destacar é o sentimento que possuem aqueles que vivem da prática de subornar os outros.
Eles têm o sentimento de possuírem uma joia preciosa que sendo submetida à cobiça daqueles que podem impedir a consumação de seus interesses, sobretudo naquelas coisas que lhes são proibidas por lei, causará tão forte impressão que não resistirão à tentação de obtê-la ainda que isto seja pela via de se burlar a lei.
O suborno é algo tão nocivo, que é expressamente proibido por Deus nos mandamentos da Lei de Moisés; pois subverte não apenas a ordem institucional, corrompe o direito e a justiça,  como também corrompe os corações, tanto daqueles que os oferecem, quanto daqueles que os recebem. 



9 O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afasta amigos íntimos.

Uma das principais razões do perdão é a reconciliação, e por isso o provérbio diz que, o que perdoa a transgressão busca a amizade, pois é impossível haver reconciliação onde não houver o retorno à amizade.
Todavia, ainda que não se consiga a reconciliação através do perdão, até mesmo porque há situações em que não é recomendado, há de se ter a sabedoria e a prudência de se não renovar a questão, ou seja, de se trazer de novo à tona os motivos que produziram o afastamento entre as partes envolvidas.
O provérbio vai além, assegurando-nos que esta prática de trazer à tona questões esquecidas e perdoadas pode até mesmo afastar amigos íntimos.
Alguém disse mui apropriadamente que a melhor coisa a se fazer com um pecado que foi perdoado, é um buraco profundo com uma pá e ali enterrá-lo, para que numa mais se levante.
O que encobre a transgressão promove o amor, e é o amor que deve ser sempre buscado em tudo o que fizermos.

















10 Mais profundamente entra a repreensão no prudente, do que cem açoites no insensato.

Uma simples repreensão verbal dirigida ao que é prudente e temente a Deus, será suficiente para produzir o efeito desejado de que ele venha a emendar seu caminho.
Já em relação ao que é insensato, ainda que seja açoitado cem vezes, não produzirá qualquer efeito transformador em sua posição de estar apegado à sua transgressão.
Por isso se ordena, que toda repreensão seja feita com longanimidade e doutrina, pois não é por força e poder humanos que a vontade de Deus é estabelecida nos corações, senão somente pela operação do Espírito Santo.
O Espírito Santo pode penetrar a consciência e o coração, e constrangê-los à mudança voluntária, coisas que meras palavras ou açoites jamais conseguirão produzir.
Faríamos bem em confiar mais no poder de nossas orações, do que em nossas repreensões, ainda que elas sejam também necessárias.


11 O rebelde não busca senão o mal; portanto um mensageiro cruel será enviado contra ele.

Ao homem que pratica o bem e anda nos caminhos de Deus, até mesmo muitos mensageiros invisíveis lhes são enviados, sobretudo os anjos, trazendo-lhes as bênçãos e boas promessas da parte de Deus.
Já para aquele que é rebelde e busca somente viver praticando o que é mau, é certo que há de receber um mensageiro cruel que será contra ele, e não a seu favor, e ainda que isto não ocorra neste mundo por conta da omissão das autoridades responsáveis pela aplicação da justiça, certamente ocorrerá no dia da sua morte, quando não receberá a visita de anjos eleitos para ser conduzido ao paraíso, senão de demônios que lhe darão a recepção e a má notícia de que terá que acompanhá-los a um lugar de horror e sofrimento eternos.
      
 
      



12 Encontre-se o homem com a ursa roubada dos filhotes, mas não com o insensato na sua estultícia.

Uma ursa cujos filhotes lhe foram roubados fica extremamente furiosa, e não poupará, se encontrar, os autores de tal ato, que terão que enfrentar toda a sua fúria e violência.
Pode parecer um exagero o que diz o provérbio, segundo o qual seria melhor encontrar uma ursa em tal condição, do que com um insensato em sua estultícia.
O que parece indicar é que seria mais fácil se livrar e fugir da ursa do que do insensato, especialmente quando se trata de alguém que seja nosso conhecido.
Alguns interpretam o provérbio comparando a fúria da ursa com a do insensato, uma vez que ela pode ser apaziguada ao encontrar seus filhotes, mas o insensato que tencione praticar o mal contra nós, e cegado pela paixão da sua fúria não permitirá ser apaziguado, ainda que  lhe sejam expostos os melhores argumentos e justificativas quanto à insanidade da violência que pretende realizar contra nós.
Isto pode ser visto de modo prático, nas investidas de assaltantes que matam suas vítimas sem qualquer motivo, senão pelo simples prazer de matar; fato que a propósito, tem sido muito corriqueiro nas grandes cidades brasileiras.  
Cumpra-se assim o provérbio, que encontremos a ursa da qual podemos escapar, e não estes insensatos, estultos e violentos, que sempre realizam seus intentos malignos, a menos que sejamos livrados pela graça e a providência de Deus.

      











13 Quanto àquele que torna mal por bem, não se apartará o mal da sua casa.

São várias e insistentes as passagens bíblicas em que somos ordenados a não nos vingarmos a nós mesmos, a não retribuirmos mal por mal, e injúria por injúria, porque mesmo nestes casos, nos tornamos suscetíveis a sermos também julgados por Deus.

Este provérbio apresenta uma condição ainda mais grave, pois não fala  em se retribuir mal por mal, senão mal por bem, ou seja, retribuirmos o bem que nos tenham feito com algum tipo de mal.
A punição para este tipo de ação é terrível, pois se afirma que o mal não se apartará da casa daquele que assim proceder.
Nós temos um exemplo bem prático disso nas Escrituras, na família do próprio Salomão, porque, tendo Davi, recebido o bem de Urias, que o servindo fielmente nas fileiras do seu exército que se encontrava em batalha, retribuiu o seu bem pagando-lhe com o mal de um assassinato e um adultério; por isso recebeu a sentença profética do Senhor contra ele, de que o mal jamais se apartaria da sua casa.
Alguns de seus próprios filhos se mataram mutuamente, e o próprio Salomão teve que executar Adonias, seu irmão, por tentativa de usurpar-lhe o trono.
Parece que tudo isto não teria ocorrido, caso Davi não tivesse praticado aquele horrendo pecado.
Ele foi perdoado, mas teve que conviver, tanto ele quanto seus filhos, com estas sequelas que eram resultantes do juízo de Deus que viera sobre ele e sua casa.













14 O princípio da contenda é como o soltar de águas represadas; deixa por isso a porfia, antes que haja rixas.

Quem pode conter as águas de uma represa que tenha se rompido?
Uma vez rompida, é impossível conter o ímpeto de suas águas, que irão destruir tudo o que encontrarem em seu caminho.
Este provérbio é da mais pura e profunda sabedoria, pois retrata uma realidade para a qual, até mesmo profissionais da área de psicologia não estão devidamente atentos ou de acordo, pois não são poucos que recomendam, que para o alívio do acúmulo de estresse é bom colocarmos para fora todo o ressentimento que estiver em nossos corações.
Já o sábio nos alerta, que o próprio início da contenda, quando percebemos até mesmo no ar que há algo como um tipo de atmosfera de provocação e confrontação mútuas, é como o soltar das águas represadas da contenda, e o melhor a fazer é fugir desta condição.
Que devemos deixar as queixas e os motivos da porfia, antes que a discussão ou briga comece, porque, como as águas da represa rompida, uma vez que isto acontece, não há mais como recolher essas águas destruidoras cheias de queixas e azedumes, muitas vezes por conta dos motivos banais, que poderiam ter sido facilmente esquecidos ou tolerados.















15 O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, são abomináveis ao Senhor, tanto um como o outro.

Este é um princípio extraído da Lei, que Deus revelou através de Moisés.
O ponto é o de que nunca deve haver impunidade, quando ocorrer a violação da lei ou da justiça. Fazer isto é uma abominação para o Senhor, tanto quanto justificar e não punir o culpado.
Mas o provérbio parece ir um pouco além deste princípio legal, e entra no mérito das motivações e da condição real de cada pessoa, pois não se fala de culpado ou inocente, mas de ímpio e justo.
Podemos então, entender, que o princípio sapiencial significa que nunca devemos justificar os que são ímpios, por causa de circunstâncias que julguemos atenuantes, como, por exemplo, ignorância da lei, pobreza extrema, ou até mesmo uma suposta intepretação de que apesar de agir impiamente pode ter no fundo um bom coração, ou traumas de infância que carregue consigo.
Não importam as circunstâncias; o que é ímpio pode ser até analisado quanto aos motivos que o levam à prática da impiedade, mas jamais ser justificado como certo ou inocente naquilo que é ou faz.
E, por outro lado, não há motivos para se condenar o justo, a que pretexto for, como, se pela sua justiça expõe a injustiça de outros, como por exemplo a de colegas de trabalho, ou que incomoda aqueles que vivem na impiedade, por considerarem que esteja almejando se mostrar melhor do que eles, ou por qualquer outro motivo, pois segundo Deus, o que anda retamente na prática da Sua Palavra, é digno de louvor e não de repreensão ou de condenação. 











16 De que serve o preço na mão do tolo para comprar a sabedoria, visto que ele não tem entendimento?
Jesus disse que pelo conhecimento da verdade, nós seríamos libertados. Ele definiu a verdade como sendo Ele mesmo e a Palavra de Deus.
Agora, como é possível conhecer a verdade, sem entendimento, sendo estulto, e amando a estultícia?
Segundo o provérbio em tela, como é possível alcançar a sabedoria, quando não se tem entendimento?
O entendimento aqui referido não é outro, senão o que é espiritual e das coisas celestiais e divinas, nas quais se encontram o modelo perfeito e máximo de tudo o que nos convém ser e fazer, para que se diga que somos de fato, a imagem e semelhança de Deus.
É de pasmar o quanto esta sabedoria, entendimento e conhecimento da verdade falta a muitos, inclusive a genuínos crentes!
Quando os vemos colocando sua confiança e esperança nas coisas que são deste mundo, para que por meio delas se veja o reino de justiça e verdade de Deus prevalecendo na terra, constatamos o quão distantes se encontram do conhecimento da verdade.
Quando pensam que por uma melhor educação, e condições de vida relativa aos bens mundanos poderá se ver inaugurado o reino de Deus em sua plenitude na terra, também revelam o quanto desconhecem acerca da verdadeira justiça.
“Aumentemos os investimentos em educação, saúde e segurança pública, e passaremos a ter um céu na terra!” É o que muitos pensam, mas ledo engano e ignorância dos retos caminhos do Senhor!
Quem em sã consciência é contra as melhorias no campo da justiça social? Nenhuma pessoa sensata não deve ser, evidentemente! Mas, confundir esta justiça social com a justiça do reino de Deus, é a pior comparação que pode ser feita por alguém.
“É hora de mudar o Brasil para sempre. Fazer dele uma nação justa e modelar para todas as nações!” Este tem sido até mesmo o  pensamento de muitos crentes.
Mas por que via? Perguntamos. Pelos homens sujeitos e escravizados ainda ao pecado? Por uma trégua solicitada a todos os poderes de Satanás e dos demônios, para que não operem mais nesta nação e no mundo inteiro?
Pensar assim seria a mais grosseira ingenuidade, mas graças a Deus, que por Sua longanimidade e graça pode conviver e suportar todo o tipo de ignorância à Sua vontade e com a real condição do coração humano, do qual se diz que é a coisa mais corrupta que há na criação, e que somente Ele conhece e pode transformar pelo Seu poder.















17 O amigo ama em todo o tempo; e na angústia nasce o irmão.

O provérbio apresenta uma excelente definição da condição de um verdadeiro amigo, quando se refere à constância do seu amor.
Quando falta esta constância em amor, seja pelos mais variados motivos prova-se que, o que havia era uma amizade por interesse ou causalidade, mas não uma amizade real que é definida pelos laços permanentes dos corações que são amigos.
Entenda-se o amor, como o sentimento que vai muito além da simples noção de se ajudar alguém na hora da sua necessidade, pois isto está mais para a misericórdia do que para o amor, visto que ela nos visita nestes momentos difíceis, mas o amor permanece na casa mesmo quando tudo vai bem.
Esta amizade há de se revelar fraterna, especialmente nas horas de aflição, porque pelo compromisso do laço de amor fraternal, se vê na contingência de permanecer perto do que sofre para consolá-lo, e não fugir para se poupar de sofrimentos e constrangimentos.
Sábios são, portanto, aqueles que podem identificar os que são verdadeiramente seus amigos, pela aplicação prática do princípio que é ensinado neste provérbio, para que não venham depois, a se lamentar de possíveis frustrações de terem depositado sua confiança e esperança em pessoas que não eram de fato amigas, porque não lhes amavam.














18 O homem falto de entendimento compromete-se, tornando-se fiador na presença do seu vizinho.

O que se faz fiador de um estranho, e ainda por cima na presença testemunhal de um vizinho, não é sábio, porque em não sendo o estranho uma pessoa confiável e leal em saldar seus compromissos, poderá deixá-lo arcar com uma responsabilidade que não lhe pertence, e com a vantagem de recorrer ao testemunho de alguém que é conhecido para que tenha que honrar o que prometeu fazer, sob o impulso da insensatez ou da pressa.
Temos o dever de ser generosos, mas não de expormos a nossa segurança e de nossa família, por compromissos assumidos de forma precipitada com pessoas não confiáveis. Especialmente, numa época como a nossa em que a honestidade e a responsabilidade não são virtudes vistas em grande parte da sociedade, devemos ter muito cuidado em nos colocarmos na posição de fiadores.



19 O que ama a transgressão ama a contenda; o que faz alta a sua porta busca a ruína.
Quem ama a justiça, ama a paz, mas o que ama a transgressão, ama a contenda.
A inclinação para a paz ou a contenda são ditadas então, pela condição de nossos corações, ou seja, se eles são pelo que é justo, ou pelo que é injusto.
Pessoas que vivem a transgredir os mandamentos de Deus são contenciosas por natureza, pois  a natureza carnal é inimizade contra Deus e contra todos aqueles que procuram fazer a Sua vontade.
Uma natureza regenerada e renovada pelo Espírito Santo é o que nos torna humildes, de forma que não é para nós nenhum desconforto termos que nos reclinar para termos que passar por uma porta estreita e baixa, que conduz à salvação e à vida eterna.
Mas, os que se recusam a inclinar sua cerviz, por não tolerarem ter que se rebaixar diante de Deus, e por isso fazem portas altas para que nunca tenham que se humilha, como diz o provérbio, serão arruinados, pois Deus abate a todo aquele  que se exalta.
20 O perverso de coração nunca achará o bem; e o que tem a língua dobre virá a cair no mal.
     
Enquanto o ímpio não decidir abandonar sua impiedade, ele nunca poderá achar o bem que há no evangelho de Cristo, porque Deus não o revelará a ele.
A conversão demanda que haja antes arrependimento, o que consiste na mudança de direção de se inclinar para o mal, buscando inclinar-se para o bem; e a graça ajudará a pessoa a ser transformada pela concessão da fé, que fará com que seja justificada e transformada por Deus em uma nova criatura, pela habitação do Espírito Santo.
Por isso, o que tem a língua dobre virá a cair no mal, pois aquele cujo coração é dobre não pode ter a fé habitando nele, pois esta lança fora toda a dúvida acerca do que é bom e do que é mau, bem como toda a incerteza se Jesus Cristo é de fato o Salvador e Senhor de nossa alma, por depositarmos a nossa inteira confiança nele.


     

21 O que gera um tolo, para sua tristeza o faz; e o pai do insensato não se alegrará.

Se um pai é tolo e insensato ser-lhe-á indiferente ou até mesmo conveniente, que o filho lhe siga os passos para compartilhar com ele das mesmas práticas insensatas e estultas.
Certamente, não é a este tipo de pais aos quais o provérbio se refere, senão àqueles que são sábios e tementes a Deus, que a par de todos os seus esforços para conduzirem seus filhos nos caminhos do Senhor, veem que estes preferem trilhar pelos caminhos da injustiça.
Isto será para eles um forte motivo de tristeza, porque não há coisa pior para um pai piedoso do que ter filhos que trilhem por caminhos que não sejam os de Deus.







22 O coração alegre serve de bom remédio; mas o espírito abatido seca os ossos.

Neste provérbio tanto a palavra “coração”, quanto a palavra “espírito” são usadas com o mesmo significado, indicando o nosso homem interior, que é o sustentáculo tanto do nosso corpo quanto da nossa alma.

Há de se distinguir, como a Palavra de Deus o faz, especialmente separando a alma e o espírito, pois este indica a força vital de nossos impulsos, independentemente das faculdades da alma (razão, emoção, sentimento, vontade, imaginação).

Quando nosso corpo está enfermo e a nossa alma abatida ou deprimida, ambos podem ser sustentados por um espírito que estiver fortalecido pela graça de Jesus, como se deu por exemplo com o apóstolo Paulo, que estava forte em espírito, enquanto enfraquecido no corpo e na alma por conta do mensageiro de Satanás que o esbofeteava, ao qual classificou de espinho na carne.

Eu tive a oportunidade de experimentar isto em várias ocasiões, especialmente quando estive internado por 62 dias num hospital, infartado, enfraquecido no corpo, e afligido na alma pelas circunstâncias produzidas, sobretudo pela ação de alguns médicos e enfermeiros não compassivos e pacientes, e, no entanto sentia-me fortalecido o suficiente em espírito a ponto de poder orar e cantar louvores ao Senhor, com grande paz, alegria e gratidão em meu coração.
















23 O ímpio recebe do regaço o suborno, para perverter as veredas da justiça.

Já falamos sobre suborno num versículo anterior a este, onde o ponto focava na segurança que sentem aqueles que têm dinheiro suficiente para subornar a outros, e aqui se declara diretamente o motivo do recebimento do suborno: para perverter as veredas da justiça. Motivo pelo qual o suborno é uma abominação para Deus, e deve ser para todos aqueles que carregam o nome de serem Seus filhos.
Como o regaço compreende a parte do corpo entre o quadril e os joelhos, entenda-se então, a palavra no sentido de ocultação do suborno nos bolsos, porque sendo a prática condenável importa que seja feita de forma oculta ao testemunho alheio.






24 O alvo do inteligente é a sabedoria; mas os olhos do insensato estão nas extremidades da terra.

A  mera contemplação do horizonte não nos traz qualquer conhecimento sólido e útil. Então, o provérbio chama aqueles que vivem somente para contemplar o horizonte, que corresponde a olhar o que está distante e não se pode interpretar ou usar, de insensatos.
Em contraposição afirma que o objetivo do que é inteligente é alcançar a sabedoria, e esta não está certamente na prática de se contemplar o intangível.
As coisas espirituais, apesar de invisíveis são reais e tangíveis, pois podem ser experimentadas e por elas o caráter é transformado segundo o caráter do próprio Deus.
Estas coisas espirituais são, contudo racionais, pelo testemunho registrado nas Escrituras, e pela meditação, aprendizagem e aplicação das mesmas às nossas vidas.
Uma religiosidade que consista, portanto na contemplação de coisas que a mente possa imaginar, ou em êxtases, sentimentos e emoções, por recitações mântricas e xamanistas, nada têm de inteligente ou de sábio, quando confrontamos este modo de agir com aquilo que é apontado nas Escrituras, como sendo os meios de graça apropriados, para que por eles alcancemos a verdadeira sabedoria que procede do trono de Deus.















25 O filho insensato é tristeza para seu, pai, e amargura para quem o deu à luz.

Este provérbio já foi comentado em versículos anteriores de igual teor, e aqui cabe reafirmar apenas, que esta tristeza e amargura são sentidas por pais que sejam devotados a Deus, verdadeiramente piedosos e praticantes de Sua Palavra, pois somente estes podem sentir a tristeza e a amargura de espírito quando seus filhos são insensatos, pois sabem o quanto isto entristece também a Deus, e a quantos juízos eles estarão sujeitos por conta de agirem insensatamente.










26 Não é bom punir ao justo, nem ferir aos nobres por causa da sua retidão.

Este provérbio é uma repetição do constante do versículo 15, já comentado, exposto em outras palavras.















27 Refreia as suas palavras aquele que possui o conhecimento; e o homem de entendimento é de espírito sereno.
28 Até o tolo, estando calado, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, por entendido.
Há hora para falar e hora para ouvir e calar.
Quem possui o verdadeiro conhecimento sabe quando deve refrear suas palavras, pois meras palavras, muitas vezes não mudam um homem, nem as circunstâncias, podendo até mesmo agravá-las.
Por conta disso, geralmente aqueles que possuem o entendimento da vontade de Deus e da situação que estão vivendo, são de espírito sereno, pois sabem que a exaltação de ânimos nada mudará ou melhorará.
A sabedoria também muda o caráter, porque juntamente com ela vem a mansidão e a humildade de Cristo. Porque se diz, que mesmo aqueles que não são detentores de fato, de sabedoria, de entendimento, de conhecimento, e de serenidade podem ser considerados, ainda que equivocadamente, como tal, caso permaneçam calados, em vez de abrirem a boca, e acabarem de vez com a impressão favorável que estejam tendo a respeito deles.




Um comentário:

  1. Obrigado pela explicação! Não tinha entendido o significado de um versículo, e esse texto me ajudou muito!

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