quinta-feira, 10 de outubro de 2013

PROVÉRBIOS 24


Provérbios 24




Silvio Dutra




Mar/2016


  

 
  A474
            Alves, Silvio Dutra
                  Provérbios 24./ Silvio Dutra Alves. – Rio de Janeiro,
                  2016.
                  41p.; 14,8x21cm

                 1. Teologia. 2. Salomão. 3. Estudo Bíblico.
             I. Título.
                                                        
                                                                             CDD 230.223




Provérbios 24
1 Não tenhas inveja dos homens malignos; nem desejes estar com eles;
2 porque o seu coração medita a violência; e os seus lábios falam maliciosamente.
Por séculos sucessivos, além de a população mundial não ter sido expressiva em relação aos nossos dias – veja quadro abaixo, a vida nas cidades nem sequer de longe lembrava toda essa complexidade industrial e tecnológica que passou a crescer de modo vertiginoso, a partir da segunda metade do século XX.

  ANO
POPULAÇÃO
CRISTÃOS
%
33
171.000.000
120

100
181.500.000
1.149.000
0,6
500
193.400.000
43.400.000
22,4
1000
269.200.000
50.400.000
18,7
1500
425.300.000
81.000.000
19
1800
902.600.000
208.200.000
23,1
1900
1.619.900.000
521.600.000
34,4
1997
5.815.162.100
1.710.794.000
29,4
2015
7.349.000.000
2.100.000.000
35

Na tabela nós vemos, que a população mundial nos dias de Jesus era menor ainda do que a população atual do Brasil.
Considerando que o livro de Provérbios foi composto cerca de 1.000 anos antes de Cristo, a população era bem menor ainda.
Quando pensamos nos profetas do Senhor transitando pelas cidades e vilas de Israel, o contato com as pessoas era de natureza muito diferente da que temos em nossos dias, pois as próprias cidades mantinham muito do perfil rural e pastoril da população – muito mais humanizada, por conseguinte, comparada com os homens quase robôs e máquinas frias de nossos dias, em seus carros que mais parecem aeronaves, e totalmente reféns destes meios que são usados como símbolos de status e de poder.
O que queremos dizer, é que levar uma mensagem aos corações na antiguidade possuía um canal muito mais livre do que este que temos tido em nossos dias, a par da resistência produzida pelo pecado nos corações ser a mesma.
E cada vez que a sociedade vai se tornando mais complexa, com todo esse aumento demográfico vertiginoso que verificamos na tabela, mais e mais as mentes se distanciam de valores morais invisíveis e aplicáveis ao espirito, e mais se voltam para o que é material e visível, fazendo da conquista destes bens, sobretudo os tecnológicos, o grande objetivo de vida.
Não admira que se afirme nas Escrituras, que nos últimos dias os ouvidos estariam endurecidos para ouvirem a mensagem de Deus, e as pessoas se tornariam frias, calculistas, cruéis, antagonistas, competitivas em vez de solidárias, implacáveis, sem afeto natural, amantes dos prazeres que o mundo pode oferecer; enfim, tudo aquilo que vai na contramão do que Deus planejou para a humanidade ser e fazer.
Feitas estas considerações, vejamos então o que diz o provérbio:

1 Não tenhas inveja dos homens malignos; nem desejes estar com eles;
2 porque o seu coração medita a violência; e os seus lábios falam maliciosamente.
Quem é o homem maligno nesta sociedade, em que muitas vezes mal sabemos quem é o vizinho que mora no apartamento ao lado, e isto até por anos?
Como evitar a companhia e não ter inveja daqueles, que apesar de serem orientados para o que é mal, são bem-sucedidos nos assuntos gerais deste mundo, especialmente em posições profissionais?
O que é distinguido em nossos dias como sendo malícia e violência, quando é por estes meios que geralmente se conquistam posições elevadas?
De quanto maior graça e comunhão com Deus necessitamos então em nossos dias, não somente para discernir todas estas coisas, como também, e principalmente, para não sermos contaminados por elas. 
Importa fixarmos diante de nós o que é permanente e de real valor, pois todas estas coisas passarão, e somente a Palavra do Senhor não passará, conforme a Sua promessa.
Há uma ilusão enganosa em toda esta aparência que o mundo tem apresentado, pois na eternidade, nada do que se considera tão essencial à vida, sequer existirá.
Nada do que o homem tenha criado para superar suas limitações de comunicação, deslocamento, saúde, etc., será mais necessário, pois todos os que forem achados dignos de alcançar a vida eterna não estarão mais sujeitos a qualquer tipo de limitação.
Alguém dirá, à luz de todos estes argumentos que acabamos de apresentar: “O que leva a grande maioria das pessoas a rejeitarem a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para com elas?” Por que escolhem se sujeitar a espíritos imundos como o diabo e os demônios, e a amarem e imitarem as suas obras malignas?”  
Parece que não há uma resposta racional e lógica para tais perguntas, mas há: na verdade, o que sucede é que a maioria das pessoas não quer abrir mão de sua própria vontade.
Para conhecer e fazer a vontade de Deus é preciso abrir mão de nossa própria vontade – como se costuma dizer – negar a si mesmo, renunciar ao ego – e escolher a vontade de Deus como sendo a nossa própria vontade, e fazer com que ela seja o modelo e o tom de tudo o que pensamos e fazemos.  
Muitos não sabem que isto não significa, entretanto, abrir mão da própria personalidade, de deixarmos de ser quem somos, mas tão somente escolhermos ser e fazer aquilo que é bom, justo, amável, honesto, de boa fama, que possui louvor, amor, paz, longanimidade, misericórdia, domínio próprio, benignidade, bondade, fidelidade e tudo o mais que se encontra em perfeição no caráter de Deus.
Ao escolher fazer a própria vontade e não tentar amoldá-la à de Deus, o homem se tornou escravo de si mesmo, de Satanás, e de todas as coisas que são abomináveis para Deus.
Perdeu, por conseguinte, o verdadeiro significado da humanidade, pois não se pode ser verdadeiramente humano, segundo o propósito da criação, sem estar conformado ao plano original do Criador.
Quando ele disse que o homem seria criado à Sua imagem, conforme a Sua semelhança; o sentido disto é que deveria ter o mesmo caráter bondoso, justo, verdadeiro e misericordioso, e tudo mais que há em seu caráter divino, especialmente, a santidade.
Agora, ao analisarmos a tabela que apresentamos no início deste nosso comentário, podemos verificar que o crescimento vertiginoso da população nestes últimos cerca de 60 anos, tem sido um fator agravador desta condição de se acharem as pessoas cada vez mais apegadas às suas próprias vontades, pois nunca antes foram tão incentivadas a serem competitivas, a terem orgulho do que são, independentemente do que sejam de fato, segundo a avaliação da Palavra de Deus, e isto tem chegado ao ponto absurdo de em muitas nações chamadas “desenvolvidas”, as crianças estarem sendo educadas a não se sujeitarem à influência e instrução de seus pais, uma vez que é um fator que restringe sua criatividade e liberdade de expressão plena de sua personalidade.
Que tipo de mundo melhor poderemos esperar em face de tudo isto, por maiores que sejam os inegáveis avanços tecnológicos?
Há esperança para a humanidade, sem que Cristo volte e estabeleça para sempre o seu reino de verdade e de justiça?

  


3 Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece;
4 e pelo conhecimento se encherão as câmaras de todas as riquezas preciosas e deleitáveis.
5 O sábio é mais poderoso do que o forte; e o inteligente do que o que possui a força.
6 Porque com conselhos prudentes tu podes fazer a guerra; e há vitória na multidão dos conselheiros.
Somos tentados a invejar aqueles que ficam ricos, e aumentam suas propriedades e famílias. Mas, para anular essa tentação, Salomão mostra que um homem com uma gestão prudente, pode elevar sua propriedade e da sua família por meios legais e honestos, com uma boa consciência, um bom nome, e com a bênção de Deus sobre o seu trabalho.
Todavia, o que é aqui recomendado para nós, como tendo uma melhor influência sobre a nossa prosperidade exterior é a sabedoria e o entendimento, ou seja, tanto a piedade para com Deus (porque é a verdadeira sabedoria), e a prudência na gestão dos nossos assuntos exteriores.
Devemos governar a nós mesmos em todas as coisas, primeiro pelas regras da Palavra de Deus,  e, em seguida, pela discrição.
Alguns que são verdadeiramente piedosos não prosperam no mundo, por falta de prudência; e alguns que são suficientemente prudentes, não prosperam, porque se estribam em seu próprio entendimento e não reconhecem a Deus em seus caminhos, portanto ambos devem ir juntos para completar um homem sábio.
O que é aqui colocado diante de nós como a vantagem da verdadeira sabedoria, é que ela vai fazer com que os assuntos exteriores dos homens sejam prósperos e bem-sucedidos. Que vai edificar um lar e estabelecê-lo. Os homens podem por práticas injustas construir suas casas, mas eles não podem estabelecê-las, porque o fundamento não é firme (Hab 2.9,10).
Aqueles que geram seus assuntos com sabedoria e equidade, que são diligentes no uso de meios legais para aumentar o que eles têm, não para fins de luxo, mas para  gastar na caridade, estão em um caminho justo para terem seus negócios prósperos sob a bênção de Deus, porque pelo trabalho honesto, a substância de um homem diligente é preciosa e  agradável, para ser apreciada com alegria santa. Alguns pensam que isto é para ser entendido, principalmente quanto a riquezas espirituais. Pelo conhecimento das câmaras da alma, estas são preenchidas com as graças e confortos do Espírito, esses bens preciosos e agradáveis para o Espírito, pela iluminação do entendimento, que executa todas as suas outras operações na alma.
Ele vai fortalecer uma casa e transformá-la em um castelo; melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, ofensivas ou defensivas. Um homem sábio é uma fortaleza, e prevalecerá pela graça de Deus no dia do mal.
À medida que crescemos em conhecimento, crescemos em toda a graça, 2 Pe 3.18. Aqueles que crescem em sabedoria são fortalecidos com todo o poder, Col 1.9,1.
Na multidão de conselheiros há segurança, porque um pode prever o perigo e discernir as vantagens, que outro não pode. Em nossos conflitos espirituais precisamos de sabedoria, porque nosso inimigo é sutil.




7 A sabedoria é alta demais para o insensato; ele não abre a sua boca no portão da cidade.
8 Aquele que cuida em fazer o mal, mestre de maus intentos o chamarão.
9 O desígnio do insensato é pecado; e abominável aos homens é o escarnecedor.
Na antiguidade os anciãos e os sábios se reuniam no portão da cidade para darem conselhos, e decidirem judicialmente questões que lhes eram apresentadas pela população.
Os insensatos não poderiam então, ser achados entre aqueles que abriam suas bocas para pronunciarem o que era segundo a reta justiça.
Como podem aqueles que, de acostumados que estão em praticar o que é mau, pronunciarem algum parecer favorável ao que é verdadeiro e justo?
Eles podem ser até muito inteligentes e conhecedores de muitas coisas relativas aos assuntos deste mundo, mas não se achará neles a verdadeira sabedoria que procede do alto, do Pai das Luzes, para os corações daqueles que o temem e amam.
Se cuidam em somente fazer aquilo que é mau, poderão ser conhecidos, como diz o provérbio, até como mestres, mas metres de maus intentos, pois de seus corações não pode proceder aquilo que é verdadeiramente bom.
Seus desígnios são pecaminosos, não há neles o conhecimento de Deus e da Sua vontade, e como poderiam então, projetar aquilo que é verdadeiramente bom?
Bem-aventurados são aqueles que não seguem no seu ajuntamento, nem dão atenção aos seus conselhos.
Escarnecendo da Palavra de Deus podem ser aceitáveis aos homens de boa vontade? Antes não serão tidos como abomináveis, como afirma o provérbio?






10 Se enfraqueces no dia da angústia, a tua força é pequena.
Como o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza, e, se é quando somos fracos que a graça manifesta melhor toda a sua força, então se permanecemos enfraquecidos, desanimados, desalentados, ou angustiados, pode ser um sinal de que estamos desprovidos da verdadeira graça, ou então não estamos recorrendo pela fé ao Senhor, para que nos fortaleça.
Deus, em sua sabedoria infinita tem planejado e mantido controle sobre os dias maus (que assim consideramos), com o propósito de nos purificar a fé e prover-nos do necessário crescimento e amadurecimento espiritual.
É justamente na adversidade que a graça e a glória de Deus mais se manifestam.
É quando somos quebrados e tornados dependentes totalmente do socorro de Deus, que Seu poder opera de forma maravilhosa, ensinando-nos quanto ele é real e eficaz.
“Bom é aguardar a salvação que vem do Senhor, e isto em silêncio” (Lam 3.21),
Estar quietos e ver o livramento que o Senhor nos dará é imperativo, especialmente nas horas de tribulação, e bem faremos em fazer disso uma norma de vida para todas as ocasiões.
FIQUE CALADO! Tenho dito isto frequentemente à minha alma.
Enquanto falamos não podemos ouvir o Senhor, e muitas vezes nem sequer observar seus poderosos livramentos.




11 Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aqueles que estão prontos para serem mortos;
12 Se disseres: Eis que não o sabemos; porventura aquele que pesa os corações não o percebe? E aquele que guarda a tua vida não o sabe? E não retribuirá a cada um conforme a sua obra?
Este provérbio lembra o texto de Ezequiel 33, onde lemos:
“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
Filho do homem, fala aos filhos do teu povo, e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus termos, e o constituir por seu atalaia;
E, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;

Se aquele que ouvir o som da trombeta, não se der por avisado, e vier a espada, e o alcançar, o seu sangue será sobre a sua cabeça.
Ele ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado, o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida.
Mas, se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniquidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia.
A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lha anunciarás da minha parte.
Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, porém o seu sangue eu o requererei da tua mão.
Mas, se advertires o ímpio do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniquidade; mas tu livraste a tua alma.
Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós, dizendo: Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então?
Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?
Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo poderá viver pela sua justiça no dia em que pecar.
Quando eu disser ao justo que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar a iniquidade, não virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá.
Quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; mas se ele se converter do seu pecado, e praticar juízo e justiça,
restituindo esse ímpio o penhor, indenizando o que furtou, andando nos estatutos da vida, e não praticando iniquidade, certamente viverá, não morrerá.
De todos os seus pecados que cometeu não se terá memória contra ele; juízo e justiça fez, certamente viverá.
Todavia os filhos do teu povo dizem: Não é justo o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que não é justo.
Desviando-se o justo da sua justiça, e praticando iniquidade, morrerá nela.
E, convertendo-se o ímpio da sua impiedade, e praticando juízo e justiça, viverá por eles.
Todavia, vós dizeis: Não é justo o caminho do Senhor; julgar-vos-ei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel.”
Ezequiel foi levantado por Deus para ser um atalaia para a casa de Israel, nos termos declarados na profecia que acabamos de ler.
Salomão, com a escrita do livro de Provérbios foi também constituído atalaia por Deus, para nos alertar quanto aos nossos caminhos de morte, a fim de que nos desviemos deles para os caminhos de vida – os caminhos de Deus.
Agora, todo aquele que conhece a Palavra do Senhor é constituído também um atalaia, que tem o dever de alertar os que estão caminhando para a morte eterna por causa dos seus pecados, sobre o que lhes sucederá caso não se arrependam e se convertam a Cristo.
Isto nos tem sido ordenado na grande comissão de Jesus Cristo, de pregarmos o evangelho a toda criatura. Não é uma solicitação que nos é feita, antes uma grande responsabilidade que pesa sobre todos aqueles que são filhos de Deus, pois terão que dar contas no dia do juízo, sobre o quanto estiveram empenhados na obra de salvação dos perdidos.

13 Come mel, filho meu, porque é bom, e do favo de mel, que é doce ao teu paladar.
14 Sabe que é assim a sabedoria para a tua alma: se a achares, haverá para ti recompensa, e não será malograda a tua esperança.
A sabedoria é aqui comparada ao mel que comemos.
Assim como o mel é bom para a saúde e doce ao paladar, de igual modo é a sabedoria quando nos alimentamos dela, pois é o alimento que Deus tem designado para as nossas almas.




15 Não te ponhas de emboscada, ó ímpio, contra a habitação do justo; nem assoles a sua pousada.
16 Porque sete vezes cai o justo, e se levanta; mas os ímpios são derribados pela calamidade.
De todas as emboscadas e armadilhas feitas pelos ímpios para que o justo caia, de todas elas ele se levantará ajudado pela graça e providência de Deus.
Quanto mais o ímpio fustiga a alma do justo, mais lhe dá oportunidade de ser aperfeiçoado na fé. Na verdade, é um serviço indireto que lhe está fazendo, porque nada e ninguém pode ser contra aquele que tem a Deus por Seu ajudador.
Então, para o próprio bem do ímpio, o provérbio lhe adverte para que não se levante contra a alma do justo, pois isto servirá somente para a sua própria calamidade, e não do justo.
Quanto maiores forem os atos de impiedade praticados por eles, maiores serão os seus juízos, os quais lhes sobrevirão da parte do Senhor.
    

17 Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e quando tropeçar, não se regozije o teu coração;
18 para que o Senhor não o veja, e isso seja mau aos seus olhos, e desvie dele, a sua ira.
Se Deus nos ordena a amarmos os nossos inimigos, como poderia aprovar que nos alegremos quando eles caem ou tropeçam?
O Novo Testamento está repleto de instruções em relação a estes casos, e somos devidamente informados a deixar toda a questão do juízo nas mãos do Senhor, e permanecermos na prática do bem.
Ele tem prometido julgar as nossas causas e ser o vingador dos males que nos fazem injustamente.
Ora, se há então esta expectativa de alegria com a ruína de quem quer que seja, a situação se inverte, e em vez de serem visitados pela Sua  ira, são estes que abrigam sentimento de vingança que cairão no desagrado de Deus.
O sentimento de vingança é completamente oposto ao evangelho de Cristo, pelo qual se propõe a todos os homens, em quaisquer condições, a graça perdoadora para todos os seus pecados, por maiores que possam ter sido.  
Pode até mesmo parecer, que seja aprovado que nos alegremos com a ruína dos ímpios, especialmente quando têm causado grande mal contra a sociedade; porém, não é aprovado, pois não somente é contra o espírito do evangelho, como também contra a determinação e soberania de Deus, que tem afirmado que somente a Ele pertence exercer qualquer tipo de vingança.
Vemos assim, a quantas tentações estão expostos os crentes e todos aqueles que amam a justiça, sobretudo nestes dias conturbados em que a nação brasileira tem vivido com tantos casos de corrupção sendo investigados e comprovados.






19 Não te aflijas por causa dos malfeitores; nem tenhas inveja dos ímpios;
20 porque o maligno não tem futuro; e a lâmpada dos ímpios se apagará.
A primeira recomendação lida nestes provérbios, é talvez o que mais necessitemos praticar nestes dias turbulentos pelos quais nossa pátria tem passado, com as notícias de corrupção e todos os males que a população tem passado, tanto por causa dos malfeitores que se encontram nas esferas de poder, quanto daqueles que atuam nas ruas, roubando, furtando e assassinando pessoas; enfim, de todas as formas de impiedade que nos afligem.
Não te aflijas por causa dos malfeitores;”
Bem que poderíamos escrever estas palavras em local bem visível em nossas casas, para que nunca esqueçamos deste sábio conselho para que possamos manter nosso coração em paz, a par de tudo de mal que possa estar ocorrendo no mundo.
Temos recebido da parte de Deus, a promessa de experimentar Sua paz em todas as circunstâncias, e é certo que o Deus que é fiel em cumprir todas as Suas promessas, jamais falhará.
Virá o dia em que os ímpios já não mais habitarão a terra, eles não serão achados, porque serão desarraigados por ocasião da volta de Jesus, para que estabeleça o seu reino de paz, justiça, e verdade com aqueles que deixaram de ser ímpios e foram transformados em filhos de Deus, pela eficácia do Seu sangue remidor.
Toda a prosperidade que os ímpios possam ter neste mundo é, portanto, passageira e enganosa, e não há motivo algum para que seja invejada, até porque, não raro, não são obtidas para a glória de Deus e para o Seu uso, como também por meio da diligência na piedade.
Não se trata de se usar o complexo de Poliana, ou a técnica da raposa em dizer que as uvas estão verdes, para achar consolo em suportar perdas ou impossibilidades, pois não há qualquer perda ou impossibilidade real, em não ter aquilo que os ímpios conquistam e têm em sua posse, sabendo-se que não há qualquer futuro para eles.
Há recompensa para o viver daquele que é fiel a Deus, ainda que habite numa choupana, que não consiga mais do que o sustento diário, ou seja portador de alguma enfermidade que o incapacite; enfim, que a porção que lhe tenha sido designada por Deus neste mundo, não seja maior do que a do mendigo Lázaro, citado na parábola que Jesus contou para comparar a felicidade do seu destino eterno, com a desgraça de um rico que viveu opulentamente na terra, e ao morrer foi lançado num lugar de sofrimento eterno.
Quem tem Deus como amigo  e anda em seus caminhos, mesmo quando é obrigado a atravessar um deserto, se sente como se estivesse no céu, porque o que importa não é onde estamos, mas sim, se temos Deus por companhia. 
Há somente um tipo de deserto que devemos temer e não devemos andar, que é o deserto do pecado, no qual certamente, não poderemos contar com a companhia e aprovação do Senhor; ao contrário, nós teremos nele um opositor.
O pecado é visto por Deus tanto de modo individual, quanto coletivo, a saber, como ele se manifesta em grupos, e até mesmo nas nações.
Muito dos males que ocorrem nas nações, cujo povo e governantes vivem na prática da impiedade, é uma forma de juízo de Deus contra eles, no presente, conforme afirma-se na Palavra, que os deixa entregues a si mesmos, ou seja, não lhes concede graça e ajuda para deixarem de praticar as coisas que os afligem,  uma vez que não deram crédito à verdade, senão à mentira.
Parece que não há uma explicação plausível, quando tentamos analisar a condição do mundo atual entregue às ameaças constantes de terrorismo, e às coisas nunca vistas antes no mundo; como a multiplicação de armas sofisticadas de destruição de massas; o uso de armamento pesado por pessoas simples da população em assaltos e assassinatos; a multiplicação cada vez maior de drogas alucinógenas; a prática da corrupção, declarada como algo que se tornou  sistêmico na grande maioria das nações, e toda a escalada da imoralidade e transgressão dos bons costumes e valores cristãos, entre tantos outros males.
Qual a razão de tudo isso? Como Deus vê todas estas coisas, e o que Ele estaria fazendo? Ele está criando meios para a melhoria moral das sociedades como um todo, em toda a terra, em nossos dias?
As respostas já se encontram na Bíblia.
Deus está em guerra com a impiedade das nações, e em breve despejará todas as taças da Sua ira sobre toda a terra, conforme declarado no livro de Apocalipse e em muitas outras passagens proféticas da Bíblia, dentre as quais destacamos as seguintes:
“Porque a indignação do Senhor está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança.” (Isaias 34.2)
“E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-á contra ela todo o povo da terra.” (Zacarias 12.3)
“E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha.”  (Zacarias 14.3)
“E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” (Apocalipse 11.18)

“Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; os ímpios entregará à espada, diz o Senhor.” (Jeremias 2.31)

“E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira.” (Apocalipse 16.19)

“Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua fornicação, e os reis da terra fornicaram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.” (Apocalipse 18.3)

E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. “(Apocalipse 19.15)

“Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra.” (Joel 3.2)





21 Filho meu, teme ao Senhor, e ao rei; e não te entremetas com os que gostam de mudanças.
22 Porque de repente se levantará a sua calamidade; e a ruína deles, quem a conhecerá?
Temos o mandamento de honrar a Deus, e aos que governam (Rom 13.1,2).
Rebelar-se contra a autoridade significa rebelar-se contra Deus, que a instituiu para o nosso bem, e a punição dos malfeitores, bem como para a administração da coisa pública.
Mesmo em regimes democráticos, em que os que governam ocupam cargos eletivos, devem ser respeitados pela posição que ocupam enquanto ali estiverem, pelas condições expostas nos termos da Constituição daqueles que os elegeram. 
A forma então de serem removidos, quando prevaricam em suas funções e desrespeitam voluntariamente as regras constitucionais para a permanência no cargo, não  deve ser feita por rebeliões, senão pelos mecanismos previstos na mesma constituição, para sua deposição e nomeação de seus substitutos.
Deus sempre é pela ordem, quer na Igreja, quer fora dela. Ele nunca apoiará a desordem e os desordeiros.
Aqueles que são de espíritos facciosos, turbulentos, inquietos, comumente puxam o mal sobre suas próprias cabeças, e antes que estejam cientes, sua calamidade de repente se levantará. Embora formulem seus projetos com o máximo sigilo, eles serão descobertos, e trazidos ao merecido castigo, quando menos o esperam.
Quem sabe o momento e a forma da ruína que tanto Deus, quanto os que governam vão trazer sobre seus desprezadores; sobre eles, como sobre aqueles que se envolvem com eles?




23 Também estes são provérbios dos sábios: Fazer acepção de pessoas no juízo não é bom.
24 Aquele que disser ao ímpio: Justo és; os povos o amaldiçoarão, as nações o detestarão;
25 mas para os que julgam retamente haverá delícias, e sobre eles virá copiosa bênção.
26 O que responde com palavras retas beija os seus lábios.
Não convinha que fosse assim, mas geralmente o método usado pelos postulantes a cargos públicos, por meio de eleição, é pela inflamação das massas com discursos eloquentes, e promessas que usualmente não possuem uma real possibilidade de cumprimento.
O que se aplica aos juízes, ou seja, aos magistrados, conforme prescrito nestes provérbios dos versos 23 a 26, também pode ser estendido a eles, e bem fariam em segui-lo, de modo que seriam desestimulados a usarem da prática do engano para atingirem seus objetivos.
Nada há tão importante quanto a prática do que é verdadeiramente justo, porque o nosso Deus é perfeitamente justo e exige o mesmo daqueles que foram criados à sua imagem, segundo a sua semelhança.
De tal ordem é a justiça e o juízo de Deus, que para nos justificar do pecado, pagou na pessoa de Jesus o preço exigido pela Sua justiça, que é a morte do pecador. Ele morreu em nosso lugar para satisfazer à justiça de Deus.
A justiça verdadeira não é parcial e não atende aos anseios da maioria, senão daquilo que é justo, a saber, recompensar e aprovar o piedoso, e castigar e condenar o ímpio.
Uma justiça que se amolde ao padrão da verdadeira justiça que existe na natureza de Deus, há de julgar além dos atos, as intenções das mentes e dos corações que os praticaram, como circunstâncias atenuantes ou agravantes.
Interesses corporativos, dinheiro, promessas de aumento de poder, seja o que for, não podem comprar a verdadeira justiça, de maneira que o juiz cujo coração é segundo o coração de Deus, nunca será parcial no juízo, inocentando o culpado ou justificando o ímpio, e isto a que título for.
O juiz não pode então, seguir o clamor público, nem se colocar do lado dos que são mais poderosos ou influentes na sociedade, senão ao lado do cumprimento do seu ofício que demanda dele tudo que foi comentado anteriormente.
Magistrados honrados não agem para favorecer amigos, ou aqueles que os conduziram ao seu cargo, senão somente aquilo que é justo.
Deus tem uma demanda com os maus juízes, mas abençoará a todos que procederem com justiça.





27 Prepara os teus trabalhos de fora, apronta bem o teu campo; e depois edifica a tua casa.
Esta é uma regra de prudência na gestão dos assuntos domésticos, para que todos os homens sejam bons maridos e gerenciem de forma sábia os assuntos relativos ao lar.
Veja que há uma ordem de prioridades a ser seguida: primeiro, prover os meios de subsistência da família que será constituída – no meio rural e nos dias antigos, como os do provérbio, pelo preparo do campo onde seriam cultivados e criados tanto os bens agrícolas, quanto os animais para o sustento da família.
Nas cidades e em nossos dias, nisto pode e deve ser incluído o preparo nos estudos e a escolha de uma profissão com a qual possam ser atendidas todas as necessidades do cônjuge e dos filhos.
Infelizmente, quantos há que por não seguirem essa regra, tornam-se verdadeiros pesos para seus pais, que têm que arcar com os custos relativos às suas casas, por se casarem sem que tivessem se preparado para isto? Ou, quando empregam suas finanças em coisas supérfluas e deixam de atender as que são essenciais para a manutenção da vida?
Passeios, jantares caros fora de casa, roupas caras de marca, e outros tantos itens, consomem o dinheiro que deveria ser usado, por exemplo, para a compra da casa própria, na educação dos filhos e em outras coisas que são essenciais.





28 Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo; e não enganes com os teus lábios.
29 Não digas: Como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra.
Temos um texto equivalente a estes provérbios nas seguintes palavras do apóstolo Pedro:
“Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção.” (I Pedro 3.9)
Se houver alguma convocação pública para darmos testemunho judicialmente contra o nosso próximo, nunca devemos permitir que isto seja motivado por um espírito de vingança.
Somos chamados a seguir o exemplo que nos foi deixado pelo próprio Senhor Jesus Cristo, que nunca injuriava quando era injuriado.



30 Passei junto ao campo do preguiçoso, e junto à vinha do homem falto de entendimento;
31 e eis que tudo estava cheio de cardos, e a sua superfície coberta de urtigas, e o seu muro de pedra estava derrubado.
32 O que tendo eu visto, o considerei; e, vendo-o, recebi instrução.
33 Um pouco para dormir, um pouco para toscanejar, um pouco para cruzar os braços em repouso;
34 assim sobrevirá a tua pobreza como um salteador, e a tua necessidade como um homem armado.
A falta de diligência e entendimento não somente pode conduzir à penúria material, como também ao desleixo em relação a todas as coisas que temos o dever de manter em ordem e funcionamento.
Salomão viu isto na prática, ao observar a casa e a vinha de um preguiçoso. Certamente, seu proprietário devia ser jovem e gozar de boa saúde, mas sua preguiça e desleixo o impedia de trabalhar, e gastava todo o seu tempo útil na ociosidade.
Pessoas assim, costumam ser também relaxadas em relação às coisas espirituais. Por isso não vemos nos evangelhos, Jesus chamando desocupados para exercerem o apostolado.
Ainda hoje, o método de Deus é chamar para o seu trabalho os que já estão trabalhando bem, de forma empenhada em alguma atividade neste mundo.
Não se pode adquirir o entendimento da vontade de Deus, nem propagá-lo quando não temos um espírito diligente e empreendedor.
E, se não somos dotados desta têmpera, é necessário que nos esforcemos no sentido de obtê-la, contrariando a nossa natural inclinação para a indolência.
Se o reino de Deus é tomado por esforço, como se apoderarão dele os negligentes e preguiçosos?
Nossas almas são os nossos campos e vinhas, pelos quais somos, cada um de nós, responsáveis para cuidar e cultivar.
A chuva da graça espiritual não cairá no campo do preguiçoso, porque seria um desperdício conceder graça a um solo não arado, e tomado de ervas daninhas.
Limpemos o solo do nosso coração, aremos a terra, e certamente Deus derramará a graça necessária para que frutifiquemos em abundância.










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