domingo, 20 de janeiro de 2013

Eclesiastes 8


Deus comprova, por tudo o que Salomão escreveu neste livro, que somente Ele é perfeitamente Sábio e deve ser exaltado, e nenhum homem, mesmo àqueles aos quais deu sabedoria.
Ele impôs a Sua glória sobre toda glória terrena e humana, e é fácil de observar isto quando lemos este livro de Eclesiastes.
O próprio Salomão veio a reconhecer isto a que nos referimos ao ter afirmado o seguinte no verso 17, conclusivo desta capítulo:

“então contemplei toda obra de Deus, e vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; pois por mais que o homem trabalhe para a descobrir, não a achará; embora o sábio queira conhecê-la, nem por isso a poderá compreender.” (v. 17)

Por isso estão equivocados todos os comentaristas deste livro, que procuram por todos os meios justificar e exaltar Salomão pela sua sabedoria, porque não foi para este propósito que o Espírito lhe inspirou para que escrevesse qual foi a sua própria experiência, a conclusão a que ele havia chegado, depois de ter-se desviado de Deus.
Nós o vemos dizendo em sua velhice que tudo é vaidade, ou seja, vazio, porque reconheceu que nada há que se possa comparar ao próprio Deus.
Somente Deus é fonte de vida e sabedoria.
Então ao homem nada mais resta senão ter o temor do Senhor, porque Ele tudo julgará, porque somente Ele é o Criador e o Eterno, que compreende perfeitamente todas as coisas, e os desígnios para os quais as criou.     
Salomão começou este capítulo exaltando a si mesmo, perguntando quem pode ser comparado ao sábio e que sabe a interpretação das coisas.
Então realçou a sabedoria do homem como a causa de fazer brilhar e de quebrar a dureza do seu rosto. 
Depois passou a afirmar o dever de se obedecer o mandamento do rei, por causa do temor devido a Deus, que instituiu toda autoridade.
E falou da necessidade de completa submissão à vontade do rei, porque ele faz aquilo que lhe agrada. E prosseguiu dizendo que isto deveria ser feito porque a palavra do rei é suprema e, portanto, nunca deveria  ser questionada. De modo que aquele que guardasse o mandamento do rei não teria que temer nenhum mal.  
Tudo isto é verdade, mas há um fator limitante que Salomão passou a considerar a seguir, porque não é a palavra de nenhum rei que é suprema, senão somente a Palavra do Rei da terra e do céu.
Ele considerou a miséria da natureza humana (v. 6), e que havia então esta incompatibilidade entre o conhecimento do dever, e a incapacidade para a sua plena realização.  
O homem é limitado também em seu conhecimento, e não há no próprio homem a condição de ter, por si mesmo, domínio sobre o seu espírito (v. 8 a). Se o homem tivesse tal poder, ele o exerceria para livrá-lo do dia da sua morte, mas não pode fazê-lo, porque há um poder acima dEle que tudo governa e dirige. 
Então, mesmo no exercício da autoridade recebida de Deus, alguém pode fazê-lo para o seu próprio dano, se não o fizer dentro da vontade do Senhor, e segundo tudo o que Ele exige quanto ao exercício de uma liderança equilibrada e justa (v. 9). 
Salomão percebeu que havia ímpios que entravam e saíam do lugar santo, e no entanto caíram no esquecimento depois de terem sido sepultados, porque abusaram da longanimidade de Deus, porque ele não executa logo o Seu juízo sobre a má obra, e assim os homens ímpios se sentem encorajados a aumentarem ainda mais a sua impiedade, por pensarem que não estão debaixo de qualquer julgamento da parte de Deus, pensando erroneamente que a simples religiosidade deles cobrirá as sua más obras (v. 10, 11).
Então é uma grande ilusão pensar que se pode praticar o mal centenas de vezes, enquanto os dias de vida vão se prolongando, porque somente sucederá bem àqueles que temem a Deus (v. 12). O ímpio não pode contar com isto, e portanto não irá bem (v. 13).
Todavia, Salomão ficava perplexo com o sofrimento e as aflições dos santos, e com o alívio prolongado dos ímpios (v. 14).
Como não podia entender o propósito de Deus em permitir que o justo seja afligido, então, chegou à conclusão errônea, que não havia nada melhor para se fazer do que comer, beber e se alegrar enquanto se vive neste mundo (v. 15).




“1 Quem é como o sábio? e quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e com ela a dureza do seu rosto se transforma.
2 Eu digo: Observa o mandamento do rei, e isso por causa do juramento a Deus.
3 Não te apresses a sair da presença dele; nem persistas em alguma coisa má; porque ele faz tudo o que lhe agrada.
4 Porque a palavra do rei é suprema; e quem lhe dirá: que fazes?
5 Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o coração do sábio discernirá o tempo e o juízo.
6 Porque para todo propósito há tempo e juízo; porquanto a miséria do homem pesa sobre ele.
7 Porque não sabe o que há de suceder; pois quem lho dará a entender como há de ser?
8 Nenhum homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem que tenha poder sobre o dia da morte; nem há licença em tempo de guerra; nem tampouco a impiedade livrará aquele que a ela está entregue.
9 Tudo isto tenho observado enquanto aplicava o meu coração a toda obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem para o seu próprio dano.
10 Vi também os ímpios sepultados, os que antes entravam e saíam do lugar santo; e foram esquecidos na cidade onde haviam assim procedido; também isso é vaidade.
11 Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal.
12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, porque temem diante dele;
13 ao ímpio, porém, não irá bem, e ele não prolongará os seus dias, que são como a sombra; porque ele não teme diante de Deus.
14 Ainda há outra vaidade que se faz sobre a terra: há justos a quem sucede segundo as obras dos ímpios, e há ímpios a quem sucede segundo as obras dos justos. Eu disse que também isso é vaidade.
15 Exalto, pois, a alegria, porquanto o homem nenhuma coisa melhor tem debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da sua vida que Deus lhe dá debaixo do sol.
16 Quando apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria, e a ver o trabalho que se faz sobre a terra (pois homens há que nem de dia nem de noite conseguem dar sono aos seus olhos),
17 então contemplei toda obra de Deus, e vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; pois por mais que o homem trabalhe para a descobrir, não a achará; embora o sábio queira conhecê-la, nem por isso a poderá compreender.”

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