terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Redentor que se Levantou sobre a Terra- Jó 19



Nós vemos no 19º capítulo que Jó respondeu ao discurso condenatório de Bildade, pedindo a seus três amigos que tivessem compaixão dele, porque era a mão do Senhor que estava pesando sobre a Sua vida.
Bastava-lhe a humilhação que estava sendo imposta pelo Senhor, que lhe havia tornado um estranho para todos os seus amigos e familiares, e até mesmo para sua esposa e irmãos.  
O seu estado físico repugnante, consequente da sua enfermidade, fizera que exalasse mau cheiro e mau hálito, de modo que não era agradável para ninguém estar em sua companhia.
Então, porque seus amigos lhe afligiam ainda mais a sua alma atormentando-lhe com palavras acusadoras?
Eles já haviam se revezado até este ponto, por dez vezes em discursos que o humilhavam, e não sentiam qualquer vergonha por lhe estarem maltratando daquela forma.  
Mesmo caso estivesse sofrendo por ter errado, não havia errado contra eles, e portanto não se justificava o mau trato que estava recebendo deles.
Neste caso, somente ele responderia pelo seu erro.
Mas como se mostravam obstinados em incriminá-lo, deveriam estar conscientes de que teriam que prestar conta a Deus, porque fora Ele quem dera ocasião a todo aquele sofrimento pelo qual estava passando.
Certamente o Senhor não lhes daria satisfação de Seus atos. E não poderia ser acusado de ter sido injusto em ter afligido a Jó, uma vez que fosse comprovado que estava sofrendo por motivo de sua justiça, e não por qualquer iniquidade que tivesse praticado.
Em face disso, como ficariam seus amigos com seus argumentos justificando a Deus por estar afligindo Jó em razão de possíveis pecados praticados por ele?
Se fosse este o caso, nada teriam que responder, afora da falta de misericórdia deles, porque em tal pressuposto, teriam razão em dizer que Jó estava sendo castigado pelo mal que havia praticado.
Mas sabemos que não era este o caso. Portanto, como seriam pesadas as acusações deles contra Jó, pelo justo e soberano Deus?
Por isso é recomendado que tenhamos muito cuidado ao exercermos juízos, porque se nossas acusações forem falsas ou infundadas, nós mesmos seremos achados como faltosos diante do Senhor, e teremos que lhe prestar contas pelos nossos julgamentos errados.    
Deus havia despojado a Jó da sua antiga honra entre as pessoas que se encontravam debaixo da sua liderança e influência, e lhe impediu de reassumir a antiga posição de honra em que se encontrava.  
Jó se sentia como alguém que estava debaixo da ira de Deus e sendo tratado por Ele como um dos Seus adversários. 
Até mesmo pelos seus servos ele estava sendo desprezado, sendo tratado como se fosse um estranho.
Seus servos já não mais lhe obedeciam.
Sua mulher e irmãos não suportavam o seu mau cheiro produzido pela enfermidade.
Em tal estado ele suspirou e aspirou para que suas palavras não fossem desprezadas, como estavam sendo pelos seus amigos, mas que fossem registradas num livro, ou então que fossem registradas para sempre na rocha, porque gostaria que elas estivessem em lembrança e fossem apresentadas ao Seu Redentor, o qual ele estava convicto de que vivia e que ainda se levantaria para efetuar a Sua redenção em toda a terra.
Ele sabia que havia sido comprado pela graça de Deus, por meio de um Redentor que pagaria o preço pelos seus pecados, quando se levantasse sobre a terra. 
Ele tinha inteira confiança nisto em seu espírito. Tinha plena fé nesta verdade.   
Por isso queria que o seu testemunho fosse registrado num livro e na rocha para que fosse lido pelo Seu Redentor, comprovando que era pertencente ao número dos redimidos, por causa do modo como  havia vivido na terra, sem negar o Seu santo nome, porque estava cheio da graça e da fé no Redentor, que lhe justificara, tal como a Abraão, antes dele.  
Jó, inteiramente quebrantado, que se encontrava agora, ainda mais do que antes, não aspirava pela sepultura como um lugar para se esconder dos seus sofrimentos, mas como uma libertação da condição da ausência da presença de Deus, para poder para sempre contemplar a Sua face, em espírito, depois de ter deixado este corpo de carne e sangue (v. 26). 
Seus olhos veriam o Rei na Sua formosura, não mais como adversário, conforme o afligia neste mundo, porque na Sua presença, não há mais qualquer aflição para ser experimentada. Todo propósito divino em relação a nós se terá cumprido na glória. 
De modo, que nenhum cristão será mais achado debaixo da potente mão de Deus para ser afligido, mas a seu lado (v. 27 a).
Então seus amigos deveriam ponderar as suas ações contra ele, porque na perseguição da sua alma, estavam esquecidos desta condição prometida futura. 
Eles deviam temer usar a espada afiada de suas línguas com a qual estavam desferindo golpes contra a sua alma justa, porque os que ferem à espada, pela espada afiada de dois gumes da boca de Deus também serão feridos no dia do juízo (v. 27, 28). 




“1 Então Jó respondeu:
2 Até quando afligireis a minha alma, e me atormentareis com palavras?
3 Já dez vezes me haveis humilhado; não vos envergonhais de me maltratardes?
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo fica o meu erro.
5 Se deveras vos quereis engrandecer contra mim, e me incriminar pelo meu opróbrio,
6 sabei então que Deus é o que transtornou a minha causa, e com a sua rede me cercou.
7 Eis que clamo: Violência! mas não sou ouvido; grito: Socorro! mas não há justiça.
8 com muros fechou ele o meu caminho, de modo que não posso passar; e pôs trevas nas minhas veredas.
9 Da minha honra me despojou, e tirou-me da cabeça a coroa.
10 Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; arrancou a minha esperança, como a, uma árvore.
11 Acende contra mim a sua ira, e me considera como um de seus adversários.
12 Juntas as suas tropas avançam, levantam contra mim o seu caminho, e se acampam ao redor da minha tenda.
13 Ele pôs longe de mim os meus irmãos, e os que me conhecem tornaram-se estranhos para mim.
14 Os meus parentes se afastam, e os meus conhecidos se esquecem de mim.
15 Os meus domésticos e as minhas servas me têm por estranho; vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamo ao meu criado, e ele não me responde; tenho que suplicar-lhe com a minha boca.
17 O meu hálito é intolerável à minha mulher; sou repugnante aos filhos de minha mãe.
18 Até os pequeninos me desprezam; quando me levanto, falam contra mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.
20 Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e só escapei com a pele dos meus dentes.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos de mim; pois a mão de Deus me tocou.
22 Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne não vos fartais?
23 Quem dera que as minhas palavras fossem escritas! Quem dera que fossem gravadas num livro!
24 Que, com pena de ferro, e com chumbo, fossem para sempre esculpidas na rocha!
25 Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
26 E depois de consumida esta minha pele, então fora da minha carne verei a Deus;
27 vê-lo-ei ao meu lado, e os meus olhos o contemplarão, e não mais como adversário. O meu coração desfalece dentro de mim!
28 Se disserdes: Como o havemos de perseguir! e que a causa deste mal se acha em mim,
29 temei vós a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que há um juízo.” (Jó 19)


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