sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

EZEQUIEL 20



Antes de qualquer comentário, é importante lembrar que o cerco de Jerusalém pelos babilônios começou em meados do nono ano de reinado do rei Zedequias de Judá, o qual correspondia também ao nono ano de cativeiro do reio Joaquim em Babilônia, porque Zedequias foi colocado por Nabucodonosor no lugar de Joaquim, tão logo o levara em cativeiro.
Então a referência ao sétimo ano no início deste capitulo de Ezequiel, coloca esta profecia, como as citadas nos capítulos precedentes, num período anterior ao do citado sítio de Jerusalém.
Aqui, no caso, estavam há cerca de dois anos antes do início do citado cerco. Por isso, os judeus em Babilônia ainda tinham expectativas de que nenhum mal sucederia a Jerusalém, porque nenhum mal estava sendo feito contra o rei Zedequias e o povo que com ele se encontrava em Judá, já há sete anos do seu reinado em Jerusalém, que duraria até o quarto mês do décimo primeiro ano de tal reinado, porque passados então quatro anos desde a narrativa deste capitulo, Jerusalém e o templo seriam queimados, as casas seriam destruídas, os filhos de Zedequias seriam mortos pelo rei de Babilônia, seus soldados e muito povo também seriam mortos à espada, e somente os muito pobres que não tinham propriedades seriam deixados em Jerusalém, porque os demais seriam levados para o cativeiro.   
Conhecendo perfeitamente o que há no coração do homem, especialmente daqueles judeus rebeldes à Sua vontade, dos dias de Ezequiel, o Senhor disse ao profeta que lhes dissesse, quando vieram alegando ao profeta que queriam consultar ao Senhor, que não se deixaria ser consultado por eles.  
Deus havia mostrado em visões ao profeta todas as abominações que estavam sendo feitas em Jerusalém, e especialmente no Seu templo, então o próprio profeta teria condições de julgá-los, porque poderia lhes dizer todas as abominações de seus pais, e como poderiam esperar uma boa promessa de Deus em relação às condições presentes que eles estavam vivendo, enquanto não faziam outra coisa senão transgredir os Seus mandamentos deliberadamente?
Como poderiam escapar do terrível juízo de morte que estaria vindo sobre eles na forma de espada, peste e fome, se não deram a devida consideração ao Senhor e aos Seus mandamentos?
Além disso, não Lhe deram ouvidos quando repreendidos pelos Seus profetas, que insistentemente lhes convocaram ao arrependimento. Antes, perseguiram, prenderam e até mataram Seus profetas para continuarem praticando suas abominações. Então que resposta favorável Deus poderia lhes dar quando vieram Lhe consultar?
Desde que lhes havia livrado do cativeiro no Egito, nos dias de Moisés, para lhes dar por herança uma terra que manava leite e mel, o Senhor lhes ordenou que lançassem fora, cada um deles, todas as coisas abomináveis que encantavam os seus olhos, e que não se contaminassem com os ídolos do Egito.
Todavia, o que eles fizeram? Rebelaram-se contra o Senhor, e não lançaram fora as suas coisas abomináveis e nem os seus ídolos, e então o Senhor disse que derramaria o Seu furor sobre eles.
Mas o que fizera foi por amor do Seu grande nome, para que não fosse profanado à vista das nações, porque Israel carregava o Seu nome sobre eles, sendo conhecidos como o povo de Jeová, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. 
E livrando-os do cativeiro do Egito, entrou em aliança com eles, dando-lhes os Seus estatutos e ordenanças, pelos quais eles viveriam, como se afirma no verso 11:
“E dei-lhes os meus estatutos, e lhes mostrei as minhas ordenanças, pelas quais o homem viverá, se as cumprir.”
Esta citação é extraída de Lev 18.5:
Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles. Eu sou o SENHOR.” (Lev 18.5)

O apóstolo Paulo fez uma abordagem desta citação em Gál 3.12:

Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá.” (Gál 3.12)

Aqui se afirma que a vida que procede da lei não é a vida que procede da fé, a saber, a vida eterna, porque o que a lei diz é que aquele que observar os seus preceitos, por eles viverá, ou seja, quando eles vivessem de acordo com os preceitos da Lei, não seria trazido nenhuma destruição de morte como o Senhor estava trazendo sobre os judeus nos dias de Ezequiel, nos quais vigorava a Antiga Aliança, porque estavam todos sob a Lei, porque era por meio dela que estavam aliançados com Deus.
 Então a vida referida em Lev 18.5, e Ez 20.11, não é de modo algum a vida eterna que é obtida somente por graça, mediante a fé, porque sabemos que pelas obras da Lei nenhuma carne pode ser justificada diante de Deus:

“porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.” (Rom 3.20)

“concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Rom 3.28)

“sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por [obras da lei] nenhuma carne será justificada.” (Gál 2.16)

“Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gál 3.10)

Paulo não estava incentivando ninguém a viver contrariamente à lei moral de Deus, que é santa, justa e perfeita, mas a não tentar ser justificado por meio da Lei, porque não é possível haver justificação por tal meio, senão somente pela fé, tal como Abraão havia sido justificado no passado. E a vida eterna só pode ser obtida pela justificação, e não pelas obras da Lei.

Todo cristão deve ter portanto cuidado ao abordar o assunto das obras da Lei, para que não desconsidere a importância das obras na sua santificação, mas que nunca incorra no erro de ensinar a outros que serão justificados por tais obras, e não simplesmente pela fé. 
Não é correto portanto afirmar que na Antiga Aliança o modo de salvação era por se fazer as obras da Lei, e que agora na Nova Aliança, o modo é pela graça mediante a fé.
Deus nunca intentou salvar a ninguém pelas obras da Lei. Não foi para tal propósito que Ele deu a Lei através de Moisés, ou seja, para que a própria Lei fosse o instrumento da salvação dos pecadores.
Então nunca seria possível que alguém tivesse a salvação que dá a vida eterna, por cumprir a Lei, porque para tanto, seria necessário cumprir a Lei perfeitamente e não ter nenhum pecado, e isto, somente um único homem perfeito conseguiu fazer, a saber, nosso Senhor Jesus Cristo, não para que fosse salvo, mas para que pudesse nos salvar morrendo por nós depois de ter cumprido perfeitamente toda a Lei de Moisés, e por não ter, diferentemente de nós, nenhum pecado na Sua natureza santa e perfeita.   
Logo, Deus jamais ensinaria ao pecador um caminho de salvação impossível, a saber, o de obter a justificação (salvação) por meio das obras da Lei, porque, para tanto seria necessário perfeição no cumprimento de todos os mandamentos.
Então, o que quer dizer o texto de Levítico 18.5 e Ez 20.11? Afinal não está falando em se cumprir os estatutos e os juízos de Deus, para se viver por tal obediência?
Primeiro, já deixamos claro que o que está sendo prometido não é vida eterna, mas preservação da vida física, para não ser destruída tal como estava ocorrendo com os israelitas ao longo de toda a história daquela nação debaixo do Velho Testamento, quando descumpriam os mandamentos de Deus, desviando-se dEle, para adorarem falsos deuses. 
Todavia, certamente, tal como ocorre com o cristão na Nova Aliança, Deus tem considerado a intenção sincera do coração em cumprir Seus mandamentos, como o próprio fato realizado.
Se o cristão odiar o pecado, enquanto busca se aperfeiçoar na santificação, será tido por Deus na conta de alguém que possui um coração puro, porque considerará o seu esforço para vencer o mal e viver na prática do bem, andando pela fé no Espírito, como até mesmo se não tivesse qualquer pecado, porque o verá sob a cobertura do sangue e da justiça de Cristo, ainda que não desconsiderará o pecado de tal cristão, para fim de disciplina, de mortificação do pecado, e de seu aperfeiçoamento na fé.
A realidade prática dos que têm caminhado com Deus, e sido realmente usados por Ele, é exatamente esta a que nos temos referido, porque o Senhor sabe, que enquanto estivermos neste mundo, sempre haverá, em algum grau, a luta entre a carne e o Espírito, entre a nova natureza e a velha natureza, ainda que, à medida que crescermos espiritualmente, sendo aperfeiçoados na santificação, a velha natureza ficará cada vez mais fraca, enquanto a nova ficará cada vez mais forte.         
Voltando ao texto de Ezequiel neste capitulo, o Senhor lhes disse também no verso 12 o seguinte:
“Demais lhes dei também os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles; a fim de que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.”

Isto significa que Israel, tal como a Igreja de Cristo, deveria viver de um modo separado da prática dos ímpios que não conhecem ao Senhor, porque não são do mundo, mas herança de Deus, cuja pátria é celestial.
Todavia o verdadeiro israelita que habitará no céu é aquele que tem sido santificado pelo Senhor, porque é somente ela a evidência de que fora verdadeiramente justificado pela fé.   
Contudo, toda a nação de Israel se rebelou contra o Senhor no deserto, já nos dias de Moisés, e comprovaram tal rebelião pelo fato de não andarem segundo os estatutos do Senhor, e por rejeitarem as Suas ordenanças, pelas quais seriam mantidos em vida, sem receberem os juízos de morte que Ele trouxe não raras vezes sobre eles, revelando o quanto Lhe desagrada que o Seu povo viva no pecado. Quanto a isto, esta regra vale tanto para nós quanto para eles, porque até mesmo cristãos na Nova Aliança estão sujeitos a um juízo extremo da parte do Senhor, de morte física, quando andam em rebelião consumada contra Ele, porque são entregues a Satanás para a destruição da carne, para que se arrependam, tal como se dera com o cristão incestuoso da Igreja de Corinto (I Cor 5).   
O versículo 13 de Ezequiel bem comprova tudo o que comentamos anteriormente em relação ao verso 11, porque nele se afirma o mesmo que está contido no verso 11, e além disso, o Senhor, mostra a que tipo de vida estava se referindo ao falar no cumprimento dos estatutos e ordenanças da Lei, como vemos na parte final do citado versículo:
“e rejeitando as minhas ordenanças, pelas quais o homem viverá, se as cumprir; e profanaram grandemente os meus sábados; então eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir.” (v. 13b). Veja que se fala em furor derramado sobre os judeus no deserto para serem consumidos, como de fato o foram, especialmente aquela geração incrédula cujos corpos tombaram no deserto durante os quarenta anos de peregrinação com Moisés. 
Os versos 14 a 16 são uma reafirmação destes juízos que o Senhor trouxe sobre os israelitas nos dias de Moisés.
Todavia, tal como estava fazendo nos dias de Ezequiel, Deus também fizera nos dias de Moisés, bem como em toda a história da nação de Israel, porque sempre deixou um remanescente entre eles, para que estes andassem nos Seus caminhos.
E por isso advertiu a geração que se seguiu à de Moisés, e que entraria com Josué em Canaã, que não andassem nas mesmas pegadas de seus pais, praticando a sua idolatria e abominações, e que se recusavam a guardar os mandamentos de Deus.       
Todavia, as gerações seguintes de Israel andaram nos mesmos caminhos de seus pais, motivo porque o Senhor derramou o seu furor sobre eles, especialmente com juízos de morte sob a espada de povos inimigos, de morte pela peste, e também por falta de alimentos e água, com as secas que fez com que viessem sobre a terra deles, tal como prometera fazer na aliança que fizera com eles, deixando registrado na Lei, que lhes traria tais juízos quando eles lhes virassem as costas. 
Ainda assim, o Senhor sempre lhes deixou um remanescente.
Todavia, eles viveram em idolatrias e abominações cada vez maiores, de modo que o juízo do cativeiro prometido na Lei de Moisés, de serem arrancados de sua própria terra, seria trazido sobre eles, tal como estava sendo executado sobre Judá nos dias de Ezequiel, e como havia sido executado sobre o Reino do Norte (Israel) cerca de 100 anos antes. 
Como o Senhor conhecia a rebelião que havia na nação de Israel, por isto lhes deu estatutos que Ele chama no verso 25, que “não eram bons”, ou seja, que continham juízos de morte e cativeiro em caso de desobediência da Lei, como os que se veem em Lev 26.14-42; Dt 11.26-28; 27.26; 28.15-68, que contêm as promessas de maldições da Lei, que de fato não podem ser chamadas de boas promessas, as quais eram previstas na Antiga Aliança, que foi revogada por Jesus, ao inaugurar a Nova Aliança no Seu sangue.

Por isso lemos em Hb 8.6 a seguinte referência a Jesus e as promessas da Nova Aliança feita no Seu sangue:

“Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança, a qual está firmada sobre melhores promessas.” (Hb 8.6)

Isto indica que aqueles estatutos da Antiga Aliança que o próprio Deus diz que não eram bons (maldições prevista no caso de desobediência da Lei) foram revogados por Jesus, e por isso é dito que temos na Nova Aliança melhores promessas do que as da Antiga. 

Deus sabia que Israel idolatraria, que lhe voltaria as costas, que praticaria as mesmas coisas das nações pagãs, apesar de ter sido separado das demais nações para ser uma bênção para elas, vivendo em santidade perante Ele.
Então este verso 25 reforça ainda mais o entendimento da verdadeira interpretação das citações do verso 11 e de outros versos deste texto nos quais se faz uma referência a Lev 18.5, porque afirma expressamente que estas maldições da Lei eram estatutos e ordenanças que tinham por alvo não permitirem que os israelitas continuassem vivendo normalmente, sem receberem qualquer juízo de morte da parte de Deus, por causa da quebra da aliança. 

“Também lhes dei estatutos que não eram bons, e ordenanças pelas quais não poderiam viver;” (v. 25).

Conhecendo a obstinação e rebelião de seus corações, Deus não lhes concedeu graça para arrependimento, e os deixou entregues a si mesmos, para que se contaminassem com suas práticas abomináveis, como a de passarem seus recém-nascidos pelo fogo, porque os ofereciam como sacrifícios a falsos deuses (v. 26).
Depois de reafirmar nos versos 27 a 31 todas as verdades relativas à maldade de Israel, o Senhor protestou contra aqueles que Lhe vieram consultar através de Ezequiel, que se acaso eles eram diferentes de seus antepassados, e se porventura não andavam nas mesmas más obras em que eles haviam andado? E como se permitiria então ser consultado por eles?
Como poderiam esperar ouvir boas promessas da parte do Senhor andando do modo como eles andavam?
Cristãos que vão às suas igrejas só para receberem bênçãos materiais, ou algo que se relacione sempre ao próprio interesse egoísta deles, e que não se importam em fazer a vontade do Senhor, como podem esperar serem ouvidos por Deus enquanto vivem de tal forma?

“2 Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis.
3 Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.
4 Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tg 4.2-4) 

Então, o Senhor entregaria Israel aos juízos que já estavam determinados e eles permaneceriam no cativeiro, e seriam espalhados pelas nações, de onde o Senhor os congregaria no futuro, porque haveria de reinar sobre aqueles que não fossem rebeldes no meio do Seu povo, e que se voltassem para Ele. 
Então para comprovar que aqueles homens que vieram lhe consultar através de Ezequiel tinham um coração perverso e endurecido, o Senhor ordenou-lhe que profetizasse contra o sul, porque Jerusalém ficava ao Sul de Babilônia, onde eles se encontravam, e com isto aqueles homens seriam colocados à prova quanto à obediência e respeito que tinham ou não quanto à Palavra do Senhor.
Então Ezequiel profetizou que fossem queimados pelo fogo os campos e os bosques do sul, e isto produziu naqueles homens um efeito de zombaria, porque começaram a ridicularizar o profeta chamando-o de “fazedor de alegorias”. Eles o chamaram deste modo porque Deus vinha usando a pessoa de Ezequiel para servir de símile (paralelo) para os juízos que traria sobre Jerusalém. Assim eles revelaram o que havia em seus corações em relação ao próprio Ezequiel: tinham-no na conta de um artista, de um representante que procurava assustá-los com as alegorias que vinha fazendo até então.   
Deus ainda hoje, fala e age de uma maneira que parece estranha a muitos, geralmente por meio de homens simples, e então, aqueles que deveriam dar atenção às Suas palavras se escandalizam, porque não estão acostumados a não ser com suas práticas religiosas e ritos exteriores, sem permitirem ser tocados pelo Espírito em seus corações, e deste modo, não conseguem reconhecer o modo como o Espírito age em Sua liberdade, soprando onde quer e como quer, e assim deixam de receber a Sua visitação e bênçãos, porque endurecem seus corações. 




“1 Ora aconteceu, no sétimo ano, no mês quinto, aos dez do mês, que vieram alguns dos anciãos de Israel, para consultarem o Senhor; e assentaram-se diante de mim.
2 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
3 Filho do homem, fala aos anciãos de Israel, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Vós vindes consultar-me, mas tão certo como eu vivo, não me deixarei ser consultado de vós, diz o Senhor Deus.
4 Julgá-los-ias tu, ó filho do homem, julga-los-ias? Faze-lhes saber as abominações de seus pais; e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito, quando levantei a minha mão para eles, dizendo: Eu sou o Senhor vosso Deus.
6 Naquele dia levantei a minha mão para eles, jurando que os tiraria da terra do Egito para uma terra que lhes tinha designado, que mana leite e mel, a qual é a glória de todas as terras.
7 Então lhes disse: Lançai de vós, cada um, as coisas abomináveis que encantam os seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor vosso Deus.
8 Mas rebelaram-se contra mim, e não me quiseram ouvir; não lançaram de si, cada um, as coisas abomináveis que encantavam os seus olhos, nem deixaram os ídolos do Egito; então eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles no meio da terra do Egito.
9 O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado à vista das nações, no meio das quais eles estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a eles, tirando-os da terra do Egito.
10 Assim os tirei da terra do Egito, e os levei ao deserto.
11 E dei-lhes os meus estatutos, e lhes mostrei as minhas ordenanças, pelas quais o homem viverá, se as cumprir.
12 Demais lhes dei também os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles; a fim de que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.
13 Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando as minhas ordenanças, pelas quais o homem viverá, se as cumprir; e profanaram grandemente os meus sábados; então eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir.
14 O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado à vista das nações perante as quais os fiz sair.
15 E, contudo, eu levantei a minha mão para eles no deserto, jurando que não os introduziria na terra que lhes tinha dado, que mana leite e mel, a qual é a glória de todas as terras;
16 porque rejeitaram as minhas ordenanças, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; pois o seu coração andava após os seus ídolos.
17 Não obstante os meus olhos os pouparam e não os destruí nem os consumi de todo no deserto.
18 Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis as suas ordenanças, nem vos contamineis com os seus ídolos.
19 Eu sou o Senhor vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai as minhas ordenanças, e executai-os
20 E santificai os meus sábados; e eles servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.
21 Mas também os filhos se rebelaram contra mim; não andaram nos meus estatutos nem guardaram as minhas ordenanças para as praticarem, pelas quais o homem viverá, se as cumprir; profanaram eles os meus sábados; por isso eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir contra eles a minha ira no deserto.
22 Todavia retive a minha mão, e procedi por amor do meu nome, para que não fosse profanado à vista das nações, a cujos olhos os fiz sair.
23 Também levantei a minha mão para eles no deserto, jurando que os espalharia entre as nações, e os dispersaria entre os países;
24 porque não haviam executado as minhas ordenanças, mas rejeitaram os meus estatutos, e profanaram os meus sábados, e os seus olhos se iam após os ídolos de seus pais.
25 Também lhes dei estatutos que não eram bons, e ordenanças pelas quais não poderiam viver;
26 e os deixei contaminar-se em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo todos os que abrem a madre, para os assolar, a fim de que soubessem que eu sou o Senhor.
27 Portanto fala à casa de Israel, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Ainda nisto me blasfemaram vossos pais, que procederam traiçoeiramente para comigo;
28 pois quando eu os havia introduzido na terra a respeito da qual eu levantara a minha mão, jurando que lha daria, então olharam para todo outeiro alto, e para toda árvore frondosa, e ofereceram ali os seus sacrifícios, e apresentaram ali a provocação das suas ofertas; puseram ali os seus cheiros suaves, e ali derramaram as suas libações.
29 E eu lhes disse: Que significa o alto a que vós ides? Assim o seu nome ficou sendo Bamá, até o dia de hoje.
30 Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Acaso vós vos contaminais a vós mesmos, à maneira de vossos pais? e vos prostituís com as suas abominações?
31 E, ao oferecerdes os vossos dons, quando fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, vós vos contaminais com todos os vossos ídolos, até hoje. E eu hei de ser consultado por vós, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não serei consultado de vós.
32 E o que veio ao vosso espírito de maneira alguma sucederá, quando dizeis: Sejamos como as nações, como as tribos dos países, servindo ao madeiro e à pedra.
33 Vivo eu, diz o Senhor Deus, certamente com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós.
34 E vos tirarei dentre os povos, e vos congregarei dos países nos quais fostes espalhados, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada;
35 e vos levarei ao deserto dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco;
36 como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor Deus.
37 Também vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo do pacto;
38 e separarei dentre vós os rebeldes, e os que transgridem contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o Senhor.
39 Quanto a vós, ó casa de Israel, assim diz o Senhor Deus: Ide, sirva cada um os seus ídolos; contudo mais tarde me ouvireis e não profanareis mais o meu santo nome com as vossas dádivas e com os vossos ídolos.
40 Pois no meu santo monte, no monte alto de Israel, diz o Senhor Deus, ali me servirá toda a casa de Israel, toda ela, na terra; ali vos aceitarei, e ali requererei as vossas ofertas, e as primícias das vossas oblações, com todas as vossas coisas santas.
41 Como cheiro suave vos aceitarei, quando eu vos tirar dentre os povos e vos congregar dos países em que fostes espalhados; e serei santificado em vós à vista das nações.
42 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu vos introduzir na terra de Israel, no país a respeito do qual levantei a minha mão, jurando que o daria a vossos pais.
43 Ali vos lembrareis de vossos caminhos, e de todos os vossos atos com que vos tendes contaminado; e tereis nojo de vós mesmos, por causa de todas as vossas maldades que tendes cometido.
44 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu proceder para convosco por amor do meu nome, não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos corruptos, ó casa de Israel, diz o senhor Deus.
45 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
46 Filho do homem, dirige o teu rosto para o caminho do sul, e derrama as tuas palavras contra o sul, e profetiza contra o bosque do campo do sul.
47 E dize ao bosque do sul: Ouve a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que acenderei em ti um fogo que em ti consumirá toda árvore verde e toda árvore seca; não se apagará a chama flamejante, antes com ela se queimarão todos os rostos, desde o sul até o norte.
48 E verá toda a carne que eu, o Senhor, o acendi; não se apagará.
49 Então disse eu: Ah Senhor Deus! eles dizem de mim: Não é este um fazedor de alegorias?” (Ezequiel 20)

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