sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Disciplina do Povo de Deus – Neemias 13



Como em todo o livro de Neemias, este 13º capítulo também traz profundas lições pastorais, de caráter prático, quanto àquilo que se deve fazer para que o povo do Senhor, ao cuidado dos seus ministros, seja trazido em verdadeira santidade de vida, por uma estrita obediência à Sua Palavra.
Evidentemente, nem todos os métodos de Neemias deverão ser seguidos, porque ele atuava sob a Antiga Aliança, mas muito devemos imitar do seu santo zelo para com as coisas de Deus.
Por exemplo, não devemos fazer o que ele fez para corrigir os casos de casamentos em jugo desigual com incrédulos, imitando ações que ele descreveu no verso 25 em relação àqueles que deram seus filhos em casamento a pessoas de outras nações:
“Contendi com eles, e os amaldiçoei; espanquei alguns deles e, arrancando-lhes os cabelos, os fiz jurar por Deus, e lhes disse: Não dareis vossas filhas a seus filhos, e não tomareis suas filhas para vossos filhos, nem para vós mesmos.” (v. 25).
 A ninguém devemos amaldiçoar, espancar e lhes arrancar os cabelos e lhes fazer jurar por Deus, mas devemos admoestar com toda longanimidade e doutrina a tantos quantos andem desordenadamente na casa de Deus, que é a Igreja, com o mesmo zelo ardente que existia em Neemias. 
Outra grande lição que aprendemos neste capítulo é que o estado de coisas em Judá piorou muito, quando Neemias teve que se ausentar para estar na presença do rei persa (v. 6).
E quando ele soube das irregularidades contra a Lei do Senhor, que estavam sendo praticadas em Judá, durante a sua ausência, não se esquivou de suas responsabilidades, e não escolheu permanecer em Babilônia, para ficar bem longe de todos aqueles problemas. 
Neste período da sua ausência chegaram até mesmo a preparar uma câmara no átrio do templo para o amonita Tobias, que tanta oposição havia feito a Neemias.
Mas este, quando soube do que se fazia em Judá conseguiu uma licença junto ao rei persa para retornar a Jerusalém e purificar os judeus de todas as más obras que estavam fazendo.
Ele não somente expulsou Tobias da câmara, que lhe haviam feito no átrio do templo, como tirou de lá todos os seus móveis, e deu ao lugar o uso sagrado que lhe convinha, como também expulsou todos os amonitas e moabitas das assembleias do templo, conforme estava prescrito na lei de Moisés contra eles (v. 1, 2; Dt 23.3-5). 
Esta medida foi estendida para o dever dos israelitas não se misturarem com as práticas das nações pagãs (v. 3).     
De quanta firmeza e determinação Neemias estava revestido pela graça de Deus, que o movia a isto, que nunca se permitiu intimidar pela aparência ou grandeza dos homens.
Ele não pensou quanta impopularidade  poderia granjear com as medidas que estava tomando.
Não pensava no que era do seu próprio interesse, senão em fazer com que a vontade do Senhor fosse cumprida em Israel.
Como poderão ser os ministros do evangelho bem sucedidos em seus ministérios se não seguirem o mesmo exemplo que lhes foi deixado por Neemias?
Sem tal determinação e perseverança em seguir ao Senhor, não é possível trazer o povo em verdadeira santidade, porque a carne luta resistentemente contra o Espírito, e as pessoas são dadas a se desviarem naturalmente dos caminhos de Deus.
Certamente, não se deve agir por força ou violência, senão pelo Espírito, mas o Espírito não honrará e não atuará se não encontrar nos ministros este desejo de agradar não a homens, mas somente a Deus, e agirem de fato seguindo este princípio espiritual, que é determinado a eles, de se esforçarem diligentemente para serem modelos do rebanho, e fazerem tudo o que é ordenado pelo Senhor na Sua Palavra, para que o povo ao cuidado deles viva em santidade.
“prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.”  (II Tim 4.2).
Estas oposições carnais que são conduzidas à obediência de Cristo trazem muitas glórias a Deus, tanto da parte dos que são cativados, quanto daqueles que trazem tais pensamentos carnais à sujeição do senhorio de Jesus.
Como a carne sempre se opõe ao Espírito, e como os homens são dados a esquecerem rapidamente as coisas do Espírito, com muito maior facilidade do que as coisas relativas à carne e ao mundo, daí se compreende então a razão de serem tantas as exortações bíblicas para que meditemos na Palavra do Senhor dia e noite, continuamente, todos os dias de nossas vidas, porque é somente agindo assim, que a Palavra de Cristo poderá habitar em nós ricamente, e trazermos sempre em nossa memória quais são os deveres que temos para com o Senhor.
Nós vimos anteriormente que o povo havia feito uma aliança de nunca desamparar os serviços do templo, e não deixarem de prover os sacerdotes e levitas com seus dízimos e ofertas alçadas. 
Mas o que nos relata este capítulo?
Os levitas tiveram que deixar o serviço do templo para se entregarem a outras atividades para a sua subsistência porque o povo não foi fiel em cumprir o que havia prometido quanto à sua provisão.
Será isto o que sempre ocorrerá se os ministros do evangelho não trouxerem o povo que se encontra debaixo do seu cuidado, lembrado constantemente dos seus deveres relativos à manutenção dos serviços da casa do Senhor.
Isto, como vimos, deve ser lembrado continuamente em face desta facilidade de se esquecer os deveres espirituais que nos são impostos pela Palavra.  
Como Neemias, não devemos apenas lamentar o descumprimento dos deveres ordenados na Palavra aos cristãos; como ministros do evangelho devemos tomar as providências necessárias para corrigir o que estiver errado.
Neemias não se limitou a lamentar a infidelidade dos israelitas mas levou-os a cumprirem o que lhes estava determinado pela lei e reintegrou os levitas de volta no seu serviço no templo.
As pessoas haviam abandonado os levitas e os levitas abandonaram o seu posto no templo.
Não seria de se esperar que ficassem orando, afirmando que deveriam ter uma posição de fé, porque apesar da infidelidade das pessoas, Deus atenderia às necessidades deles ainda que permanecessem no templo.
Isto não seria fé, mas estímulo ao povo a permanecer na sua atitude de desobediência.
Aquilo que está determinado por Deus aos homens para que seja feito por eles, compete aos homens fazerem, quando estas coisas são temporais e terrenas, e não implicam na necessidade do apoio e ação da graça sobrenatural de Deus.
Deveres espirituais que nos são impostos são operados pelo próprio Senhor, como por exemplo, o dever de sermos mansos e humildes.
Não está no homem o poder para isso, de modo que o recebemos de Deus quando nos dispomos a buscar tal mansidão e humildade nEle.
Agora, o dever de assistirmos a carência dos necessitados de coisas materiais com os nossos bens, está na esfera da nossa própria capacidade e poder de realizar tal ordenança, e não devemos pedir a Deus que nos dê o poder necessário para fazê-lo.  
Para garantir uma segura provisão dos levitas e de todo o serviço da casa de Deus, naquela antiga aliança, Neemias selecionou homens que foram achados fiéis para a administração e aplicação dos dízimos e ofertas (v. 13), conforme eram ordenados e regulados pela Lei civil no período  do Antigo Testamento.
Disto aprendemos que não basta agir para que os recursos sejam levantados, mas é também importante gerir os meios necessários para uma sábia e honesta administração e aplicação deles. 
Neemias teve muito trabalho para corrigir todas estas coisas, mas não buscou remuneração terrena para o seu trabalho, pois se confiou inteiramente ao Senhor, esperando receber somente dEle a sua recompensa (v. 14).
Ele não esperava receber nenhuma ajuda de custo adicional por tudo o que fez, além da remuneração que lhe cabia como governador da nação.
Os ministros não devem explorar o povo de Deus, e nem buscarem ocasião em tudo  para agirem com oportunismo, visando aos seus próprios interesses egoístas, porque este é um bom caminho para anular a operação da graça do Senhor sobre suas vidas, que lhes impôs o mandamento de darem de graça o que têm recebido diretamente da graça de Deus.     
Não há maior recompensa para um ministro verdadeiramente fiel ao evangelho do que ver almas sendo salvas e edificadas pela graça do Senhor, debaixo das  ministrações da graça que lhes fazem. Mas como o Senhor é bom e galardoador dos que O servem e buscam, não esquecerá de lhes dar a devida recompensa no porvir e cuidará das necessidades deles conforme tem prometido, enquanto viverem neste mundo.
Esta administração de bens, sendo usados principalmente, para manter o ministério e socorrer os necessitados, deve ser realizada com verdadeiro espírito cristão, isto é, com amor, bondade e alegria, e não como quem administra uma empresa.
Quanto à transgressão do sábado pela comercialização de mercadorias, especialmente por parte de estrangeiros, que levavam os judeus a pecarem, Neemias viu com os seus próprios olhos as coisas que estavam sendo praticadas (v. 15).
As ações que ele tomou em relação ao sábado estão descritas nos versos 15 a 22.   
Como Neemias estava investido da autoridade legal de um governador, pôde ameaçar aqueles que transgrediam o sábado comercializando os seus produtos, dizendo que colocaria as mãos neles, e isto indicava provavelmente que os conduziria ao cárcere caso desobedecessem o preceito legal.
Nos versos 23 a 31, vemos as providências que foram tomadas para que os casamentos de judeus com estrangeiros fossem desfeitos.
Muitos judeus haviam contraído matrimônio com mulheres de Asdode, uma das cinco cidades confederadas dos filisteus, e com mulheres de Amom e de Moabe (v. 23).
Estas mulheres, certamente educariam seus filhos a cultuarem os falsos deuses que elas adoravam, e se a prática se estendesse em Israel, toda a nação viria a se perder.
Neemias lembrou-lhes que este havia sido o maior pecado de Salomão, e que trouxe grande ruína aos israelitas, apesar de Salomão ser um rei (26).
Nós percebemos que neste capítulo Neemias procurou deixar registrado todo o esforço que havia feito para que o acordo que os judeus haviam selado fosse devidamente cumprido, de forma que ele enfatiza que purificou os judeus de tudo o que era estrangeiro, e providenciou que as ofertas das primícias e da lenha para o serviço do templo fossem feitas regularmente, conforme os judeus haviam prometido quando selaram o acordo referido (v. 31).   
Mais uma vez, como já havia feito tantas vezes ao longo de todo o seu livro, rogou a Deus que se lembrasse dele para o seu bem, por tudo que havia feito a Israel. E já comentamos devidamente o que ele queria expressar com este pedido dirigido a Deus. Ele tudo fizera não para agradar a homens, mas para agradar ao Senhor, no cumprimento da Sua Palavra, então seria dEle que deveria esperar a Sua recompensa.
Nisto, todos os servos de Jesus Cristo devem seguir o exemplo de Neemias, porque não há de fato, outro modo de se agradar ao Senhor, porque se vivermos para agradar aos homens não poderemos ser servos de Cristo.  
“Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.”  (Gál 1.10).



“1 Naquele dia leu-se o livro de Moisés, na presença do povo, e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na assembleias de Deus;
2 porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel com pão e água, mas contra eles assalariaram Balaão para os amaldiçoar; contudo o nosso Deus converteu a maldição em benção.
3 Ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel toda a multidão mista.
4 Ora, antes disto Eliasibe, sacerdote, encarregado das câmaras da casa de nosso Deus, se aparentara com Tobias,
5 e lhe fizera uma câmara grande, onde dantes se recolhiam as ofertas de cereais, o incenso, os utensílios, os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite, que eram dados por ordenança aos levitas, aos cantores e aos porteiros, como também as ofertas alçadas para os sacerdotes.
6 Mas durante todo este tempo não estava eu em Jerusalém, porque no ano trinta e dois de Artaxerxes, rei da Babilônia, fui ter com o rei; mas a cabo de alguns dias pedi licença ao rei,
7 e vim a Jerusalém; e soube do mal que Eliasibe fizera em servir a Tobias, preparando-lhe uma câmara nos átrios da casa de Deus.
8 Isso muito me desagradou; pelo que lancei todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara.
9 Então, por minha ordem purificaram as câmaras; e tornei a trazer para ali os utensílios da casa de Deus, juntamente com as ofertas de cereais e o incenso.
10 Também soube que os quinhões dos levitas não se lhes davam, de forma que os levitas e os cantores, que faziam o serviço, tinham fugido cada um para o seu campo.
11 Então contendi com os magistrados e disse: Por que se abandonou a casa de Deus? Eu, pois, ajuntei os levitas e os cantores e os restaurei no seu posto.
12 Então todo o Judá trouxe para os celeiros os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite.
13 E por tesoureiros pus sobre os celeiros Selemias, o sacerdote, e Zadoque, o escrivão, e Pedaías, dentre os levitas, e como ajudante deles Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, porque foram achados fiéis; e se lhes encarregou de fazerem a distribuição entre seus irmãos.
14 Por isto, Deus meu, lembra-te de mim, e não risques as beneficências que eu tenho feito para a casa do meu Deus e para o serviço dela.
15 Naqueles dias vi em Judá homens que pisavam lagares no sábado, e traziam molhos, que carregavam sobre jumentos; vi também vinho, uvas e figos, e toda sorte de cargas, que eles traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles quanto ao dia em que estavam vendendo mantimentos.
16 E em Jerusalém habitavam homens de Tiro, os quais traziam peixes e toda sorte de mercadorias, que vendiam no sábado aos filhos de Judá, e em Jerusalém.
17 Então contendi com os nobres de Judá, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de sábado?
18 Porventura não fizeram vossos pais assim, e não trouxe nosso Deus todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? Contudo vós ainda aumentais a ira sobre Israel, profanando o sábado.
19 E sucedeu que, ao começar a fazer-se escuro nas portas de Jerusalém, antes do sábado, eu ordenei que elas fossem fechadas, e mandei que não as abrissem até passar o sábado e pus às portas alguns de meus moços, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado.
20 Então os negociantes e os vendedores de toda sorte de mercadorias passaram a noite fora de Jerusalém, uma ou duas vezes.
21 Protestei, pois, contra eles, dizendo-lhes: Por que passais a noite defronte do muro? Se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão em vós. Daquele tempo em diante não vieram no sábado.
22 Também ordenei aos levitas que se purificassem, e viessem guardar as portas, para santificar o sábado. Nisso também, Deus meu, lembra-te de mim, e perdoa-me segundo a abundância da tua misericórdia.
23 Vi também naqueles dias judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas, e moabitas;
24 e seus filhos falavam no meio asdodita, e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de seu povo.
25 Contendi com eles, e os amaldiçoei; espanquei alguns deles e, arrancando-lhes os cabelos, os fiz jurar por Deus, e lhes disse: Não dareis vossas filhas a seus filhos, e não tomareis suas filhas para vossos filhos, nem para vós mesmos.
26 Não pecou nisso Salomão, rei de Israel? Entre muitas nações não havia rei semelhante a ele, e ele era amado de seu Deus, e Deus o constituiu rei sobre todo o Israel. Contudo mesmo a ele as mulheres estrangeiras o fizeram pecar.
27 E dar-vos-íamos nós ouvidos, para fazermos todo este grande mal, esta infidelidade contra o nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras?
28 Também um dos filhos de Joiada, filho do sumo sacerdote Eliasibe, era genro de Sambalate, o horonita, pelo que o afugentei de mim.
30 Assim os purifiquei de tudo que era estrangeiro, e determinei os cargos para os sacerdotes e para os levitas, cada um na sua função;
31 como também o que diz respeito à oferta da lenha em tempos determinados, e bem assim às primícias. Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem.” (Ne 13.1-31).


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