segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Deus Honra as Suas Alianças – 2 Samuel 21



Nós dissemos no final do comentário relativo ao capítulo anterior a este 21º de 2 Samuel, que estaremos comentando, que a data dos eventos narrados neste capitulo é incerta.
Há dois relatos distintos nele: o primeiro se refere à morte de gibeonitas durante o reinado de Saul, e o segundo à morte de gigantes filisteus pelos valentes de Davi.
É afirmado que Saul em seu zelo por Israel e Judá matou muitos gibeonitas.
Este zelo não foi no entanto um zelo segundo a vontade do Senhor, como veremos adiante.
Os gibeonitas haviam recebido uma garantia de serem protegidos por todas as gerações dos israelitas, desde os dias de Josué, e foi em nome do Senhor que esta aliança foi feita com eles.
Saul, em seu reinado, fez a eles o que nenhum juiz fizera antes dele no longo período de trezentos anos, que julgaram Israel.
Ele simplesmente desconsiderou a aliança que foi feita com eles em nome de Jeová, significando que o Senhor mesmo seria tido como infiel em cumprir Suas promessas, caso os israelitas não os protegessem dos seus inimigos.
Mas em vez de protegê-los, Saul tentou exterminá-los, pouco se importando com o nome de Deus, que se encontrava em jogo.
A cidade de Gibeom era uma das cidades de Benjamim, e ele quis demonstrar que tinha mais zelo do que os governantes anteriores, e faria com que houvesse apenas israelitas naquela cidade, pelo extermínio dos gibeonitas.
Muitas mães foram desfilhadas, e Saul deve ter espalhado terror entre eles, sem que tivessem intentado qualquer mal contra Israel, tanto que o Senhor vindicou a causa deles, trazendo uma fome que já durava três anos, nos dias do reinado de Davi (v. 1).
Isto foi uma providência de Deus para vindicar a Sua fidelidade em cumprir a Sua Palavra, e para vingar os gibeonitas, e ainda para ensinar aos israelitas que toda palavra dada em Seu nome deveria ser honrada seriamente.
E a fome na terra persistia até que foi revelado a Davi que havia culpa na casa de Saul em relação aos gibeonitas, e então ele mandou chamar o rei de Gibeom, que era seu vassalo, e lhe perguntou o que deveria ser feito para que houvesse reparação do mal causado por Saul a eles, de modo que Deus voltasse a ser favorável a Israel (v. 3). E eles disseram que a sua demanda não era com a nação de Israel, mas com Saul que os assolara.
Eles não queriam ouro e prata, e nem guerrear contra Israel, mas que fossem vingados de Saul, dando-se-lhes sete dos seus descendentes para que fossem enforcados por eles.
Isto pode parecer a nós que se tratava de uma barbárie e de uma vingança fria que não poderia ser aprovada por um Deus amoroso.
Mas, não podemos esquecer que naqueles dias vigorava o olho por olho e dente por dente, de modo que se Saul destruiu famílias gibeonitas contra a vontade de Deus e por motivos pessoais, então, pela lei de retribuição, seria justo, debaixo daquela antiga dispensação, que seus familiares fossem mortos por aqueles a cujas famílias ele havia assolado.
Além disso, como vimos antes, estava em jogo a questão de se vindicar a fidelidade e justiça de Deus, porque Saul, como seu ungido, e rei do Seu povo, agira contra a Sua vontade e desconsiderando uma aliança que havia sido feita em nome de Deus, nos dias de Josué.
Mefibosete, filho de Jônatas, foi poupado por causa da aliança que Davi havia feito com o pai dele. Mas dois filhos que Saul tivera com uma de suas concubinas, chamada Rispa, e cinco filhos de sua filha chamada Merabe, foram dados aos gibeonitas para serem enforcados (v. 8, 9).
E depois de enforcados, Rispa, em zelo e amor materno procurou guardar e honrar os corpos de seus dois filhos, que estavam expostos publicamente como anátema de Deus, pelo que Saul havia feito, e permaneceu ao lado deles dia e noite para protegê-los da chuva e do ataque de aves de rapina (v. 10).          
A honra que ela estava dando a seus filhos despertou em Davi a necessidade de honrar não somente os que haviam sido enforcados, porque afinal, não se fizeram anátema por um pecado que tivesse sido cometido por eles, mas por Saul, e assim lhes proveria um sepultamento digno, e indo além, ele trouxe de volta os restos mortais de Saul e Jônatas que se encontravam em Gileade, para que fossem colocados na própria terra deles, a saber, em Benjamim (v. 11 a 14).
Davi procurou honrar os mortos, mas isto não resolve o problema da morte.
A morte entrou na criação por causa do pecado. Mas a morte física propriamente dita não configura um problema final e fatal, porque o que importa não é se somos honrados pelos homens na nossa morte, mas se somos honrados por Deus.
Se nós O amamos e O conhecemos Ele estará conosco quando morrermos e nos conduzirá à vida eterna, mas em caso contrário, por mais que sejamos honrados pelos homens, mas se nos falta a honra de Deus, então a morte configura um problema real, porque em vez da vida e da honra, acharemos a morte e o horror eternos.
Nós encontramos na segunda parte deste capítulo, como citamos anteriormente, as vitórias dos valentes de Davi sobre gigantes filisteus, especialmente da cidade de Gate, onde havia muitos deles, e entre os quais figurava Golias, a quem Davi matou quando ainda era jovem.
É nomeado um outro Golias neste capítulo (v. 19) que foi morto por um homem de Belém, chamado El-Hanã.
É narrado  também o livramento que o próprio Davi teve de ser morto por um destes gigantes, chamado Isbi-Benobe, mas foi ajudado por Abisai, que impediu que ele fosse morto e matou o gigante (v. 16,17).
Foi a partir de então que os oficiais de Davi lhe recomendaram que não saísse mais ao campo de batalha, para que não corresse o risco de ser morto, e assim se apagasse a lâmpada de Israel, caso o matassem.
Eles reconheciam que eram abençoados pelo Senhor por amor a Davi.
E assim eles procuraram preservar a sua vida, porque ele era uma bênção para o povo de Deus.
É citado no verso 20 um gigante que foi morto pelo sobrinho de Davi, chamado Jônatas, quando o gigante injuriava Israel.
Ele tinha seis dedos em cada mão e pé, totalizando vinte e quatro dedos, e devia se gloriar disto, quando na verdade, tratava-se de um defeito genético, do qual ele não deveria se envergonhar, mas também do qual não deveria se gloriar.       




“1 Nos dias de Davi houve uma fome de três anos consecutivos; pelo que Davi consultou ao Senhor; e o Senhor lhe disse: E por causa de Saul e da sua casa sanguinária, porque matou os gibeonitas.
2 Então o rei chamou os gibeonitas e falou com eles (ora, os gibeonitas não eram dos filhos de Israel, mas do restante dos amorreus; e os filhos de Israel tinham feito pacto com eles; porém Saul, no seu zelo pelos filhos de Israel e de Judá, procurou feri-los);
3 perguntou, pois, Davi aos gibeonitas: Que quereis que eu vos faça. e como hei de fazer expiação, para que abençoeis a herança do Senhor?
4 Então os gibeonitas lhe disseram: Não é por prata nem ouro que temos questão com Saul e com a sua casa; nem tampouco cabe a nós matar pessoa alguma em Israel. Disse-lhes Davi: Que quereis que vos faça?
5 Responderam ao rei: Quanto ao homem que nos consumia, e procurava destruir-nos, de modo que não pudéssemos subsistir em termo algum de Israel,
6 de seus filhos se nos deem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor em Gibeá de Saul, o eleito do Senhor. E o rei disse: Eu os darei.
7 O rei, porém, poupou a Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento do Senhor que entre eles houvera, isto é, entre Davi e Jônatas, filho de Saul.
8 Mas o rei tomou os dois filhos de Rizpa, filha de Aías, que ela tivera de Saul, a saber, a Armoni e a Mefibosete, como também os cinco filhos de Merabe, filha de Saul, que ela tivera de Adriel, filho de Barzilai, meolatita,
9 e os entregou na mão dos gibeonitas, os quais os enforcaram no monte, perante o Senhor; e os sete caíram todos juntos. Foi nos primeiros dias da sega que foram mortos, no princípio da sega da cevada.
10 Então Rizpa, filha de Aías, tomando um pano de cilício, estendeu-o para si sobre uma pedra e, desde o princípio da sega até que a água caiu do céu sobre os corpos, não deixou que se aproximassem deles as aves do céu de dia, nem os animais do campo de noite:
11 Quando foi anunciado a Davi o que fizera Rizpa, filha de Aías, concubina de Saul,
12 ele foi e tomou os ossos de Saul e os de Jônatas seu filho, aos homens de Jabes-Gileade, que os haviam furtado da praça de Bete-Seã, onde os filisteus os tinham pendurado quando mataram a Saul em Gilboa;
13 e trouxe dali os ossos de Saul e os de Jônatas seu filho; e ajuntaram a eles também os ossos dos enforcados.
14 Enterraram os ossos de Saul e de Jônatas seu filho, na terra de Benjamim, em Zela, na sepultura de Quis, seu pai; e fizeram tudo o que o rei ordenara. Depois disto Deus se aplacou para com a terra.
15 De novo tiveram os filisteus uma guerra contra Israel. E desceu Davi, e com ele os seus servos; e tanto pelejara contra os filisteus, que Davi se cansou.
16 E Isbi-Benobe, que era dos filhos do gigante, cuja lança tinha o peso de trezentos, siclos de bronze, e que cingia uma espada nova, intentou matar Davi.
17 Porém, Abisai, filho de Zeruia, o socorreu; e, ferindo ao filisteu, o matou. Então os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca mais sairás conosco à batalha, para que não apagues a lâmpada de Israel.
18 Aconteceu depois disto que houve em Gobe ainda outra peleja contra os filisteus; então Sibecai, o husatita, matou Safe, que era dos filhos do gigante.
19 Houve mais outra peleja contra os filisteus em Gobe; e El-Hanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, matou Golias, o giteu, de cuja lança a haste era como órgão de tecelão.
20 Houve ainda também outra peleja em Gate, onde estava um homem de alta estatura, que tinha seis dedos em cada mão, e seis em cada pé, vinte e quatro ao todo; também este era descendente do gigante.
21 Tendo ele desafiado a Israel, Jônatas, filho de Simei, irmão de Davi, o matou.
22 Estes quatro nasceram ao gigante em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus servos.” (II Sm 21.1-22).


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