Os
sete primeiros versículos do sexto capítulo de
Levítico são uma continuação do final do capítulo anterior (quinto), uma vez
que o tipo de sacrifício para expiação da culpa é o mesmo (carneiro).
A
ênfase nestes sacrifícios está na exigência da reparação do dano causado, além
da apresentação do sacrifício.
No
caso de roubo, extorsão, ou abuso de confiança, e retenção de coisas achadas e
das quais houve apropriação sem se esforçar para saber quem era o seu
proprietário, deveria haver restituição destes bens ou valores e, além disso,
deveria ser acrescentada a quinta parte do seu valor como forma de compensação
ao proprietário.
Isto
demonstra claramente que o perdão de nossos pecados por Jesus não significa a
exclusão da nossa responsabilidade.
Ao
contrário esta é despertada e aumenta muito, especialmente por sermos
instruídos pelo Espírito Santo, a reparar todo o mal que
tivermos praticado contra o nosso próximo.
Não é
portanto consistente o argumento de que tendo sido perdoados por Cristo, não
temos mais com que nos preocupar, porque a Palavra do Senhor ensina clarmamente
que Ele exige que façamos reparação do mal que possamos ter causado a outros.
Não
basta portanto, apenas confessar o pecado ou pedir perdão ao ofendido.
A
partir do oitavo versículo deste sexto capítulo, e até o versículo vigésimo
primeiro do sétimo capítulo de Levítico, são descritas as leis adicionais
relativas aos diversos tipos de ofertas descritas até aqui.
Em
Lev 7.7 nós temos a) oferta pelo pecado e b) oferta pela culpa, como duas
coisas distintas.
De
fato no original hebraico a palavra aqui traduzida por pecado é hatat, e a palavra para culpa é asham.
Embora a culpa esteja ligada ao pecado, a primeira palavra, para
pecado, quer designar a transgressão propriamente dita, sob a forma de ação ou
omissão contrária aos mandamentos de Deus, e a segunda palavra, para culpa,
designa a condição de ser merecedor de condenação, de repreensão, de castigo.
É um estado, uma condição, uma situação, mais do que um ato.
Mesmo quando alguém cumpre toda a pena prevista para algum crime
praticado, não obstante, não se pode remover a sua culpa pelo ato que praticou.
Então é descrito na Lei que o sacrifício faz expiação tanto do pecado quanto da
culpa.
Em Lev 6.2 nós vemos que uma falta cometida contra o nosso próximo
é considerada por Deus como um pecado contra Ele próprio. Por isso o amor a
Deus e ao próximo são apresentados em conexão.
Jesus diz que amar o próximo é um mandamento semelhante ao de amar
a Deus (Mt 22.39).
Com base nisto o apóstolo João afirma que:
“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso.
Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não
viu. E dele temos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu irmão.”
(I Jo 4.20,21)
E ainda lemos em Tg 4.11:
“Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão,
e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não
és observador da lei, mas juiz.”
Não admira, portanto que os dez mandamentos descrevam tanto os
nossos deveres para com Deus, como os para com o nosso próximo, na mesma Lei. Amar o próximo é
amar a Deus, e a amar a Deus é amar o próximo.
Vejamos agora as leis complementares relativas aos diversos tipos
de ofertas:
1) Lei do Holocausto (6.8-13):
O holocausto aqui referido, que deveria ficar queimando no altar
até pela manhã, é certamente o cordeiro da tarde do sacrifício diário.
Ele ficaria queimando durante toda a noite, e pela manhã o sacerdote
deveria pegar a sua cinza e levar para um lugar limpo fora do arraial.
Para levar estas cinzas para fora do arraial, ele deveria trocar
as suas vestes por outras.
Além disso, era seu encargo manter o fogo do altar continuamente
aceso, e para isto deveria alimentá-lo com lenha todas as manhãs.
Se até mesmo as cinzas dos holocaustos deveriam receber tal
cuidado, Deus estava revelando o valor que Ele dá ao sacrifício, e que
principalmente nós, pecadores, deveríamos lhe dar, porque é por meio dele que
nós somos reconciliados com Ele.
O primeiro fogo que acendeu o holocausto e a gordura que estavam
no altar veio do céu (9.24) e assim, sendo expressamente determinado que aquele
fogo sempre deveria ser alimentado para que não se extinguisse, ele seria
considerado como um fogo celestial e divino, que queimaria toda impureza e todo
pecado que fossem colocados sobre o altar, uma vez que os ofertantes
confessavam os seus pecados sobre a cabeça dos animais, que seriam oferecidos em sacrifício,
simbolizando assim a destruição daqueles pecados pelo fogo de Deus.
Hoje sabemos que aquele fogo era uma figura do fogo do Espírito
Santo, que é quem de fato queima todo pecado e impureza que são confessados a
Deus.
Mas para que isto seja feito é necessário que apresentemos os
nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, conforme nos
ordena o apóstolo em Romanos 12.
Isto pode ser feito pelo Espírito porque Jesus levou sobre si os
nossos pecados, assim como era ensinado em figura na Lei.
É por causa do sacrifício de Jesus que eles podem ser totalmente
apagados pela operação purificadora do Espírito Santo.
É por isso que se ordena que não se apague o Espírito (I Tes
5.19), porque isto é o mesmo que deixar apagar o fogo do altar com o qual eram
queimados todos os pecados.
Tão importante é este trabalho do Espírito Santo em nossas vidas,
que na Lei se ordenava aos sacerdotes, de forma enfática e repetitiva, que não deixassem de modo algum que o fogo do altar fosse
apagado, para que queimasse
continuamente (6.9,12,13).
O fogo purificador do Espírito é absolutamente essencial à
santidade, porque se a água lava o ouro exteriormente, somente o fogo pode
purificá-lo interiormente, separando-o de todas as suas impurezas.
E o modo dessa santificacão é indicado em figura na Lei, como
devendo ser de forma contínua.
2)
Lei da Oferta de Manjares (6.14-23):
Aqui
se acrescenta ao que é descrito no capítulo segundo, que
nenhuma coisa levedada deveria ser comida pelos sacerdotes em seu serviço no
tabernáculo.
Isto
aponta para a sinceridade, humildade e santidade com que deveriam oficiar na
presença de Deus.
O
alimento espiritual deles deveria ser sem fermento, isto é, segundo a verdade e
santidade da Palavra de Deus.
Nos
versos 19 a 23 se descreve a oferta de manjares, que
Arão e seus filhos deveriam apresentar no dia da sua consagração.
Esta
oferta, ao contrário das demais, deveria ser totalmente queimada, e não deveria
ficar dela nenhuma parte para ser comida pelos sacerdotes, indicando assim a
consagração total de suas vidas ao serviço de Deus.
O
sacerdote poderia se alimentar das ofertas de manjares oferecidas pelas pessoas
de Israel, mas não da sua própria oferta de consagração.
Isto
ensina que os ministros devem viver das coisas do altar, pelo serviço que prestam
a outros.
Eles
são dignos de serem assistidos e providos por aqueles aos quais ministram. Por
isso se diz que os que pregam o evangelho vivam do evangelho, e que o obreiro é
digno do seu salário, pois foi o próprio Deus que dispôs e ordenou estas coisas.
3)
Lei da Oferta pelo Pecado (6.24-30):
As
prescrições aqui contidas se referem ao serviço que deveria ser realizado pelos
sacerdotes em relação a este tipo de oferta.
É
dito que deste tipo de oferta, os sacerdotes somente poderiam comer as partes
que lhes eram destinadas dos sacrifícios de animais, cujo
sangue não havia sido trazido ao interior do tabernáculo.
Nós
já vimos antes, que as ofertas cujo sangue era usado para fazer expiação no
interior do santuário, estão descritas em
Lev 4.6,7, 17,18, e que se referiam aos pecados de ignorância dos sacerdotes ou
então de toda a congregação de Israel.
E
além destes havia também o sangue que fazia expiação do pecado de toda a nação
no chamado dia da expiação nacional, que é citado em Lev 16.
Todos
estes sacrifícios deveriam ser totalmente queimados no altar, sendo proibido
comer qualquer parte deles.
Além
destas prescrições para revelar a importância da oferta pelo pecado, era
ordenado também que tudo o que tocasse a carne da oferta seria santo, mostrando
assim que o sacrifício de Jesus pelo pecado, nos
santifica pela nossa união com Ele.
Quem
estiver unido a Jesus que é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo,
será santificado por esta união a Ele, assim como quem tocava na carne do
sacrifício pelo pecado era considerado santo na Lei (6.27 a).
Daí
se dizer que tal oferta é coisa santíssima (v. 25, 29).
“1
Disse ainda o Senhor a Moisés:
2 Se
alguém pecar e cometer uma transgressão contra o Senhor, e se houver
dolosamente para com o seu próximo no tocante a um depósito, ou penhor, ou
roubo, ou tiver oprimido a seu próximo;
3 se
achar o perdido, e nisso se houver dolosamente e jurar falso; ou se fizer
qualquer de todas as coisas em que o homem costuma pecar;
4 se,
pois, houver pecado e for culpado, restituirá o que roubou, ou o que obteve
pela opressão, ou o depósito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que
achou,
5 ou
qualquer coisa sobre que jurou falso; por inteiro o restituirá, e ainda a isso
acrescentará a quinta parte; a quem pertence, lho dará no dia em que trouxer a
sua oferta pela culpa.
6 E
como a sua oferta pela culpa, trará ao Senhor um carneiro sem defeito, do
rebanho; conforme a tua avaliação para oferta pela culpa trá-lo-á ao sacerdote;
7 e o
sacerdote fará expiação por ele diante do Senhor, e ele será perdoado de todas
as coisas que tiver feito, nas quais se tenha tornado culpado.
8
Disse mais o Senhor a Moisés:
9 Dá
ordem a Arão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei do holocausto: o holocausto
ficará a noite toda, até pela manhã, sobre a lareira do altar, e nela se
conservará aceso o fogo do altar.
10 E
o sacerdote vestirá a sua veste de linho, e vestirá as calças de linho sobre a
sua carne; e levantará a cinza, quando o fogo houver consumido o holocausto
sobre o altar, e a porá junto ao altar.
11
Depois despirá as suas vestes, e vestirá outras vestes; e levará a cinza para
fora do arraial a um lugar limpo.
12 O
fogo sobre o altar se conservará aceso; não se apagará. O sacerdote acenderá
lenha nele todos os dias pela manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto, e
queimará a gordura das ofertas pacíficas.
13 O
fogo se conservará continuamente aceso sobre o altar; não se apagará.
14
Esta é a lei da oferta de cereais: os filhos de Arão a oferecerão perante o
Senhor diante do altar.
15 O
sacerdote tomará dela um punhado, isto é, da flor de farinha da oferta de
cereais e do azeite da mesma, e todo o incenso que estiver sobre a oferta de
cereais, e os queimará sobre o altar por cheiro suave ao Senhor, como o
memorial da oferta.
16 E
Arão e seus filhos comerão o restante dela; comê-lo-ão sem fermento em lugar
santo; no átrio da tenda da revelação o comerão.
17
Levedado não se cozerá. Como a sua porção das minhas ofertas queimadas lho
tenho dado; coisa santíssima é, como a oferta pelo pecado, e como a oferta pela
culpa.
18
Todo varão entre os filhos de Arão comerá dela, como a sua porção das ofertas
queimadas do Senhor; estatuto perpétuo será para as vossas gerações; tudo o que
as tocar será santo.
19
Disse mais o Senhor a Moisés:
20
Esta é a oferta de Arão e de seus filhos, a qual oferecerão ao Senhor no dia em
que ele for ungido: a décima parte duma efa de flor de farinha, como oferta de
cereais, perpetuamente, a metade dela pela amanhã, e a outra metade à tarde.
21
Numa assadeira se fará com azeite; bem embebida a trarás; em pedaços cozidos
oferecerás a oferta de cereais por cheiro suave ao Senhor.
22
Também o sacerdote que, de entre seus filhos, for ungido em seu lugar, a
oferecerá; por estatuto perpétuo será ela toda queimada ao Senhor.
23
Assim toda oferta de cereais do sacerdote será totalmente queimada; não se
comerá.
24
Disse mais o Senhor a Moisés:
25
Fala a Arão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei da oferta pelo pecado: no
lugar em que se imola o holocausto se imolará a oferta pelo pecado perante o
Senhor; coisa santíssima é.
26 O
sacerdote que a oferecer pelo pecado a comerá; comê-la-á em lugar santo, no
átrio da tenda da revelação.
27
Tudo o que tocar a carne da oferta será santo; e quando o sangue dela for
espargido sobre qualquer roupa, lavarás em lugar santo a roupa sobre a qual ele
tiver sido espargido.
28
Mas o vaso de barro em que for cozida será quebrado; e se for cozida num vaso
de bronze, este será esfregado, e lavado, na água.
29
Todo varão entre os sacerdotes comerá dela; coisa santíssima é.
30
Contudo não se comerá nenhuma oferta pelo pecado, da qual uma parte do sangue é
trazida dentro da tenda da revelação, para fazer expiação no lugar santo; no
fogo será queimada.” (Lev 6.1-30).
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